Famílias políticas dominam eleição deste ano

 

 

Entre 1848 e 1850, Pernambuco viveu a chamada Revolução Praieira, uma luta entre liberais e conservadores pelo poder estatual que, desde 1801, estava nas mãos dos conservadores, representados pela família Cavalcante. Para simbolizar a causa da liberdade que defendiam, os revolucionários criaram uma quadrinha popular até hoje lembrada no meio político. Ela dizia: “quem viver em Pernambuco/ não há de estar enganado/ ou há de ser Cavalcanti/ ou há de ser cavalgado.” Na verdade, desde a entrega da capitania a Duarte Coelho, a província pernambucana, em que pese diversas rebeliões, esteve sempre nas mãos das oligarquias familiares, como os Cavalcante da poesia.

Hoje essa é uma característica da política brasileira. Filhos sucedem pais em muitos estados e romper o ciclo familiar de poder é cada vez mais difícil tanto que se chama “outsiders” as pessoas que se candidatam, fugindo dessa dinâmica. Apesar de ter conseguido romper o poder estritamente familiar em anos mais recentes – os governadores Marco Maciel, Roberto Magalhães, Joaquim Francisco, Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos não tiveram parentes como sucessores- este ano, uma nova geração politica disputa a eleição estadual mas quase todos representam famílias políticas. A exceção entre os candidatos a governador é João Arnaldo(PSOL).

Embora todos eles tenham idéias próprias e destaque como parlamentares ou prefeitos competentes – a competência é adquirida e não transmitida – o sobrenome familiar é inconfundível e, sem sombra de dúvida, os ajudouchegar ao poder, tanto na direita quanto na esquerda. Marília Arraes(SD), é neta do ex-governador Miguel Arraes; Danilo Cabral(PSB) é filho do ex-deputado estadual Adalberto Farias Cabral; Raquel Lyra(PSDB) é neta, filha e sobrinha de políticos destacados da família Lyra de Caruaru, Miguel Coelho(UB) é um dos mais jovens políticos da família Coelho, dominante no Vale do São Francisco e Anderson Ferreira(PL) é de família mais recente na politica – os Ferreira, como são conhecidos. É filho do deputado estadual Manuel Ferreira e irmão do federal André Ferreira.

Eduardo optou pelos técnicos e se deu mal

Embora tenha entrado na política pelas mãos do seu avô Miguel Arraes, o ex-governador Eduardo Campos cujos filhos ingressaram na política depois que ele faleceu – João é atual prefeito do Recife e Pedro é candidato a federal – preferiu escolher nomes técnicos para representar o seu partido, o PSB, no poder estadual. Indicou e elegeu o ex-prefeito do Recife Geraldo Júlio e o atual governador Paulo Câmara, sem nenhuma experiência política, que acabaram não se dando bem e carregando o peso de altos índices de reprovação.

Nem sempre a familiaridade é má conselheira.

Os exemplos de Geraldo e Paulo são hoje repetidos até por deputados estaduais e prefeitos socialistas para justificar a guinada que o PSB deu em 2020 e agora em 2022 com as escolhas de João para prefeito e Danilo para governador. Os técnicos ficaram fora sem direito sequer a aparecer na televisão. E ,além disso, a questão familiar deixou de ser defeito nessa época de redes sociais quando todos os candidatos competitivos para o governo têm raiz política domiciliar.

Senado fugiu da dinâmica

A presença familiar entre os candidatos a governador não se repete no caso do senado. Embora não se conheça ainda os candidatos das chapas de Miguel e Raquel, Teresa Leitão (PT) e André de Paula entraram na política sem se beneficiar da questão familiar. Gilson Machado, embora filho de um ex-deputado federal influente, entrou na política e nela permanece pelas mãos do presidente Jair Bolsonaro, ao qual se aliou chegando a ministro do turismo.

Campanha na missa do vaqueiro

Quase todos os candidatos a governador não deixaram de ir à missa do vaqueiro ontem, em Serrita. Miguel Coelho, a cavalo, abriu o cortejo dos vaqueiros. Já Danilo Cabral, Raquel Lyra e Marília Arraes preferiram circular no meio da multidão. O único ausente foi Anderson Ferreira, que estava na convenção do PL que escolheu Bolsonaro como candidato à reeleição, realizada no Rio de Janeiro. Lá teve direito a percorrer uma passarela junto com o candidato ao senado Gilson Machado. Os dois foram muito aplaudidos.

Miguel anuncia senador

O pré candidato Miguel Coelho anuncia esta terça o nome do candidato a senador de sua chapa. Até a noite deste domingo o nome do jovem empresário Carlos de Andrade Lima, do União Brasil, que foi candidato a prefeito do Recife em 2020 pelo PSL. Carlos faz parte do grupo do deputado federal Luciano Bivar no União Brasil. Bivar é candidato a presidente da República.

Fotos: Divulgação

E-mail: terezinhanunescosta@gmail.com

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