Luta pelo voto evangélico leva até candidatos católicos a  elaborar “Carta ao Povo de Deus”

 

 

No censo de 2010 – o último realizado – o IBGE constatou que 63,84% dos pernambucanos são católicos, 32,3% evangélicos e os demais seguem outras religiões ou sedeclaram ateus. Com base nisso, tem crescido, cada vez mais,a representação evangélica nas casas legislativas e este ano um dos candidatos a governador – o ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira – é evangélico, coisa inédita no estado. Mas, apesar disso, os demais candidatos têm ido à luta pelo voto dos “crentes”. O argumento é basilar: ao contrário da Igreja católica que pouco se envolve com a política, deixando os fiéis escolher como quiserem, os pastores estão no centro dos debates, têm candidatos proporcionais eleitos com sua ajuda, e conseguiram tornar o voto evangélico muito mais valioso.

Mas, apesar de Anderson ser um nome em que a maioria dos “ crentes” vai votar, os fiéis estão divididos este ano, segundo dois deputados estaduais, de denominações diferentes, ouvidos ontem por este blog e que pediram para não ser identificados. Um deles afirma que hoje “na Região Metropolitana, de cinco fiéis evangélicos que tenho ouvido, três estão com Anderson, um com Marília e um com Miguel Coelho”. O outro confessa que essa divisão obrigou a direção da Marcha para Jesus, que se realiza este sábado no Recife com a presença do presidente Bolsonaro, a proibir manifestações políticas no evento: “o único candidato que vai falar é Bolsonaro. Se fosse abrir para os candidatos a governador e a deputado a confusão seria generalizada”.

Mas, nos bastidores, a busca dos candidatos majoritários pelo voto evangélico vai continuar. Os cinco principais postulantes ao Governo – Anderson Ferreira, Danilo Cabral, Marília Arraes, Miguel Coelho e  Raquel Lyra – já estiveram em cultos tanto no Grande Recife como no interior, e vão continuar indo até o dia da eleição. Outros mais ousados, como Miguel Coelho, que é católico praticante, chegou a surpreender esta semana ao divulgar uma “Carta ao Povo de Deus” entregue, em primeiro lugar, ao pastor Ailton, líder da Assembleia de Deus. Na carta, ele se compromete com a pauta de costumes dos cristãos, declarando-se “contra o aborto e a legalização das drogas”. Também se diz  “na defesa firme da liberdade de culto e exercício da fé”.

Valor sagrado

Ao entregar o documento que, segundo afirmou, vai ser levado a todas as Igrejas cristãs, Miguel disse que se propõe a “reforçar os direitos do povo cristão”, incluindo católicos e evangélicos. Frequentador da missa todos os domingos ele acrescenta : “sou cristão católico, tenho uma família linda e acredito que a fé tem um valor sagrado”, mesmas palavras que usou em visita que fez na semana anterior ao arcebispo de Olinda e Recife., Dom Fernando Saburido ao qual vai enviar a mesma carta entregue inicialmente ao pastor da Assembleia.

Anderson tranquilo 

Um dos coordenadores da candidatura de Anderson a governador, o deputado federal André Ferreira, diz que ele está muito bem entre os evangélicos e na hora do voto “todos sem dúvida vão lembrar que, além de evangélico militante, ele tem compromisso com a pauta de costumes desde criança e foi o autor do Estatuto da Família, aprovado na Câmara Federal”. Entende que isso vai fazer a diferença em relação a outros postulantes ao  Governo, embora entenda que é natural o apoio também a outros nomes.

 Bolsonaro de volta

O ex-presidente Jair Bolsonaro voltará a Pernambuco este sábado para uma motociata e para participar da Marcha para Jesus, onde fará pronunciamento. A Motociata deve sair da base aérea com destino à avenida Boa Viagem, onde acontece o evento. Está previsto também um almoço do presidente com 800 pastores na Faculdade Universo.

Vai sextar para Danilo

Esta sexta-feira será o dia D da campanha do candidato a governador Danilo Cabral. A partir das 14 horas a Frente Popular promete fazer um grande ato-convenção para homologar a candidatura dele a governador ao lado de Luciana Santos, sua vice e de Teresa Leitão, candidata ao senado. Teresa promete estar toda de vermelho, a cor do seu partido, o PT. Segundo ela o vermelhidão da convenção de Marília Arraes não era constituído somente de petistas. “Tinha alguns petistas sim mas não na quantidade que deixaram a entender. Foi feito um apelo nas redes sociais para que todos fossem vermelho”.

Fotos: Divulgação

E-mail: terezinhanunescosta@gmail.com

 

 

Compartilhar