Às vesperas da votação das faixas salariais, PT defende Raquel e bolsonaristas a atacam na Alepe

 

Numa demonstração de que a bancada do PT na Assembleia, composta de três deputados, é a favor do projeto da governadora Raquel Lyra que extingue as faixas salariais da PM e será votado esta terça-feira na Assembléia, foi dada ontem à tarde no plenário pelo deputado estadual João Paulo Silva, do PT.  João Paulo, que credita a resistência da oposição ao projeto da governadora ao movimento dos deputados bolsonaristas, oriundos da PM, acusou os mesmos  de “estimular o ódio a Raquel para tentar ganhar no grito, assumindo posições muitas vezes irresponsáveis”. Ele disse que todos os funcionários públicos estão esperando aumento e que “querer beneficiar uma categoria para prejudicar as outras é ser contra os trabalhadores.” O deputado  justificou que votará a favor  do projeto e que quem diz que defende os trabalhadores votando contra o mesmo “são os falsos aliados de luta, oportunistas de plantão que querem dividir a classe trabalhadora”.

Como era de esperar, o discurso de João Paulo feriu os brios do deputado coronel Alberto Feitosa, o principal opositor ao projeto do Governo e que, junto com os deputados Joel da Harpa, Abimael Silva e coronel Meira, este federal, passou o final de semana nas redes sociais estimulando os policiais a lotarem o plenário da Alepe esta tarde para pressionar os parlamentares governistas. Feitosa foi à tribuna lembrar que João Paulo já foi operário, defendeu invasores de terra em Itamaracá e  incentivou diversas greves sem procurar saber se as empresas não estavam em dificuldades financeiras (ele referia-se ao fato do parlamentar do PT ter justificado seu voto a favor do projeto dizendo que o Estado não pode dar aumento maior aos policiais do que o previsto). E foi além “Vossa Excia tem mudado tanto que tem sido comparado à Metamorfose Ambulante de que falou Raul Seixas”.

Mas para  demonstrar que a posição do PT está consolidada para hoje, o presidente estadual do partido, deputado Doriel Barros, também ocupou a tribuna após a fala de Feitosa para defender João Paulo. “João Paulo é uma liderança que dispensa comentários, gastar saliva para falar aqui da sua luta a favor da classe trabalhadora é jogar saliva fora “- afirmou Doriel. E, no mesmo caminho apontado por João Paulo, disse que o PT “não trabalha com seletividade da classe trabalhadora”- referia-se à justificativa de Feitosa de que os policiais merecem mais porque trabalham muito, inclusive à noite.  Segundo ele, “todos têm a mesma importância incluindo os trabalhadores rurais que trabalham sob sol e chuva desde as primeiras horas da manhã até o final da tarde”. Embora não tenha declarado seu voto, Doriel  é tido na Alepe no rol dos parlamentares que votarão a favor do Governo.

Contas na ponta do lápis
 
Apesar do nervosismo visível na Assembléia por conta desse projeto, que foi debatido durante quase dois meses, a bancada governista estava ontem mais tranquila do que a oposição. Embora não soubessem prever quantos votos  serão dados ao projeto da governadora, todos os parlamentares da bancada ouvidos por este blog afirmaram que eles passam de 25 (25 e o número mínimo de votos que um projeto desta natureza precisa ter em plenário para ser aprovado). Se quiser derrotar o Governo, a Oposição precisará dos  mesmos 25. O plenário da Assembléia é formado por 49 deputados.

Surpresa

Pode haver uma surpresa em plenário. A Oposição tem direito, se desejar, a pedir um destaque para que seja posto em votação o substitutivo da deputada Gleide Ângelo, do PSB, que extingue todas das faixas em 2025 ( a proposta do Governo é ir até 2026, de forma paulatina). Os oposicionistas precisa de maioria simples para ressuscitar o projeto de Gleide que foi derrotado, de forma terminativa, na Comissão de Finanças. De qualquer forma, se isso acontecer, as galerias vão fazer ainda mais barulho que o previsto. Não acontecendo, só será posto em votação o projeto governista e aí é mais fácil a aprovação pois, isto não ocorrendo, os policiais nem vão ter aumento em junho e nem ter a primeira faixa extinta no mesmo mês.

Em defesa das vítimas das enchentes

A senadora Teresa ocupou a tribuna do Senado esta segunda-feira em defesa das vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e reivindicando ajuda humanitária  à população do estado. Aqui em Pernambuco os deputados estaduais petistas Doriel Barros e Rosa Amorim agiram da mesma forma na tribuna da Alepe. Incentivaram os pernambucanos a participar da corrente de ajuda aos desabrigados.

Com quantos votos vai contar o Governo na Alepe, esta tarde?

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