PSB termina a eleição sem governadores, com apenas 3 senadores e 15 federais

O Partido Socialista Brasileiro (PSB), fundado em 1947 e que teve como seus principais expoentes em Pernambuco Pelópidas Silveira, Miguel Arraes, Eduardo Campos e, neste momento, o ex-prefeito João Campos, saiu desta eleição de 2026 menor do que entrou. O partido elegeu em 2018 três governadores, um deles, Paulo Câmara, concluiu seu mandato em 2022, e os outros, João Azevedo, da Paraíba, e Renato Casa Grande, do Espírito Santo, foram reeleitos mas não fizeram sucessores do mesmo partido este ano. Restava a esperança de que João Campos, que é presidente nacional da legenda, conquistasse o Governo de Pernambuco mas com sua derrota a legenda não governará nenhum estado em 2027.
A força eleitoral de João Campos, que terminou a eleição com 44,82% dos votos, ainda permitiu que o PSB elegesse uma bancada de 9 deputados estaduais ( cinco a menos do que tinha) e quatro federais, mesmo número da bancada anterior, mas a base municipal encolheu. Em 2024 a legenda elegeu 31 prefeitos no estado mas no momento tem apenas 19, um deles Victor Marques, o prefeito da capital que assumiu o cargo em abril quando Campos renunciou para disputar o Governo. O PSD, da governadora Raquel Lyra.
A nível nacional, o PSB, que passou a depender do PT, torce para que o presidente Lula seja eleito, garantindo a presença do vice Geraldo Alckmin, que se filiou ao partido há quatro anos, na linha de frente da política nacional mas, se isso não acontecer, vai ficar difícil a manutenção de um protagonismo socialista além das fronteiras de Pernambuco. Nesse sentido, resta a João tentar reeleger Victor Marques para recuperar terreno na capital e se candidatar a governador em 2030, no término do mandato da governadora Raquel Lyra.
Devagar com o andor
O que teria levado o PSB a encolher no país? O primeiro motivo foi o falecimento precoce do governador Eduardo Campos em 2014, quando se preparava para disputar a presidência da República sucedendo o presidente Lula que tinha como candidata a ex-ministra Dilma Rousseff. Como seus filhos eram muito jovens coube ao advogado pernambucano Carlos Siqueira, que nunca disputou mandatos, o comando da legenda. Sem voo próprio, Siqueira voltou a se aliar ao PT, aparando as arestas criadas por Eduardo através de sua própria candidatura, mas levando a legenda a ser um apêndice petista, um verdadeiro campo minado.
Escaramuças
Não durou muito tempo e João Campos, que teve uma votação consagradora para deputado federal em 2018, disputou a venceu a eleição para prefeito do Recife em 2020 quando enfrentou o PT que lançara candidata Marília Arraes, sua prima. Nesse período João fez duras críticas ao PT que até hoje são exploradas politicamente, como aconteceu agora em 2026. Sua candidatura a governador de Pernambuco este ano se deveu ao fato dele ter sido reeleito prefeito do Recife em 2024 com 78% dos votos válidos. Foi aconselhado até por familiares a esperar por 2030 pois não seria fácil derrotar Raquel Lyra, bem avaliada e com muitas entregas. Mas ele não ouviu ninguém, topou a parada e acabou responsável pelo aumento do revés partidário.
Surpresas eleitorais
Além dos deputados que não conseguiram se eleger este ano, algumas surpresas foram observadas na eleição proporcional. O deputado estadual Jarbas Filho(PSD) teve mais de 10 mil votos (20% de sua votação total) no município de Buique, no agreste meridional que tem 52.097 habitantes segundo o IBGE e 42 mil eleitores. Já o deputado estadual Antonio Moraes teve 7.757 votos em Timbaúba, município com 46 mil eleitores situado na Mata Norte e sem contar com o apoio do atual prefeito Marinaldo Rosendo.

Em 2030, o PT apoiará João Campos para governador ou lançará candidatura própria?
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