O destino de Eduardo da Fonte e a virada dos Coelho: o que a federação União-PP muda em Pernambuco
Federação União Progressista será homologada nesta quinta, no TSE, e vai criar maior bloco do país, com fundo eleitoral e tempo de TV cobiçados
A homologação da federação entre o União Brasil e o Partido Progressistas (PP), marcada para esta quinta-feira (26), às 10h, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, vai além de uma formalidade partidária nacional. Em Pernambuco, o ato pode repercutir no tabuleiro eleitoral para as eleições de 2026, especialmente na disputa pelo Senado.
A sessão está sob análise da ministra Estela Aranha e já conta com parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.
A criação de uma federação partidária permite que duas ou mais legendas atuem de forma conjunta como uma única agremiação por um período mínimo de quatro anos. Na prática, os partidos passam a compartilhar estrutura partidária, atuação parlamentar e estratégias eleitorais em todo o país.
No caso do União Brasil e do PP, a fusão criaria o maior bloco político do país, reunindo 103 deputados federais, 12 senadores e cerca de 1,3 mil prefeitos. O objetivo das cúpulas nacionais é centralizar o poder político e garantir acesso a aproximadamente R$ 900 milhões do fundo eleitoral.
O xadrez pernambucano
Em Pernambuco, a federação coloca frente a frente dois líderes partidários: o deputado federal Eduardo da Fonte, que preside o diretório estadual do PP, e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, presidente local do União Brasil. Os dois têm interesse em disputar o Senado, mas protagonizaram divergências de percurso.
Há pouco tempo, Miguel Coelho iniciou sua pré-campanha ao lado do prefeito do Recife, João Campos. Eduardo da Fonte, por sua vez, caminhava com a governadora Raquel Lyra.
O tabuleiro, no entanto, se inverteu. Eduardo passou a dialogar com João Campos, o que desagradou a governadora e fez Raquel exonerar do governo quadros indicados pelo PP, fechando as portas para Da Fonte.
Do outro lado, Miguel perdeu espaço na chapa de João após o prefeito fechar alianças com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT). Sem saída no campo do prefeito, Miguel migrou para o grupo da governadora e já apareceu em eventos públicos como pré-candidato ao Senado na chapa de Raquel, com aval da direção nacional do União Brasil.
A virada do União Brasil
A entrada de Miguel Coelho no grupo da governadora trouxe resultados imediatos. O partido entregou cargos que tinha na prefeitura do Recife e, com as exonerações dos quadros do PP no governo estadual, as vagas passaram a ser cobiçadas pelo partido. Nos bastidores, já se comenta que as posições devem ser preenchidas por indicações da legenda.
Em contrapartida, Raquel Lyra ganhou um aliado inesperado na Assembleia Legislativa de Pernambuco: o deputado Antônio Coelho (União Brasil), presidente da Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação e irmão de Miguel.
Até pouco tempo atrás, Antônio era um dos principais opositores do governo dentro da Alepe, mas passou a sinalizar uma mudança de comportamento após a virada política da família.
Na semana passada, Antônio conduziu uma reunião que garantiu a aprovação parcial do projeto que devolve ao governo o controle de 20% do orçamento de 2026. Na segunda-feira (23), uma reunião extraordinária foi convocada para votar o parecer geral da matéria, mas o parlamentar adiou a votação para evitar que a oposição derrubasse a proposta.
Questionado pelo Jornal do Commercio sobre a mudança de postura, o deputado negou qualquer alteração. “Eu sempre busquei equilíbrio. Continuo na mesma linha de atuação”, afirmou.
Na última terça-feira, no entanto, Antônio pautou os vetos da governadora ao projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 em sessão com maioria de oposição, o que resultou em prejuízo para a governadora. O movimento foi interpretado como uma pressão do parlamentar para garantir as indicações do governo aos cargos nos grandes órgãos.
Por que esta quinta-feira importa
É Eduardo da Fonte quem vai presidir a federação União Progressista em Pernambuco, conforme alertou o presidente nacional do grupo, o senador Ciro Nogueira. Sem espaço confirmado na chapa de João Campos, cogita-se que ele possa buscar um retorno ao grupo da governadora, mesmo após ver a relação com a chefe do Executivo azedar por conta das conversas com o prefeito.
Sempre que é procurado, o deputado mantém a posição de que só anunciará uma decisão após a homologação da federação. Por isso, a cerimônia desta quinta-feira se torna um marco para as articulações locais, ainda que as chapas não precisem ser oficializadas neste mesmo dia.
E o que está em jogo não é apenas o alinhamento de palanques. A federação carrega consigo um extenso tempo de rádio e televisão, recurso que pode favorecer decisivamente os candidatos ligados à nova legenda. Esse é visto como um dos principais ativos de Da Fonte para tentar uma reaproximação com Raquel.
Nos bastidores, circula a avaliação de que não seria impossível ter Eduardo da Fonte e Miguel Coelho como candidatos ao Senado na mesma chapa de Raquel Lyra. Ao mesmo tempo, há a possibilidade do presidente estadual do PP ter que se contentar com a disputa pela reeleição na Câmara.
Além disso, a governadora também mantém o senador Fernando Dueire (MDB) no radar para disputar o Senado, embora ele também seja cotado para a vice-governadoria. Ainda se ventila que um nome de esquerda poderia aparecer no posto caso Raquel queira se afastar de uma chapa 100% direitsta. Ou seja, as possibilidades são muitas.
Disputa interna nacional
A dificuldade de entendimento entre União Brasil e PP sobre a eleição pernambucana foi alvo de um pedido de suspensão da federação, protocolada junto às executivas nacionais das legendas pelo deputado federal Mendonça Filho, aliado da governadora. O movimento resultou no apoio do União Brasil a Raquel.
Mas o desafio da federação não é exclusivo de Pernambuco. Em estados como Paraná e Mato Grosso do Sul, há conflitos entre PP e União Brasil que tornam a convivência dentro da federação especialmente difícil.
Os presidentes nacionais das siglas, Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, terão pela frente o desafio de costurar a unidade de uma federação que, em vários estados, possui divergências sob o mesmo teto, e com o relógio eleitoral já em movimento.
Redação com texto de Rodrgio Fernandes do Jornal do Commercio em 25/03/2026 Foto:Max Brito e Beto Oliveira/divulgação



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