Como as mulheres saem da disputa presidencial de 2022?

Pela primeira vez desde 1994, eu vivenciando de perto a reta final das eleições presidenciais brasileiras, ainda que, entre dezembro de 2021 e julho deste ano, eu tenha prestado consultoria para pelo menos 3 pré-candidatos à Presidência da República que abandonaram a disputa no meio do caminho: Eduardo Leite, Sergio Moro e Luciano Bivar.
A distância, no entanto, me permite constatar que, independentemente dos motivos que levaram os 3 a mudarem de planos, a corrida para comandar o Palácio do Planalto a partir de 2023 pouco mudou de lá para cá. Segue o duelo de titãs, no qual o atual titular do cargo, Jair Bolsonaro, continua em desvantagem em relação ao ex-presidente Lula, segundo diferentes pesquisas de opinião.
Elas fizeram a diferença
As senadoras Simone Tebet e Soraya Thronicke, ambas do Mato Grosso do Sul, despontaram como os melhores cases destas eleições e prometem ser um marco divisor, nas quais as mulheres não terão mais apenas um papel de coadjuvantes para as próximas disputas presidenciais. As 4 mulheres que disputam o comando do Brasil, um recorde, estão longe de mudar esse cenário, infelizmente. Mesmo assim, 2 delas em especial, conseguiram dar um frescor para o debate sobre o futuro do país.
Uma dupla do barulho
Assim como fizeram durante a CPI da Covid, mesmo sem terem direito a ocupar nenhuma das vagas de titulares e nem de suplentes, Simone e Soraya roubaram a cena durante dos dois primeiros debates eleitorais desta campanha.
Tebet: Ao contrário do que aconteceu em seus programas eleitorais conseguiu mostrar nos debates sua verdadeira essência, enfrentando com firmeza e equilíbrio seus adversários. Especialmente, diante dos ataques machistas desferidos por Bolsonaro e o padre Kelmon.
Candidata onça
Após cair de paraquedas na disputa presidencial, às vésperas do início oficial da campanha, Soraya destacou-se muito melhor do que o primeiro escolhido pelo União Brasil para a disputa presidencial, Luciano Bivar, que entrou e saiu da corrida sem pontuar nas pesquisas.
E mesmo tendo entrado na disputa como retardatária, conseguiu mostrar sua personalidade forte e direta, traduzida em programa eleitoral como a onça da candidata do Brasil.
*Adriana Vasconcelos, jornalista e consultora em Comunicação Estratégica há 34 anos e colaboradora do blogdellas.