Prisão de organizador de atentado no DF e os dias difíceis previstos por José Múcio

 

 

“Esse período até a posse será, historicamente, dos mais difíceis”- disse José Múcio Monteiro no dia 9 deste mês, logo após ser confirmado ministro da defesa de Lula. A declaração, partindo de uma pessoa normalmente comedida, foi um sinal claro de que o mar não estava pra peixe no acampamento de bolsonaristas no Distrito Federal. Três dias depois, após a diplomação do novo presidente e a prisão de um cacique que estava acampado, manifestantes tentaram invadir uma delegacia para soltar o indígena e, em seguida, ônibus e carros foram incendiados próximo ao hotel em que Lula estava hospedado, levando os órgãos de segurança a cogitar resgatá-lo do local.

Incontinenti começou a operação antecipada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, de identificação e prisão de pessoas que, segundo ele, estavam financiando os acampamentos na porta de entrada dos quartéis em todo o país: “serão identificados e punidos” – afirmou ele no mesmo ato de diplomação do presidente. Este sábado, véspera de Natal, não deu outra. Após identificar uma caixa com explosivos em rua de acesso ao Aeroporto de Brasília, a polícia civil do DF prendeu o dono dos explosivos, o empresário do Pará, George Washington Souza, 54 anos, bolsonarista convicto, em cujo imóvel alugado foram encontrados outros explosivos, um fuzil de precisão, diversas pistolas e uniformes camuflados.

Ouvido, ele teria dito, segundo a polícia, que o objetivo era colocar os explosivos em uma caminhão-tanque que abastece aeronaves e provocar uma grande explosão no Aeroporto brasiliense, criando comoção e abrindo espaço para uma intervenção das Forças Armadas. A operação se daria antes ou até mesmo no dia da posse do novo presidente. Também teria adiantado que contava com a colaboração de outras pessoas que estão sendo procuradas. A intervenção policial pode ter abortado não só a ação do empresário e seu possível grupo como aberto espaço para que as Forças Armadas promovam não o golpe pretendido pelos bolsonaristas, mas a desocupação da frente dos quartéis em diversas capitais.

Incubadoras

O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, que vem cantando a bola sobre o tratamento duro que o novo Governo pretende dar às pessoas que continuam contestando o resultado eleitoral, disse, após a prisão do empresário e a descoberta do arsenal em seu poder, que os acampamentos “viraram incubadoras de terroristas”. Ele tem acompanhado o trabalho da Polícia Civil no DF e todos os preparativos para garantir total segurança à solenidade de posse no dia 1.o de janeiro.

Paulo e Wolney na espera

Os últimos nomes pernambucanos cotados para o Ministério de Lula, o governador Paulo Câmara e o deputado federal Wolney Queiroz vão precisar vencer novas barreiras para chegar lá. O ministério das comunicações, que estava previsto para o governador, segundo fonte do PT, tem dois cotados preferenciais, os deputados federais petistas Paulo Pimenta, do Rio Grande do Sul e Paulo Teixeira, de São Paulo. Já o ministério do PDT, previsto para Wolney, pode ficar com o presidente do partido, Carlos Luppi, que passou a se interessar pelo cargo de ministro da previdência, pasta que deve ficar com os pedetistas.

Simone e Marina confirmadas

A senadora Simone Tebet, que foi rifada do Ministério do Desenvolvimento Social, também não vai ficar com Meio-Ambiente – pasta agora destinada a Marina Silva, após muitas idas e vindas. Lula ofereceu à senadora o ministério do planejamento. Ela também pode ir para Cidades. A idéia do presidente de oferecer a Simone o Meio-Ambiente acabou desgastando o relacionamento dela com Marina. A senadora disse que só iria para esse ministério se fosse junto com Marina, que poderia responder pela Autoridade Climática. Marina não aceitou a proposta e ainda convenceu Lula a nomeá-la para o posto de ministra da área.

Pergunta que não quer calar: O acampamento de bolsonaristas em Brasília vai resistir até a posse de Lula?

E-mail: terezinhanunescosta@gmail.com

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