Isenção de IPVA para motos de até 170 cilindradas e até carros de aplicativos vira novo embate entre Governo e Oposição na Alepe

 

Deputado Antônio Coelho presidente da Comissão de Finanças da Alepe comanda audiência pública

Incentivados por uma PEC por eles mesmos aprovada em 2023, que permite aos deputados legislar em matéria financeira e tributária, parlamentares de diversos partidos- a quase totalidade de oposição – deram entrada a 12 projetos de isenção de IPVA na Assembleia que acabaram aprovados na Comissão de Justiça dando isenção do imposto para motos de até 170 cilindradas, veículos de aplicativos e com mais de 15 anos de uso, professores ativos e inativos e outras categorias. Em campo minado pelas relações conflituosas entre o Palácio das Princesas e a Alepe, o assunto caminha para um novo embate entre Governo e oposição.
             
Foi este o clima presenciado por quem assistiu esta quarta-feira a uma audiência pública da Comissão de Finanças, presidida pelo deputado estadual de oposição Antonio Coelho e de maioria oposicionista, para analisar o assunto e que, apesar da fala do presidente  da Amupe, Marcelo Gouveia, que acusou uma perda anual de R$ 250 milhões para os municípios caso os projetos sejam aprovados sem que haja uma compensação financeira, terminou com o deputado  Antonio Coelho anunciando que nos próximos dias eles vão ser votados no plenário.
               
Nem mesmo a manifestação na audiência da secretária executiva da Fazenda, Cindy Ferreira, que representou o Governo no encontro, afirmando que a governadora já reduziu de 4% para 2% a alíquota de IPVA, diminuiu para 1,5% para motos e veículos híbridos e deu isenção para os elétricos, além de ter parcelado o pagamento em 10 vezes, adiantou. Ela falou ainda que a isenção necessita de compensação, seja aumentando tributos de outros grupos ou reduzindo despesas. A resposta dos representantes dos sindicatos das categorias que serão beneficiadas alegaram que o estado e municípios poderiam ser compensados pelos impostos indiretos já que o movimento desses veículos gera renda que acaba aumentando a arrecadação de impostos.

Moraes: “começou errado”
          
O deputado estadual Antonio Moraes, que é da comissão de Justiça e foi voto vencido no colegiado, disse a este blog que os projetos em pauta “começaram errados”. Explicou que “ninguém pode, nem mesmo parlamentar, decidir reduzir impostos sem apresentar uma saída para renúncia fiscal respectiva”.  E adiantou: “se a comissão de finanças não previu isso terá que fazê-lo”.  Ele ainda ironizou: “acho que o PSB, da forma como está se comportando, está prevendo a derrota de João Campos na eleição e já criando dificuldades para a governadora a partir de 2027”. O presidente da Amupe afirmou na audiência que os recursos do IPVA que os municípios -sobretudo os menores – recebem são destinados à saúde, educação e outros serviços que a Prefeitura tem que prestar, incluindo recolhimento do lixo, e exemplificou: “para cada R$ 1,00 que se tira via isenção será R$ 1,00 a menos na educação, na saúde. Vocês concordam com isso?” Ficou sem resposta.

Governo contra e oposição a favor

O Governo do estado é contrário a esses projetos e sua bancada, que não foi à audiência, pode derrubá-los em plenário, como aconteceu outras vezes. A secretária executiva da fazenda lembrou que a LOA – Lei Orçamentária Anual –  que se encontra em análise na Alepe e define o Orçamento de 2026, incluindo os gastos previstos e a receita a ser arrecadada, não previu essas isenções e que, portanto, se elas vierem a ocorrer só valerão para o ano seguinte. Antonio Coelho rebateu dizendo que como a votação está prevista para a próxima semana, a LOA, ainda não apreciada, está em aberto e pode ser modificada.

A oposição na Alepe que encheu o auditório Sérgio Guerra com mototaxistas e motoristas de aplicativo durante a audiência pública vai repetir o gesto quando o assunto for a plenário, constrangendo a base do Governo?

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