Teve até vivas ao Hamas no debate da UFPE

 

Foto: Priscila Mello (DP)

Os debates entre candidatos a cargos majoritários no Brasil definitivamente saíram da caixinha nestas eleições, ensejando uma necessidade de reformulação completa da prática. Por não saber lidar com nomes catapultados pelas redes sociais e filiados a partido sem qualquer representação política, como é o caso de Pablo Marçal, em São Paulo, que conseguiu transformar um espaço para apresentação de idéias em uma verdadeira rinha – com a colaboração do descompensado Datena – aqui no Recife o debate entre os candidatos a prefeito da capital, organizado pela UFPE com a presença de candidatos cujos partidos não estão presentes nem na Câmara de Vereadores, levou o representante do PCO, Victor Assis, a gritar ao microfone um “ Viva o Hamas e os povos oprimidos” e a candidata da UP Ludmilla Outtes a afirmar que se eleita o orçamento ficaria cargo de comitês populares.

A história dos debates no Recife tem aspectos inusitados como o do então candidato a prefeito Marcos Cunha(MDB) que em pleno ar se retirou de um debate na TV Jornal insatisfeito com uma crítica que recebera. Mas nunca se viu coisa semelhante ao que acontece em São Paulo e ao que ocorreu na UFPE. Em geral as emissoras e entidades são obrigadas a convidar todos os candidatos com representatividade ou não para participar de encontros semelhantes mas a Justiça Eleitoral tem permitido, por exemplo, que se abram critérios como o de convidar apenas aqueles cujos partidos têm representantes no Congresso.

Tivesse, como acontece agora em Pernambuco, as emissoras de São Paulo usado esse critério, e Marçal, cujo partido, o PRTB, não tem um deputado federal sequer, ia continuar fazendo sua campanha nas redes sociais. Mas, não, sentou-se ao lado dos demais representantes de partidos que suaram para construir bancadas e que têm contas a prestar às suas legendas e colocou todo mundo no bolso. Sem compromisso com ninguém, a não ser com a anarquia amada por seus seguidores, bloqueou a discussão de idéias e agora estão todos com receio de que ele vença a eleição. Esta semana interrompeu um jornalista em pleno ar e o chamou de mentiroso sem qualquer razão.

Chico José, o xerife

Um dos melhores mediadores de debates em Pernambuco na época das intrigas entre Arena e MDB e posteriormente entre PMDB e PFL foi Francisco José, da TV Globo. Com grande moral e sem ligar para ser chamado de chato nos bastidores, como aconteceu algumas vezes, cortava a palavra de candidatos que tentavam baixar o nível ou que simplesmente fugiam das perguntas formuladas pelos adversários. Muito diferente do coordenador do debate da TV Cultura no qual houve o embate entre Marçal e Datena. Ao ver a cadeirada que Marçal levou ele apareceu ofegante ao microfone, olhos esbugalhados, pedindo comerciais e saiu correndo.

Debate no Sistema Jornal do Commércio

Neste primeiro turno só duas emissoras se comprometeram a realizar debates no Recife. A TV Jornal e a TV Globo. O da Jornal será dia 1 de outubro e o da Globo dia 3 de outubro. O critério adotado é o de permitir a participação a candidatos cujos partidos têm representação no Congresso que são os seguintes: o prefeito João Campos, candidato à reeleição, Daniel Coelho, do PSD; Gilson Machado, do PL; Dani Portela, do PSOL e Técio Telles,
do Novo.

Depois do que aconteceu em São Paulo como serão os debates nas próximas eleições?

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