Entre a razão e o coração governadora Raquel Lyra começa a definir chapa para o Senado

 

Conhecido pela espirituosidade, o ex-deputado estadual Sebastião Oliveira deu um palpite em entrevista recente à TV Nova sobre a provável composição da chapa da governadora Raquel Lyra para o Senado. Segundo ele,  Raquel estaria entre o coração e a razão. Se fosse escolher a chapa do coração optaria pelo senador Fernando Dueire e pelo deputado federal Túlio Gadelha mas, se fosse agir com a razão, escolheria Túlio Gadelha e o deputado federal Eduardo da Fonte para garantir a presença em seu palanque da Federação União Progressista. Sebastião que só este ano passou a fazer parte da base da governadora como presidente do partido Avante adiantou que não tinha uma aproximação maior com ela para saber o que ela pensava do assunto mas apenas dando uma opinião.

Muito segura no que diz a seus interlocutores sobre questões políticas – costuma falar só depois da decisão tomada –  a governadora acabou dizendo pouco em entrevista à CNN esta segunda-feira quando indagada sobre os senadores. Explicou que tem até o dia da convenção partidária para se definir mas soltou os nomes de Túlio Gadelha e Miguel Coelho para agradecer a presença dos mesmos em sua caminhada, no que foi imediatamente interpretado como sua preferência pessoal, embora um de seus assessores mais próximos tenha alegado a este blog que se tratou mais de um ato falho, expressão definida por Freud como “um desejo ou pensamento inconsciente”.

Seja lá o que levou Raquel a citar o nome dos dois, a verdade é que o fato de ter dado a entrevista um dia depois de um encontro no Palácio com o deputado federal Eduardo da Fonte acabou sendo interpretado como uma maneira de dizer que, como a vaga de Túlio já está  garantida na chapa, se tivesse que escolher o nome da Federação, que congrega dois partidos, o PP e o União Brasil, seria o de Miguel Coelho. Problema é que Eduardo da Fonte já revelou que é candidato, tem o comando da Executiva estadual da Federação e o apoio da nacional para ganhar a queda de braço com Miguel. Presidente estadual do União Brasil, Miguel que só tem o controle de dois dos sete votos da Executiva Estadual, os demais são do PP de Eduardo da Fonte.

Sem passar recibo mas resmungando

Embora tendo revelado a pessoas próximas que comunicou a Raquel  sua decisão de concorrer ao Senado não passou recibo da citação do nome de Miguel Coelho na entrevista mas deixou que seus deputados, em off, manifestassem à imprensa preocupação com o ocorrido. Um deles conversou com este blog e adiantou: “ na política não se age com emoção mas com a razão e tenho certeza que a governadora vai receber bem a decisão que a Federação tomar”. Quem também não se manifestou foi o senador Fernando Dueire ao qual a governadora se refere como “meu senador” e que tem andado com ela por todo o estado. A cobrança foi feita pelo deputado federal Sebastião Oliveira : “achei estranho ela não citar Dueire que é candidato natural ao Senado, tem apoio de mais de 100 prefeitos e a tem ajudado muito”.

Razões sobre as escolhas

No que se refere à Federação União Progressista, que tem como postulantes Eduardo e Miguel,  a governadora não gostou da atitude de Eduardo depois que chegou ao seu conhecimento que ele teria procurado João Campos para sugerir acordo sobre o Senado. Já Miguel por duas vezes se retraiu em relação a ela. Primeiro por não ter sido considerado na formação de sua equipe, o que o levou a se aliar a João como pré-candidato ao Senado, só o abandonando quando sentiu que não estaria na chapa, e, segundo,  quando ela o chamou para um conversa reservada no Palácio e ele foi à imprensa negar entendimento entre os dois. No entanto, lá atrás, quando ela decidiu oferecer à Federação as duas vagas do Senado, Miguel aceitou de pronto mas o acordo não foi fechado porque Eduardo se recusou a chancelá-lo, o que a desagradou profundamente.

Raquel vai agir com a razão ou com o coração na definição de sua chapa?

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