
Excesso de palanques obriga candidatos a montar chapas “puro sangue”

Com seis palanques já projetados para a eleição estadual deste ano, de repente, o que já se previa aconteceu: estão faltando partidos e até nomes de maior densidade para compor todas as vagas nas seis chapas majoritárias. Muito representativos, os pré-candidatos a governador caíram em campo e já circulam há dois meses pelos quatro cantos do estado em busca de votos, mas só um deles – Marília Arraes(SOL) – conseguiu até agora definir seus companheiros de caminhada com Sebastião Oliveira(Avante), na vice e André de Paula(PSD) no senado.
Com o desgaste de 16 anos de poder, o PSB, que sempre teve nomes de sobra para escolher, desta vez, dependendo primordialmente do PT, submeteu seu pré-candidato Danilo Cabral às divisões internas petistas até ser batido o martelo com a escolha da deputada estadual Teresa Leitão para o senado. Do vice não se tem notícia a não ser que pode acabar ficando com a atual vice de Paulo Câmara, Luciana Santos (PCdoB) depois que vários nomes, anteriormente cogitados, não aceitaram o posto.
Dificuldades maiores estão tendo os partidos de oposição. Vão precisar formar chapas “puro sangue” com os candidatos a governador, senador e vice do mesmo partido. Na política isso é tido como sinal de fraqueza pois geralmente os cargos na majoritária são reservados para composições com partidos aliados, embora este ano se viva o inusitado do excesso de candidatos. De qualquer forma, tanto Anderson Ferreira, quanto Raquel Lyra e Miguel Coelho, vão precisar escolher pessoas das próprias legendas para a disputa. Miguel já escolheu a vice Alessandra Vieira do seu partido a União Brasil e fará o mesmo com o candidato ao senado e Raquel precisará repetir a mesma tendência pois os dois partidos que a apoiam, PSDB e Cidadania, figuram como um só já queformaram uma Federação. Anderson tem o senador Gilson Machado, também do PL, e será do mesmo partido a vice governadora.
Problema também nas chapas proporcionais 1
A multiplicidade de palanques está trazendo para os candidatos a governador uma outra dor de cabeça: a manutenção das chapas proporcionais. Só a Frente Popular e, na oposição, o pré-candidato Miguel Coelho, teriam hoje chapas montadas com envergadura para atravessar intempéries. No palanque de Marília a decisão da candidata de colocar a própria irmã Maria para tentar um mandato de deputada federal tem gerado ruídos e amuos. O PP, que daria à candidata um tempo confortável de rádio e TV, tem dito que desistiu de apoiá-la porque os votos de federal prometidos estavam sendo destinados a Maria e a Waldemar Oliveira, irmão do candidato a vice.
Problema também nas chapas proporcionais 2
O PL de Anderson Ferreira tem feito muito barulho sobre suas chapas de federal e estadual mas, na Assembleia Legislativa, comenta-se que o grupo não é tão forte assim até porque os deputados bolsonaristas filiados ao PP vão engordar a bancada da Frente Popular, incluindo a deputada Clarissa Tércio, que pode vir a ter mais de 200 mil votos. Anderson, segundo um desses deputados, “cometeu um erro crasso por não ter aceitado Clarissa no PL, jogando-a nos braços do deputado federal Eduardo da Fonte”, presidente do PP. Já a chapa de Raquel, segundo um deputado oposicionista “pode eleger no máximo, dois federais”.
Miguel aconselhado a focar na Metropolitana
O prefeito de Petrolina, Simão Durando, que tem acompanhado a campanha do pré-candidato Miguel Coelho como um dos principais colaboradores disse esta quinta-feira no Recife “que a campanha está consolidada no interior e Miguel agora precisa focar na Região Metropolitana”. Segundo ele, foi importante cuidar logo do interior “para que o candidato tenha tranquilidade para passar mais tempo no Grande Recife”. Não à toa já está definido que o candidato ao senado será preferencialmente do Recife e hoje recairia sobre o ex-governador Mendonça Filho, embora este esteja preferindo ser candidato à Câmara Federal.
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