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Clara Charf, militante histórica da esquerda, morre aos 100 anos

Viuva do militante Carlos  Marighella, a ativista dedicou sua vida à luta por justiça social

A ativista brasileira Clara Charf, viúva do militante Carlos Marighella, faleceu nesta segunda-feira (3), aos 100 anos, de causas naturais. Ela estava hospitalizada havia alguns dias e chegou a ser intubada, conforme informou a Associação Mulheres Pela Paz, organização da qual foi fundadora e presidenta.

Em nota, a entidade destacou que Clara “deixa um legado de lutas pelos direitos humanos e pela equidade de gênero”, acrescentando:

“Clara foi grande. Foi do tamanho dos seus 100 anos. Difícil dizer que ela apagou, porque uma vida com tamanha luminosidade fica gravada em todas e todos que tiveram o enorme privilégio de aprender com ela. Vá em paz, querida guerreira.”

Na década de 1940, Clara se tornou comissária de bordo, mas desde muito cedo – aos 16 anos – participava ativamente da vida política do país. Entrou para o Partido Comunista Brasileiro e, em 1947, se casou com Marighella. Assim como ele, ela também foi perseguida e presa pelo governo ditatorial.

Uma vida dedicada à luta e à liberdade

Nascida em 17 de julho de 1925, em Maceió (AL), Clara Charf era filha de judeus russos que imigraram para o Brasil fugindo da perseguição antissemita no Leste Europeu.

Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de trabalho e, pouco tempo depois, iniciou sua militância política. Em 1946, aos 21 anos, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), onde conheceu Carlos Marighella, que se tornaria seu grande companheiro de vida e de luta.

Clara também integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN), organização criada em 1967 por Marighella, ex-deputado e um dos principais opositores da ditadura militar. Ele foi morto em 4 de novembro de 1969, em São Paulo, episódio que marcou profundamente a trajetória da militante.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a perda nas redes sociais, afirmando que o país perdeu “uma mulher extraordinária”. Segundo ele, “convivi com a Clara por mais de 40 anos. Aprendi muito com ela sobre política, solidariedade, resistência e humanidade. E hoje me despeço dela com carinho, respeito e gratidão a essa grande brasileira que tanto fez pelo nosso país e por todos nós que tivemos a sorte de tê-la por perto”.

O velório de Clara Charf será realizado nesta segunda-feira (3), das 18 às 21 horas, no Velório do Cemitério São Paulo, na Rua Luis Murat, 2245, na Vila Madalena. Em seguida, o corpo será levado ao Crematório da Vila Alpina.

Redação com Agência Brasil e veiculos Foto: MDHC-divulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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