No Recife, Polo Samba amplia acesso e visibilidade a artistas locais

Um palco amplo, em local extremamente arejado, à beira do estuário do rio Capibaribe, de fácil acesso, com banheiros femininos e masculinos, espaço para lounge e mais de dez bares. Essas são algumas das comodidades que os amantes do mais brasileiro dos ritmos podem desfrutar neste Carnaval 2026: o Polo Samba. A novidade está localizado na cabeceira da Ponte Giratória, local mais conhecido como Parador, área contígua ao Armazém 14 – as edições anteriores foram na Rua da Moeda.
A programação se estende até esta Terça-feira Gorda (17), com início dos shows sempre às 18h. Ao longo do período, 39 atrações passaram no palco, sendo 38 talentos locais como Aborto do Cavaco, Mesa de Samba Autoral, Grupo Terra, Gabi do Carmo, Gerlane Lops e Pagode do Didi, entre outros.
A mudança do palco visa não só promover maior visibilidade para o samba local, com maior infraestrutura, espaço para 2,4 mil pessoas no público, baterias de bares e banheiros, além de um palco bem maior: 16 x 11 metros. A transferência de local, ao mesmo tempo em que contempla sambistas de todos os locais da cidade, libera a Rua da Moeda para que passe a fazer parte do Circuito de Cultura Popular Leda Alves.
O Samba e o Recife
A relação do Recife com o samba é mais do que secular. A palavra samba aparece pela primeira vez no Recife, no jornal O Carapuceiro, ainda no Século XIX, mais precisamente no ano de 1938. Há registros de intercâmbios entre escolas de samba cariocas e recifenses desde a década de 1930, quando surgem as primeiras agremiações do gênero em Recife como a Limonil.
O Samba recifense recebe uma grande influência do carioca, trazida a partir do rádio e dos marinheiros que aqui chegavam. Em Pernambuco essas manifestações eram chamadas de “Turmas” de sambistas, que já desfilavam no final do Século XIX e que, depois, terminam se transformando em escolas de samba, sendo a primeira delas a Limonil, surgida no Bairro de Afogados em 1935, ano em que as escolas de samba do RJ também começam a se desenvolver.
A partir daí surgem muitas escolas de samba no Recife como a Gigante do Samba, a Galeria do Ritmo, a Pérola do Samba, Império do Asfalto, Unidos de São Carlos, Estudantes de São José, que fazem parte do Concurso de Agremiações, promovido pela PCR. Além das escolas, temos os grupos de sambistas e os blocos de samba, como a Turma do Saberé, que surgiu em 1958 no Bairro de São José.
A improvável ‘resistência’ ao samba – que não se comprova na prática ao se verificar a profícua produção e a quantidade de shows e eventos dedicados ao tema no Recife – é de cunho intelectual e elitista, preconceito exposto ainda na década de 1950, quando Mário Melo incita o primeiro boicote ao gênero ao não permitir que as escolas de samba se filiassem à Federação Carnavalesca, entidade criada em 1935 e da qual era dirigente. “Eles sentiam ou achavam que esse ritmo, essa forma de expressão, iria ameaçar o Frevo como tradição pernambucana e que isso faria com que tivéssemos um ‘estrangeirismo’ aqui. Mas na verdade ele se fortalece e possui presença muito forte no Recife e, diferente da escola de samba, temos muito forte a presença do samba de coco, do samba de roda, do coco de roda, com uma presença afro-brasileira muito forte e muitas vezes vinculada à religiosidade da Jurema, que tem poesia e dança específicas”, analisa a historiadora Carmem Lélis.
Para Carmem, o debate sobre o assunto termina por se esvaziar. “Se dizia que aqui é a terra do Frevo, quando a gente sabe que aqui é a terra do Brasil e de tudo o que o Brasil tem. É do Frevo, mas é do Maracatu, é do Caboclinho. É de tudo o que a gente tem e pode ter e, em todas essas relações, a gente vai ver que o samba está presente, porque tem o samba, como eu disse, de coco e, quando você vai para o Caboclinho, você vai ter um ritmo e uma marcação de pé que é muito forte. Então esse samba ele tem forte raiz pernambucana e recifense”, exemplifica.
Veja programação desta terça-feira 17/02/2026
17/02 – TERÇA-FEIRA
Escola de Samba Galeria do Ritmo
Mell Mocidade do Samba
Wellington do Pandeiro
Aborto do Cavaco
Mesa de Samba Autoral
Gracinha do Samba
Helena Cristina
Sambar & Love


