A União desunida e a luta pelo Senado

Antes da reunião Eduardo e Lula da Fonte e Miguel, Fernando e Antônio Coelho fizeram questão de posar juntos.

As Federações partidárias foram criadas no Brasil para compensar o fim das coligações, sepultadas na eleição de 2020,   permitindo que dois ou mais partidos se unam por quatro anos, ficando obrigados a disputar eleições com os mesmos candidatos majoritários e proporcionais. Uma das maiores federações em funcionamento do país é a União Progressista que juntou o PP e o União Brasil, dois partidos que elegeram somados 106 deputados federais em 2022. Mas, além do grande fundo eleitoral que esta Federação vai abocanhar pelo número expressivo de representantes na Câmara dos Deputados, ela virou uma colcha de retalhos a ser costurada nesta eleição de 2026.

O PP era um partido organizado e estruturado sem muitas disputas internas, já o União Brasil carrega na sua composição tantas divisões que ganhou nacionalmente o apelido de “Desunião Brasil”. Em Pernambuco ficou célebre a disputa pela legenda entre o atual presidente nacional, o pernambucano Antonio Rueda, e o deputado federal Luciano Bivar, antigos correligionários que viraram inimigos.

Esta segunda-feira ficou claro que o verme da desunião que antes só existia no União Brasil tomou conta da própria Federação. Enquanto a executiva estadual da União Progressista decidia por 5 votos a favor e duas abstenções que o pré-candidato ao Senado pela legenda é o deputado federal Eduardo da Fonte, do PP, decisão que foi referendada pelo vice-presidente nacional, senador Ciro Nogueira, também do PP, o presidente nacional da Federação e do União Brasil, soltou uma nota oficial afirmando que não reconheceria o resultado, a não ser que fosse decidido por unanimidade.

A nota de Rueda transfere o assunto, como está previsto no estatuto da Federação,  para a esfera nacional para atender ao outro pré-candidato, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que foi à reunião da executiva, depois de ter avisado que não iria através de sua assessoria,  e se absteve na hora do voto junto com seu irmão o deputado federal Fernando Filho. Com isso, por mais que o PP leve à frente a pré-candidatura de Eduardo da Fonte vai precisar esperar que Rueda e Ciro se entendam em Brasília e coloquem um final nessa história.

A decisão da Executiva pró-Eduardo só poderá ser derrubada se Ciro e Rueda, que têm, cada um, 50% do poder de decisão na Federação assinarem embaixo. Eduardo da Fonte garante que tem o aval da nacional mas, como Miguel está decidido a recorrer, tudo indica que até lá, os dois vão se manter em pré-campanha, como já vêm fazendo.

Vídeos conflitantes

O maior exemplo da desunião, apesar das fotos que Miguel e Eduardo tiraram juntos antes do encontro foi que, ao terminar a reunião, Miguel publicou em seu instagram um vídeo informando que continua pré-candidato e contestando a escolha feita pela Executiva que, segundo ele, não foi tomada por unanimidade. Da mesma forma, Eduardo da Fonte deu entrevista afirmando o contrário e se proclamando pré-candidato ao Senado por decisão da executiva da Federação.

Onde a governadora fica nisso?

Já a governadora Raquel Lyra deixou claro que só vai definir a composição de sua chapa nas vésperas da Convenção. Esta confusão na Federação vai ajudá-la nesse propósito. Enquanto o prego não for batido e a ponta virada ela deve se esquivar de tomar partido em um assunto que foge a seu controle, da mesma forma que não se comprometeu com nenhum dos nomes que disputam vaga em sua chapa até agora. Além de Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, há ainda os pré-candidatos ao Senado Túlio Gadelha e Fernando Dueire, ambos filiados ao PSD, o mesmo partido dela.

 

Quem vai conseguir unir a Desunião Progressista?

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