Notícias,  Política

Governadora diz que não trabalha com a possibilidade da LOA não ser votada ainda este ano e crê em acordo com Alepe

Indagada esta terça-feira sobre o que pode acontecer com o funcionamento do Estado caso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) não seja aprovada antes do final do ano, a governadora Raquel Lyra afirmou: “não trabalho com esta hipótese”, destacando que acredita no consenso entre os Poderes Legislativo e Executivo – “os deputados estão trabalhando nesse sentido e no cumprimento dos prazos regimentais”. Ela destacou que “Pernambuco nunca atravessou uma situação parecida de começar o ano sem orçamento e sem justificativa para tal. Precisamos encerrar este ano e começar o próximo com tranquilidade para governar. Temos projetos a serem votados na Assembléia de extrema relevância para o estado, todos são essenciais incluindo o pedido de um empréstimo de R$ 1,7 bi que tramita há 180 dias. Fui presidente da Comissão de Justiça na Assembleia e os empréstimos eram aprovados em cinco dias com o apoio das bancadas do Governo e da Oposição”.

Ela não quis se alongar sobre o mal que a falta da LOA pode provocar inclusive com atraso no pagamento dos servidores públicos. Este domingo o presidente da Assembleia disse que a LOA pode não ser votada antes do recesso assim como o empréstimo. Falou que a LOA pode esperar para fevereiro e que o empréstimo não tem urgência pois não diz respeito ao orçamento deste ano. “Tenho direito de governar, o povo me escolhei para isso”- reagiu a governadora em entrevista aos Blogs do estado – e acrescentou: “Eleição se disputa na época de eleição. Travar o estado hoje por uma disputa que ainda vai se dar no ano que vem é penalizar Pernambuco e o seu povo. E nós não estamos pedindo muito, apenas que se coloque os projetos para deliberação pelo plenário”. ( A pauta do plenário é definida pelo presidente da Alepe e é de livre arbítrio dele).   

R$ 48 bi de Investimentos públicos e privados

Na entrevista ela destacou o fato do estado ser hoje o que mais emprega com carteira assinada no Nordeste e explicou isso com os investimentos públicos e privados que estão sendo feitos neste momento. “O estado está investindo R$ 5 bi este ano, vai investir R$ 7,5 bi em 2026, o maior aporte de recursos nessa rubrica dos últimos 15 anos. Vêm aí R$ 20 bi de investimentos com  a concessão da Compesa de cujo leilão vão participar cerca de 40 empresas e R$ 35 bilhões estão garantidos de investimentos pelas empresas privadas, isso sem falar nos investimentos federais, incluindo a Refinaria Abreu e Lima que já está empregando 6 mil pessoas e vai chegar aos 15 mil empregos.

Indagada se a partir de 2027 o estado ainda vai ter condições de contrair novos empréstimos ela disse que sim mas explicou que o crescimento do estado não vem só de empréstimos, embora eles sejam essenciais para alavancar os investimentos privados e garantir infraestrutura e redução das desigualdades sociais, mas do fato desses investimentos gerarem oportunidades. “Quando falo que é preciso aprovar os empréstimos já garantidos agora é porque o estado tem pressa para se preparar para a reforma tributária que vai acabar os incentivos fiscais. Não podemos perder mais tempo. Ficamos muitos anos atrás dos estados nordestinos em investimento e precisamos voltar a liderar”.

“Não quero que me enxerguem como  vitimizada”

Ela fez um balanço completo do que tem feito em todas as áreas, mostrou confiança nos avanços cada vez maiores na área de segurança e falou que a violência contra a mulher deve ser combatida por toda a sociedade,  embora caiba ao Poder Público garantir acolhimento para que as mulheres denunciem esses crimes e sejam protegidas: “um feminicídio não começa com uma facada ou um tiro. Começa pelas pequenas violências. O estado está investimento forte no acolhimento dessas mulheres com novas casas de acolhimento, assistência psicológica e ajuda para que essas mulheres possam progredir no mercado de trabalho”.

Lincou a situação delas com o que as mulheres enfrentam de preconceito na sociedade, ao ser indagada como se sente uma governadora que é mulher. “Se critica muito mais uma mulher que é governadora por exemplo, do que se critica um homem. As críticas são naturais mas não se pode exagerar só porque você é mulher. Sinto como se quisessem abreviar meu mandato para que um homem possa governar. Quando falo sobre isso não é sobre mim mas por todas as mulheres. Falar sobre o que enfrentamos abre portas para outras mulheres fazerem o mesmo. Não quero que me enxerguem como alguém vitimazada. Sou forte para aguentar mas não falar sobre isso é silenciar as outras mulheres.”

Redação Blogdellas Foto: divulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br/terezinhanunescosta@gmail.com

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.