Albumina: medicamento da Hemobrás salva a vida de vítimas de queimaduras
Nos primeiros meses de 2024 o Brasil contabilizou 34.567 atendimentos ambulatoriais a vítimas de queimaduras; quase 5 mil internações se deram pela mesma causa. Registros do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que, em período das tradicionais festas juninas como o atual, com o aumento do uso de fogos de artifícios e o costume de acender fogueiras, a média mensal de pessoas queimadas tende a crescer, assim como os atendimentos hospitalares. Cerca de 90% dos atendimentos são feitos na rede pública de saúde, de acordo com a Sociedade Brasileira de Queimados (SBQ).
O que poucos sabem é que os atendimentos têm muito do trabalho da Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnológicos) na luta pela vida ou pelo conforto físico dos pacientes. Isso acontece durante o período de hospitalização prolongada, enfrentamento de cicatrizes, desfiguração corporal e para evitar incapacidade física. Como produtora de hemoderivados, a Hemobrás é fundamental na produção e distribuição de albumina, atendendo à parte da demanda por este medicamento e para outros, como casos de emergência em UTIs.
A albumina tem uso terapêutico e é obtida a partir do fracionamento industrial do plasma doado nos hemocentros por doadores voluntários. Somente em 2024, a Hemobrás já distribuiu para o SUS 68.213 frascos de albumina humana, um medicamento de alto custo. A previsão é que sejam distribuídos 413.523 frascos até dezembro. Em 2023, foram 126.934 frascos de Albumina Humana (a 20%). “Queremos cada vez mais ampliar o volume de hemoderivados para a população e estamos muito próximos dessa meta. Nossa principal missão, com a albumina e com outros medicamentos semelhantes, é garantir o direito à saúde e à cidadania plena”, diz a presidente da Hemobrás, a médica Ana Paula Menezes.
Desde a década de 1970, a albumina é usada de forma rotineira no tratamento dos queimados no país, segundo informa nota técnica do Ministério da Saúde. O protocolo para queimados prevê a infusão do medicamento, em ambiente hospitalar, a cada 24h ou 48h, com o objetivo de manter a estabilidade do paciente e a pressão da célula viva no plasma (chamada de pressão osmótica). As queimaduras são lesões na pele ou em outro tecido orgânico; geralmente são causadas pelo calor, radiação, eletricidade ou radioatividade, assim como por produtos químicos. Elas geram perdas de proteínas e outros líquidos, por isso precisam ser repostas para que o paciente se restabeleça. Proteína presente em grande concentração do plasma (componente do sangue humano), a albumina é capaz de compensar perdas abundantes de proteínas em um corpo – em quadro que costuma ser observado sobretudo em queimados graves
Especialista com mais de 40 anos de atuação e diretor do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital da Restauração, em Recife (PE), o médico Marcos Barreto é um entusiasta da albumina, medicamento com o qual já tratou milhares de pessoas. “A albumina é essencial para nós para a redução do edema provocado pelas queimaduras e para a regeneração de algumas áreas”, explica ele. A substância consegue promover a regeneração dos tecidos de forma rápida e por isso é tão empregada no protocolo. “A gente precisa tentar de tudo para evitar que a situação do paciente se agrave, e a resposta da albumina é muito rápida”, diz Marcos Barreto, que destaca o fato de o hemoderivado estar mais disponível para os brasileiros, em comparação com décadas anteriores.
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