Eleições de 2024 no Recife: vai ter jogo?

 

A tradicional festa de Nossa Senhora da Conceição é sempre um palco para os políticos testarem a popularidade principalmente em ano anterior às eleições, como agora. Se o prefeito João Campos, que busca a reeleição, foi muito afagado nas ladeiras do morro, a governadora Raquel Lyra e seu candidato, o secretário Daniel Coelho , não ficaram atrás. Apesar de ter ido mais cedo – chegou para a missa das 6 da manhã – Raquel fez questão de caminhar ao lado da vice Priscila Krause e de Daniel, que foi saudado como candidato por algumas pessoas, apesar dos holofotes maiores estarem voltados para a governadora. De qualquer forma, ficou claro que o que Daniel tem revelado a amigos mais próximos – que vai ser o candidato – se confirma cada vez mais.

A festa no Morro também demonstrou que a eleição do Recife já está nas ruas. Não só porque João e Daniel foram pedir as bênçãos de Nossa Senhora, como fazem todos os anos – é preciso ressaltar – mas por a data ter coincidido com a escolha recente da deputada estadual Dani Portela para representar a Federação PSOL/REDE no pleito, e pelo lançamento em Brasília, na última quarta-feira, do nome do ex-ministro do turismo de Jair Bolsonaro, Gilson Machado, para representar o PL e, consequentemente, o bolsonarismo na capital onde o ex-presidente teve 43,68% dos votos no segundo turno de 2022.

Com esses quatro nomes cravados, a pergunta que se faz nos meios políticos é se Daniel, Gilson e Dani são páreo para o prefeito João Campos. Sem oposição, bombando nas redes sociais e entregando obras, o prefeito vem ganhando ares de imbatível na cabeça de alguns dos termômetros das eleições no Recife: motoristas de taxi, de ônibus ou de Uber, camelôs e lideranças comunitárias. Eram esses que o ex-prefeito e governador Jarbas Vasconcelos considerava bem entendidos sobre as tendências do voto na capital. Mesmo sem se assumir oficialmente candidato, Daniel, um otimista de carteirinha e bastante conhecedor do Recife, acha que “uma coisa é o que se vê hoje, outra o que vai acontecer durante a campanha quando as cobranças forem postas na mesa. A eleição do Recife não é fácil para ninguém” – revelou a uma pessoa próxima, recentemente.

Cada um no seu quadrado

Embora pela sua popularidade atual o prefeito João Campos tenha votos hoje em todos os segmentos ideológicos, todos eles estão representados e muito bem no pleito de 2024. Dani Portela já é dada como capaz de ter não apenas os votos tradicionais do que se define como extrema esquerda, mas de atrair para seu palanque os petistas que não gostam do prefeito por conta dos ataques recebidos quando ele disputou há quatro anos com a prima Marília Arraes. Se o vice de João for um petista mais à esquerda pode ser que isso aconteça em menor expressão, mas o voto contra deve existir pelo menos no primeiro turno.

Daniel atrelado a Raquel e Priscila

O secretário Daniel Coelho já disputou duas vezes a eleição de prefeito do Recife em 2012 e 2016. Não chegou ao segundo turno mas andou perto. Agora, além de seu carisma e da facilidade para trabalhar as mídias sociais e a propaganda de TV, ele vai contar com o apoio da governadora e da vice Priscila Krause. Se o programa social de Raquel estiver a todo vapor até outubro melhorando a popularidade da governadora, ele pode dar muito trabalho. Já o ex-ministro Gilson Machado pode unir a direita mais radical, incluindo os evangélicos, e faz uma política de frases de efeito capaz de desconsertar adversários nos debates. Um dia desses disse em entrevista – “vou enfrentar esse príncipe” referindo-se a João Campos – e esta semana ao ser criticado pela vereadora petista Liana Cirne respondeu: “ onde está Liana Cirne na fila da mortadela?”.

Tempo de TV

Embora as redes sociais sejam de alta relevância nas eleições atuais, o tempo de propaganda no rádio e TV ainda faz bastante efeito em uma campanha. O prefeito ainda não está seguro nesse quesito. Seu partido, o PSB, caiu muito em representatividade na Câmara Federal e vai reduzir bastante o tempo que tinha. Além disso, ele perdeu o PSD e se não atrair o MDB, vai depender muito do PT que é hoje a legenda com o segundo maior tempo de propaganda. Daniel vai poder contar com o PSDB, que tem pouco tempo, o PSD que tem mais, e o PP, com tempo expressivo e que, segundo o deputado Dudu da Fonte, vai estar com a governadora no Recife e em Caruaru. Já Gilson Machado terá o PL, seu partido, o de maior tempo de TV em 2024. A grande incógnita é o União Brasil, o terceiro maior tempo, que está com um pé na Prefeitura e outro no Governo do Estado.

MDB sai sozinho?

O MDB fala em disputar sozinho mas, enquanto não se define, vai estar nas contas de João Campos e de Raquel (Daniel). O senador Fernando Dueire e o deputado estadual Jarbas Filho são cogitados para a disputa mas o presidente estadual Raul Henry tem na Prefeitura seu antigo escudeiro Murilo Cavalcanti (secretário de segurança urbana) e, no Governo Raquel, além de ter sido consultado sobre a secretária do trabalho e empreendedorismo, indicou seu auxiliar direto Gabriel Cavalcanti para a presidência da Junta Comercial. Já o União Brasil é comandado a nível federal e estadual por Luciano Bivar mas na capital as cartas são dadas pelo deputado Mendonça Filho, hoje mais propenso a estar com Raquel.

Pergunta que não quer calar: onde vão estar MDB e União Brasil na eleição de 2024 no Recife?

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