Nonô e Claudionor Germano levam história do frevo às salas de aula
_Projeto vai passar por escolas da RMR e Zona da Mata, promovendo um resgate histórico sobre a importância cultural do ritmo._
O cantor e compositor recifense Nonô Germano celebra quatro décadas de trajetória artística com um projeto especial que transforma o frevo em conteúdo vivo dentro da escola. Em abril, ele realiza o “Concerto-aula: Frevo, origem e missão”, uma série de três aulas-espetáculo em instituições de ensino da rede pública de Pernambuco, unindo música, história e performance para apresentar às novas gerações o frevo e o legado de sua família, que há décadas faz desse ritmo um símbolo da identidade pernambucana. As aulas serão conduzidas por Nonô, na companhia do pai, o mestre Claudionor Germano, um dos expoentes do legítimo Frevo pernambucano.
As apresentações serão realizadas no dia 8 de abril, na Escola Estadual Luiz Alves Lacerda, no Cabo de Santo Agostinho; no dia 15, na Escola Dom Carlos Coelho, em Nazaré da Mata; e no dia 22, na Escola Técnica Estadual Dom Bosco, no Recife. Em cada encontro, alunos e professores serão convidados a mergulhar na história do frevo por meio da aula-espetáculo, que apresenta o gênero desde suas raízes nas ruas e nos clubes carnavalescos até sua consolidação como patrimônio cultural, em um formato dinâmico que mistura show, aula e conversa com o público.
Com quatro décadas de atuação, Nonô consolidou-se como uma das vozes mais presentes no Carnaval pernambucano, levando adiante a tradição herdada e, ao mesmo tempo, dialogando com novas linguagens e sonoridades para aproximar o frevo de crianças, adolescentes e jovens. No projeto “Concerto-aula: Frevo, origem e missão”, ele organiza essa experiência em um formato pedagógico e afetivo, pensado especialmente para o ambiente escolar.
“Esse é um sonho antigo que agora estamos colocando em prática. É um projeto de fundamental importância para a preservação e valorização do frevo. Particularmente, essa importância é multiplicada porque posso falar da origem e de toda a trajetória do frevo na companhia do meu pai, lembrando sempre dessa grande herança e da responsabilidade gigantesca de dar continuidade ao legado que ele está passando para mim. Tê-lo ao meu lado, dando vida a esse sonho que não é só meu, é dele também, é muito significativo”, ressalta o cantor e compositor Nonô Germano.
A proposta do projeto é ir além da apresentação musical: a cada música, Nonô contextualiza o período histórico, os compositores, o papel do frevo na formação da cultura pernambucana e as transformações do gênero ao longo do tempo. Dentro do projeto, o artista constrói uma narrativa que explica a origem do frevo, sua missão enquanto patrimônio cultural e sua importância como expressão de resistência, alegria e identidade. De forma lúdica e interativa, ele abre espaço para perguntas, convida os estudantes a cantar, bater palmas e participar, tornando o aprendizado sobre cultura popular uma experiência viva e próxima da realidade dos alunos.
Um dos momentos mais especiais das aulas-espetáculo é a participação do cantor, compositor e Mestre Claudionor Germano, pai de Nonô, considerado por muitos o maior intérprete de frevo de todos os tempos. Aos 92 anos, Claudionor segue em plena atividade, com uma carreira iniciada ainda na juventude, que o levou a se tornar a “voz do frevo” e um verdadeiro patrimônio vivo de Pernambuco. Ao lado do filho, no âmbito do projeto, ele compartilha histórias de bastidores, relembra parcerias com grandes maestros e compositores e demonstra, na prática, o poder do frevo como expressão artística e memória coletiva.
Ao cruzar a experiência do pai com a trajetória do filho, o projeto evidencia a força do frevo como herança passada de geração em geração, de pai para filho, e agora de artistas para estudantes. A presença de Nonô e Claudionor nas escolas reforça a ideia de que o frevo não pertence apenas ao período carnavalesco, mas faz parte do cotidiano, da formação cidadã e da construção da identidade cultural dos pernambucanos.
“O frevo é um patrimônio que precisamos valorizar não só no Carnaval, apesar de ser um ritmo essencialmente carnavalesco. É um ritmo para se tocar o ano inteiro, e temos que buscar cada vez mais caminhos para que ele esteja presente na vida não só do pernambucano, mas no cancioneiro brasileiro como um todo. A responsabilidade é grande, mas temos a certeza de que faremos uma grande aula-concerto, um pontapé inicial para levar o frevo o ano todo às escolas e a todo lugar que nos chamar”, pontou Nonô.
O projeto “Concerto-aula: Frevo, origem e missão” conta com o apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal e busca democratizar o acesso à cultura e aproximar o universo da música e da arte das comunidades escolares.
Redação com assessoria Foto: divulgação
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