PT muda tática eleitoral e agora quer ser ouvido também sobre candidatos ao Senado

              

Acostumado a apoiar candidatos a governador e não ser ouvido sobre os vices e senadores, o PT de Pernambuco mudou de posição em relação à eleição de 2026. Agora quer apoiar um candidato a governador que esteja alinhado com o presidente Lula e seu projeto para o país mas também deseja saber, antes de resolver subir no palanque, se o candidato a vice faz parte da mesma linha definida pela legenda, bem como o segundo candidato ao Senado que será companheiro do senador Humberto Costa.
                    
-“Nossa prioridade é Humberto, mas se o outro candidato ao Senado e o vice não tiverem o mesmo compromisso com Lula, na campanha pela reeleição e no futuro Governo, não é conveniente para nós”- adiantou. Essa declaração dada a este blog pelo presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, coincide com comentários que têm sido frequentes nos meios políticos de que os petistas já teriam feito chegar ao prefeito João Campos que, para celebrar uma aliança, querem ter voz nas demais definições e prefere uma candidatura mais alinhada a Lula do que a do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, pela vinculação da família Coelho com o bolsonarismo.
                   
Foi sabendo dessa restrição que o ministro Sílvio Costa Filho se auto intitulou  “senador de Lula” e ganhou novos ares na sua disposição para compor a chapa de João Campos, deixando claro, como falou no programa Passando a Limpo da Rádio Jornal do Commércio, que é candidato de Lula, sublinhando: “ e João sabe disso”.
                    
Sobre a questão da vice ainda hoje está atravessada na garganta dos petistas a disputa pela eleição de 2024 quando a sigla apresentou a João Campos o nome do médico Mozart Sales, ex-vereador do Recife, para compor a majoritária e não foi atendida. O prefeito decidiu desincompatibilizar quatro secretários municipais, anunciou que um deles seria seu vice  e terminou escolhendo Victor Marques, seu amigo de infância e de colégio, filiado de última hora ao PCdoB.

Prejuízo eleitoral
                    
Se realmente vingar a restrição a Miguel Coelho, o prefeito terá  um prejuízo político considerável. Além de ser bem visto pela população, sobretudo do sertão, Miguel passou a ser uma esperança para João Campos de ganhar o tempo de televisão da Federação União Progressista, que juntou o PP e o União Brasil, tem a maior bancada federal do país e com ela o maior tempo de propaganda eleitoral. Está certo que para confirmar isso será preciso enfrentar, o que não é fácil,  os planos do deputado federal Eduardo da Fonte, que também é pré-candidato ao Senado e é quem preside a Federação no estado e cujo partido, o PP, está na base da governadora Raquel Lyra.

Dudu na estrada

Por falar em Eduardo da Fonte, esta quinta-feira ele reuniu no Recife sua bancada  na Assembleia, acrescida dos deputados Franz Hacker, do PSB e Romero Sales, do União Brasil, que vão se filiar ao PP em abril, para discutir as estratégias de atuação na Assembleia Legislativa e  na campanha eleitoral, que está antecipada. No encontro também se falou sobre a campanha para o Senado do próprio Eduardo, que deve ganhar corpo público após o carnaval.

Raquel e os portos

A governadora Raquel Lyra dedicará o dia desta sexta-feira aos portos de Suape e do Recife. No de Suape ela faz a entrega pela manhã, ao lado do ministro Sílvio Costa Filho, da obra de dragagem do canal interno que recebeu investimentos de R$217 milhões. À tarde, ela autoriza, no Porto do Recife, as obras de dragagem dos canais interno e externo com investimento de R$ 100 milhões.

O ministro Sílvio Costa Filho vai ocupar o lugar de Miguel Coelho na chapa do prefeito João Campos?

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