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Com baixa popularidade, Lula radicaliza e incendeia militância

Por  Terezinha Nunes

O próprio Lula sabe que a radicalização não o levou à presidência e que pode, definitivamente, tirá-lo da vida pública

Importante líder sindical brasileiro, o presidente Lula perdeu seguidas eleições em função do discurso radical que espantava a classe média e o centro-democrático, mantendo ele próprio e o PT permanentemente nas cordas do ringue político e afastados do campo majoritário da sociedade. Para vencer sua primeira eleição de presidente Lula distribuiu, com sucesso, a famosa “Carta aos Brasileiros” em que assumia uma versão “paz e amor” que foi capaz de leva-lo ao Palácio do Planalto.

De lá para cá, os benefícios sociais que criou o transformaram numa espécie de “pai dos pobres”, figura que depois combinou com o apelido de “mãe dos ricos”, quando foi abraçado por grandes empresários sobretudo empreiteiros de obras públicas que terminariam arrastando os petistas para os escândalos do “mensalão” e do “petrolão”, de triste memória.

Combate ao bolsonarismo

Os tempos das vacas gordas, no entanto, e o discurso, por muito tempo, verdadeiramente mágico do bolsa família, não permitiram que Lula sucumbisse. Mesmo depois de preso, por conta do petrolão, ele foi capaz de vencer uma nova eleição presidencial em 2022 apresentando-se como defensor da democracia e contrário ao extremismo de direita do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mas os tempos não eram mais os mesmos de 2002 quando substituiu Fernando Henrique Cardoso. A pandemia debilitara a economia e a gastança observada nos dois primeiros mandatos de Lula, sucumbiu diante do aperto financeiro e da necessidade de reformas que cortassem na carne os gastos públicos, coisa que o presidente se recusou a fazer, jogando o país na incerteza sobre o futuro e na ameaça de que, em 2027, a arrecadação federal não seja capaz de cobrir as contas públicas, como têm advertidos mais renomados e isentos economistas brasileiros.

Discurso atrasado

Ao mesmo tempo, a verborragia presidencial e o discurso atrasado sobre os problemas internos e externo, somados a problemas de comunicação, como foi o caso do PIX, e ao escândalo do INSS, levaram o Governo a se atrapalhar na visão da opinião pública e entrar em rota de colisão com o Congresso, hoje azeitado pelas emendas parlamentares e majoritariamente composto por parlamentares conservadores.

O resultado não poderia ser outro. Com a popularidade baixíssima, Lula começou a ser abandonado pelos partidos de centro que já se articulam para enfrentá-lo em 2026, enquanto as pesquisas já o mostram com percentuais de intenção de votos inferiores a todos os nomes de centro e de direita cotados nos bastidores da política.

O apelo à radicalização

A esse caldo de cultura se juntou a rebeldia do Congresso que se manifestou, por grande maioria na Câmara e no Senado, derrubando os decretos presidenciais que aumentavam o Imposto sobre Obrigações Financeiras – o IOF – sepultando a possibilidade do Executivo fechar as contas do ano deste ano, sem o corte de gastos públicos, coisa que o Governo se recusa a fazer.

Apanhando nas redes sociais até para um jovem deputado federal mineiro de direita, Lula voltou a seus tempos de radicalização, ressuscitando o “nós contra eles” e “os ricos contra os pobres”. Esta semana no lançamento do Plano Safra, Lula afirmou “quando a gente coloca que a pessoa que ganha mais de R$ 1 milhão tem que pagar um pouco mais, é uma rebelião”.

Manifestantes voltam às ruas

Esse discurso que chegou a levar manifestantes do MST a invadir uma agência do Banco Itaú em São Paulo esta semana para bravejar contra os ricos, coisa que não se via há muito tempo, tem sido reproduzido largamente nas redes sociais pela militância do PT que enxerga nele a única forma de voltar às ruas palcos, até pouco tempo, exclusivos da direita bolsonarista.

O que Lula pretende com tudo isso? Analistas e cientistas políticos concordam que a radicalização é hoje a única saída para o presidente não perder a própria militância do PT que se afastou dos embates públicos sobretudo após a Operação Lava Jato que levou seu maior líder para a prisão.

Esquerda com força nas redes

O que tem sido visto nas redes sociais nos últimos dias demonstra que Lula tocou fogo na militância. Isso significa que essa novidade será suficiente para garantir-lhe mais um mandato em 2026? Nem tanto. Mas, para quem deixou de fazer eventos há pouco tempo por falta de plateia, é possível que o presidente venha a ter o conforto de voltar a contar com pessoas empunhando bandeiras do PT e aplaudindo-o Brasil afora.

O próprio Lula sabe que a radicalização não o levou à presidência e que pode, definitivamente, tirá-lo da vida pública. Ainda por cima no momento em que o déficit fiscal brasileiro é de tirar o sono do mais aguerrido dorminhoco. A não ser que possua uma varinha de condão escondida debaixo do travesseiro, as coisas podem se complicar ainda mais com a junção da crise econômica com a crise política que domina o cenário atual.

 

Redação com Texto de Terezinha Nunes publicado no Jornal do Commercio, em 06/07/2025

e-mail: redacao@blogdellas.com.br/terezinhanunescosta@gmail.com

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