Carnaval acende alerta para uso recreativo de tadalafila

Com a chegada do carnaval, período marcado por festas prolongadas, maior consumo de álcool e aumento das relações ocasionais, volta ao centro do debate a importância da prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Mas, além do uso do preservativo, especialistas em saúde fazem um alerta para outro comportamento que tem se tornado cada vez mais comum nessa época do ano: o uso recreativo de medicamentos para disfunção erétil, como a tadalafila, sem orientação médica.
Originalmente indicada para o tratamento da disfunção erétil, a tadalafila é um medicamento que atua aumentando o fluxo sanguíneo para o pênis, facilitando a ereção apenas quando há estímulo sexual. Apesar de sua eficácia comprovada em pacientes com indicação clínica, o consumo por pessoas jovens e saudáveis, com o objetivo de “melhorar o desempenho sexual”, não é isento de riscos.
Segundo o urologista Eugênio Lustosa, o uso sem prescrição tem se popularizado especialmente em períodos festivos. “Existe a falsa ideia de que a tadalafila é inofensiva ou que funciona como um estimulante sexual. Na verdade, ela é um medicamento que interfere diretamente no sistema cardiovascular e precisa ser usada com critério”, explica.
De acordo com o especialista, a automedicação pode provocar efeitos colaterais importantes, como dor de cabeça intensa, tontura, queda da pressão arterial, rubor facial e congestão nasal. Em situações mais graves, principalmente quando associada ao consumo de álcool ou a outras substâncias, a tadalafila pode desencadear eventos cardiovasculares, como arritmias, infarto e acidente vascular cerebral, especialmente em pessoas que desconhecem ter algum problema cardíaco. “O carnaval reúne vários fatores de risco: noites sem descanso, desidratação, álcool em excesso e, muitas vezes, o uso simultâneo de outros medicamentos. Essa combinação pode ser perigosa”, alerta Eugênio Lustosa.
Outro risco associado ao uso indiscriminado é o priapismo, caracterizado por uma ereção prolongada e dolorosa que pode causar danos permanentes ao tecido peniano se não for tratada rapidamente. Além disso, o uso frequente sem indicação médica pode levar à dependência psicológica, fazendo com que o homem passe a acreditar que só consegue ter uma relação sexual satisfatória com o auxílio do medicamento. “Isso pode gerar ansiedade de desempenho e até disfunções futuras, quando o corpo passa a responder menos sem a medicação”, pontua o urologista.
O médico também chama atenção para o risco de consumo de produtos falsificados, muito comuns no mercado informal e em vendas online irregulares. “Esses comprimidos podem conter doses imprevisíveis ou substâncias desconhecidas, aumentando ainda mais o risco de efeitos adversos”, afirma.
Durante o carnaval, campanhas de saúde costumam reforçar mensagens sobre sexo seguro, testagem para ISTs e autocuidado. Para Eugênio Lustosa, é fundamental ampliar esse diálogo e incluir o alerta sobre o uso consciente de medicamentos. “Falar de prazer também é falar de responsabilidade. Medicamentos não substituem prevenção, nem devem ser usados como atalho para desempenho sexual. Qualquer uso precisa de avaliação médica, inclusive para garantir segurança”, conclui.
Redação com assessoria Foto: arquivo/reprodução X
e-mail: redacao@blogdellas.com.br


