Ansiedade em excesso atrapalha família Coelho na conquista de espaços políticos

 

Em 15 de dezembro de 2021, o senador Fernando Bezerra Coelho, então líder do governo Bolsonaro no Senado, levou sua esposa Adriana Coelho, filhos, noras e netos para assistir em Brasília a votação dos senadores para preenchimento de uma vaga no Tribunal de Contas da União para a qual era candidato. Fernando estava certo de que se elegeria com os votos governistas na casa, mas foi surpreendido pelo resultado que terminou com a escolha do senador mineiro Antonio Anastasia que teve  52 votos, seguido da senadora Kátia Abreu com 19 votos e o senador pernambucano teve somente sete votos.
                 
Descontente e alegando traição da bancada governista, Fernando, que tinha tido papel fundamental para evitar uma CPI da Covid que atingiria em cheio o presidente, entregou o cargo de líder no mesmo dia. Confessou aos colegas que seu descontentamento não foi apenas por ter perdido mas pelos 7 votos que teve, afinal, nem a bancada do MDB, seu partido, que tinha na época 15 senadores foi fiel a ele. Apesar da confiança que tinha no Planalto, o senador foi vítima da ansiedade e não ficou sabendo que Bolsonaro tinha feito um acordo com os senadores Rodrigo Pacheco e Alcolumbre para a vaga ficar com Anastasia.
                 
Embora em outra conotação, o ex-prefeito Miguel Coelho está sendo visto no meio político como vítima da ansiedade no episódio em que perdeu a vaga do senado na chapa da governadora Raquel Lyra. Mesmo sabendo da dificuldade que iria enfrentar por não ter o controle estadual da Federação, ele se articulou como se candidato fosse no pressuposto de que a governadora conseguiria passar por cima de uma decisão que o desfavorecesse. Nem mesmo quando a comissão executiva estadual escolheu Eduardo da Fonte para disputar a vaga, Miguel entendeu que era impossível voltar atrás. Acabou se desgastando inutilmente.
                 
Este domingo ao ser indagada pela imprensa sobre o episódio, a governadora afirmou que a composição de uma chapa não é decisão de apenas uma pessoa mas de um conjunto de partidos, deixando claro que não tinha poderes sozinha, como imaginou Miguel, para enfrentar a Federação que tem o maior tempo de Rádio e TV entre os partidos e federações do país.

Duas grandes convenções
 
Pernambuco nunca tinha assistido duas convenções do tamanho das protagonizadas este final de semana pelos dois principais candidatos a governador, Raquel Lyra e João Campos.  A de Raquel ganhou da do ex-prefeito em número de pessoas presentes, a grande maioria de classe média e vindas do interior, sem contar que a governadora foi a pé do Palácio até o Parador, local do evento, acompanhada por simpatizantes que iam se juntando cada vez mais a ela durante o percurso. A convenção de João foi, porém, mais animada com muitos grupos de percussão e presença, sobretudo, de pessoas da periferia da Região Metropolitana. A classe média foi minoria.

Pouco PT

A convenção do PSB também contou com pouca militância tradicional do PT. De vermelho só estavam presentes pessoas ligadas a Marília Arraes e à candidata a deputada estadual Ivete Caetano. Marília inclusive foi mais aplaudida do que Humberto sempre que seu nome foi citado. Não foram vistos no evento os deputados estaduais João Paulo do PT e Doriel Barros e a deputada estadual Rosa Amorim, embora presente, não se pronunciou. João Campos, porém, ganhou a adesão a seu grupo do ex-deputado federal petista Fernando Ferro que vinha se pronunciando contra o apoio do PT à sua candidatura e acabou fazendo uma declaração de voto no evento.

Como estarão as próximas pesquisas de intenção de voto após as duas grandes convenções do final de semana?

E-mail: redacao@blogdellas.com.br/terezinhanunescosta@gmail.com

Compartilhar