PP vive clima de pré-rebelião interna e pode perder até seis dos seus oito deputados na Alepe

Prestes a se tornar o maior partido em representação na Assembleia – a previsão era de que até o dia 04 de abril, quando encerra a janela partidária, teria uma bancada de 11 parlamentares – o Partido Progressista transformou-se num verdadeiro barril de pólvora e pode vir a perder de quatro a seis dos seus atuais deputados, caso o deputado federal Eduardo da Fonte, que comanda a legenda no estado, confirme as especulações que rondam o meio político há 10 dias de que teria fechado um acordo para ser candidato ao Senado na chapa do prefeito do Recife, João Campos.
Em contato com os deputados do PP nos três últimos dias este blog ouviu de quatro deles que deixarão a legenda se isso se confirmar e dois ainda têm dúvidas, mas não descartam essa possibilidade. “Todos os prefeitos que me apoiam estão com Raquel. Como eu posso, a esta altura, mudar de candidato? Seria o mesmo que correr o risco de perder a eleição “- afirmou um deles pedindo anonimato e ainda acreditando que Dudu da Fonte não fará isso.
As baixas no PP, porém, podem não ficar restritas aos atuais deputados da legenda. Pelo menos dois deputados que se comprometeram a se filiar ao partido já não confirmam mais isso. Um deles, France Hacker, que está deixando o PSB e se filiaria ao Progressistas até o final do mês, disse que só terá definição depois do dia 15. Hacker é um dos mais entusiasmados com a candidatura à reeleição da governadora e tem grande influência na Mata Sul com o apoio de muitos prefeitos. A situação do PP dominou as conversas nos corredores, nos gabinetes e no plenário da Alepe no dia de ontem. O que mais causava estranheza era a informação dos próprios deputados do PP de que estão sem contato com Eduardo da Fonte há mais de uma semana e que até para marcar audiências com ele têm recorrido a seu filho, o também deputado federal Lula da Fonte.
O silêncio de Dudu
Na verdade, toda essa celeuma foi criada depois que Eduardo da Fonte deixou claro até no Palácio do Campo das Princesas que pretendia ter como companheiro de chapa o senador Humberto Costa – na época ele defendia que Raquel se entendesse com o PT nesse sentido. Sua tese era a de que, junto com Humberto, conseguiria votos à esquerda suficientes para completar a votação que teria no meio conservador. Depois, o próprio João Campos comunicou ao PT, no Recife, em Brasília, que Dudu seria o segundo nome de sua chapa. Disse que desejava atrair a Federação União Progressista e este era o caminho.
O tempo de Raquel
À governadora Raquel Lyra, Eduardo da Fonte pediu um prazo até 4 de abril para se definir o que foi visto pelo Palácio como um sintoma de que ele iria deixar passar a janela partidária com toda sua bancada intacta e só anunciaria apoio a João Campos depois desse prazo. Desconfiada da manobra, Raquel exigiu uma nota oficial de apoio, o que acabou sendo divulgado não por interesse do deputado, mas por pressão da bancada estadual e dos prefeitos. Embora tenha soltado a nota, no mesmo dia, Dudu informou a um blog que seu prazo era mesmo 4 de abril.
Portas fechadas
Quem conversa hoje com a governadora, segundo apurou este blog, sai com a impressão de que no momento as portas estão fechadas para Eduardo da Fonte. Um dos sintomas práticos têm sido as conversas dela própria ou de auxiliares com os deputados estaduais do PP onde têm sido feito convites aos mesmos para se filiar ao PSD. Eduardo da Fonte tem condições de resistir a esse nível de pressão? Só o tempo dirá, mas como dizia Roberto Magalhães “ninguém governa governador”.
Assessor de Raquel no PSDB
O novo presidente do PSDB de Pernambuco é Rubens Júnior, assessor da Copergás e muito ligado a governadora Raquel Lyra. Antes dele a presidente era a vice-governadora Priscila Krause mas depois que ela se filiou ao PSD, o presidente da Alepe, Álvaro Porto, assumiu a legenda no estado prometendo eleger deputados federais e estaduais. Com essa conquista do seu antigo partido, Raquel garantiu um novo deputado federal ao PSDB, o pastor Eurico , que saiu do PL.

Como ficará mesmo a bancada do PP se Eduardo da Fonte confirmar apoio ao prefeito João Campos?
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