Os caminhos próprios de Raquel que magoaram João Campos

 

A governadora Raquel Lyra, como este blog havia antecipado, atendeu ao pedido do prefeito João Campos e liberou a permanência na Prefeitura do Recife dos secretários municipais que são funcionários do estado e teriam, por decisão do executivo estadual, até o dia 31 de janeiro para regressar aos órgãos de origem. A medida, que chegou a ter a interferência do Tribunal de Contas para evitar a volta dos servidores no meio do ano, estendendo o período de permanência ao fim do primeiro mandato do prefeito, acarretou em desgaste da imagem de Raquel não só junto aos prefeitos – a medida foi geral – mas à própria opinião pública que interpretou o gesto como desnecessário e – no caso do Recife – como uma forma de atingir um adversário.

Quando chegou ao encontro que a governadora promoveu com os prefeitos neste final de ano, Campos disse à imprensa que não esperava recursos do Governo do Estado pois a chefe do executivo tinha muitos municípios mais pobres para atender, mas afirmou, sem maiores explicações, que o Recife precisava ser tratado com respeito: “tudo que eu faço na minha vida é com muito respeito, inclusive a coisa pública, a institucionalidade, e eu espero ser tratado dessa forma também”- afirmou. Este blog apurou que ele se referia de forma específica à questão dos secretários que o Palácio mandou chamar de volta sem nenhuma negociação, fugindo ao que já era tradição em Pernambuco até agora no que se refere a cessão de servidores do estado para os municípios e vice-versa.

Este domingo, quando, finalmente, revelou a permanência do secretário da educação Fred Amâncio – um dos cedidos pelo Estado – em sua nova equipe, passando em seguida a soltar outros nomes, o prefeito celebrou a indicação chamando o auxiliar de “melhor secretário de educação do Brasil”, o que foi interpretado no meio político como uma tapa de luva no Palácio. Amâncio foi secretário de educação do Governo Paulo Câmara e é um dos mais qualificados dos quadros do PSB. Havia necessidade da governadora passar por este desgaste? É o que se perguntam deputados da base governista na Assembleia que não entenderam o gesto. Raquel, no momento em que tomou a iniciativa de mandar voltar os funcionários cedidos explicou que o estado havia liberado muitos servidores ao longo dos anos e eles faziam falta.

Cessão de servidores: um abuso?

A cessão de servidores públicos entre poderes é muito antiga no Brasil. Inicialmente englobava só o Poder Executivo – Federal, Estadual e Municipal – mas hoje é prática comum também no Legislativo e Judiciário. Há servidores que  há anos estão cedidos, tendo a cada ano que renovar a permanência no novo órgão. Para evitar prejuízos, as cessões passaram a incluir a responsabilidade do órgão que solicita o funcionário pelo pagamento do seu salário mas, como afirmou a governadora, o poder que cede acaba perdendo uma mão de obra qualificada para outro ente da federação. O único problema no ato de Raquel que gerou críticas foi o fato de atingir secretários, pessoas de confiança dos prefeitos e considerados importantes para os municípios. Coisa que, pelo visto, ela está corrigindo.

Água na zona oeste do Recife

O Governo do Estado entrega esta segunda-feira a obra de ampliação do abastecimento d’água da Comunidade da Horta, no Curado, zona oeste do Recife. A intervenção vai  beneficiar milhares de pessoas que estavam submetidas a um rodízio preocupante, ficando até meses com as torneiras vazias. O mesmo sistema está sendo implantado na zona norte do Recife, beneficiando os morros da Grande Casa Amarela. A governadora vai inaugurar o sistema às 14h30m.

Agora que os secretários foram preservados do chamamento da governadora Raquel Lyra, quantos funcionários estaduais vão retornar a seus órgãos de origem a partir de 1º de janeiro?

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