
Eleição de governador caminha para dois turnos
Apesar da força da presença de Lula na TV, pedindo votos para o candidato Danilo Cabral, da Frente Popular, a eleição para governador de Pernambuco este ano caminha para ser definida no segundo turno, coisa que nunca aconteceu no estado. Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e Paulo Câmara venceram em primeiro turno nos dois mandatos para os quais foram eleitos. O mesmo aconteceu com Roberto Magalhães em 1982, Arraes em 1986 e 1994 e Joaquim Francisco em 1990. A exceção que confirma a regra foi a eleição de 2006 quando Mendonça e Eduardo foram para o segundo turno e Eduardo venceu.
Analistas políticos admitem que, apesar da força do PSB no estado e do apoio do PT com Lula candidato a presidente, a pluralidade de candidatos de oposição considerados fortes como os ex-prefeitos Raquel Lyra, Miguel Coelho e Anderson Ferreira e a presença de Marília Arraes, que divide o voto de esquerda, é quase impossível que o pleito seja definido no primeiro turno.
Da mesma forma, se considera que Danilo Cabral (foto), mesmo sendo desconhecido da maioria dos eleitores e da dificuldade que teria até de se eleger deputado federal, terá vaga garantida no segundo turno. É impossível imaginar quem o enfrentará a esta altura do campeonato em que as cartas ainda não foram postas na mesa. O fim da janela partidária já demonstrou que todos conseguiram formar chapa proporcional. O definidor agora vai ser a rua na pré-campanha e a propaganda eleitoral a partir de agosto.
Alianças no caminho
É quase certo que Marília, Raquel e Miguel, que ainda não escolheram os companheiros de chapa e continuam conversando, podem se entender ao longo do processo. O ex-governador Mendonça Filho vem trabalhando nos bastidores para um entendimento entre Raquel e Miguel, alegando que se isso não acontecer o candidato do PL e do presidente Jair Bolsonaro, Anderson Ferreira, pode ir ao segundo turno. Raquel deixou a porta aberta para o diálogo ao deixar a Prefeitura e ontem Miguel admitiu se compor com ela ou com Marília.
Vaga de Governador
O problema é que até agora todos que buscam entendimento, incluindo Marília, não aceitam abrir mão da cabeça de chapa. Um defensor do diálogo que prefere manter sigilo falou ontem que “quando a poeira baixar e as pesquisas forem mostrando um quadro mais real da situação isso vai mudar”. Hoje, por exemplo, Danilo Cabral está em quarto lugar nas pesquisas mas ninguém tem dúvidas de que vai só subir a partir deste final de semana até chegar a um teto. Os candidatos de oposição também vão sentir se Marília, que entrou de última hora, vai ter força suficiente para continuar querendo disputar o governo ou se aceita o senado.
Duas mulheres ?
O deputado federal Daniel Coelho, que apóia Raquel, diz entusiasmado que com o crescimento da preferência pelas mulheres “pode ser que Raquel e Marília cheguem em primeiro e segundo lugar no primeiro turno e disputem o segundo. Não é isso que se comenta nos corredores da Assembleia. Deputados do governo e da oposição acham que, ao contrário, como tem duas mulheres na disputa uma pode ofuscar o protagonismo da outra.
Raquel pensa em três
Talvez seja por isso que Raquel Lyra fala em chapa com três mulheres. Não falou quem são mas se presume que sejam ela, Priscila e Marília. Na verdade, tanto nos bastidores do PSDB como nos bastidores da União Brasil, partidos de Raquel e Miguel, já se discute os possíveis entraves a alianças com Marília. O nó tem sido o que fazer no palanque já que Marília está com Lula, não abre mão disso, e existem lideranças expressivas nos dois palanques que se opõem a isso.
Mais três prefeitos
O candidato Miguel Coelho, que ontem foi recepcionado em Palmares pelo prefeito Junior de Beto (PP) que o apoia, recebeu neste final de semana, com a ajuda de Luciano Bivar (presidente nacional do União Brasil), o apoio de mais três prefeitos: Flávio Gadelha, de Abreu e Lima, Eduardo Honório, de Goiana e Josafá Almeida, de São Caetano (os três se elegeram pelo PSL e estão agora no União Brasil).
Carreras e Gleide
Pelo menos uma forte dobradinha está formada no Recife: Felipe Carreras, para federal e Gleide Ângelo, para estadual. Os dois estão em outdoors defendendo a bandeira de Gleide que é a pauta feminina, sobretudo na área da segurança. Na eleição passada Gleide apoiou no Recife o deputado federal Raul Henry, embora também tenha comparecido a alguns atos com João Campos, então candidato a federal. Pode ser que agora também se junte a Pedro Campos. Só tempo dirá. Mas Carreras chegou primeiro.
PDT com Danilo
O PDT, que chegou a dialogar com Miguel Coelho para possível aliança vai ficar mesmo na Frente Popular. O partido não abriu mão do mandato federal de Wolney Queiroz e estadual de José Queiroz. E no final do prazo da janela partidária foi o PSB que veio em socorro dos dois, garantindo candidatos a deputado estadual e federal suficientes para formação das chapas proporcionais do partido.
Foto: Danilo Cabral (Sérgio Francês).
E-mail:terezinhanunescosta@gmail.com
