Campanha está no começo mas

oposição começa a se estranhar

 

 

Embora não tenham subscrito nenhum documento sabe-se que um pacto de boa convivência foi firmado entre os pré-candidatos a governador pela oposição no estado. O objetivo era de não criar rusgas entre eles, capazes de impedir um entendimento mais para a frente. Se não no primeiro mas pelo menos no segundo turno. Como o inimigo comum, definido por Miguel Coelho(UB), Raquel Lyra (PSDB) e Anderson Ferreira(PL), era um só – a Frente Popular- não foi difícil que o entorno dos três concordasse que era hora de atacar o PSB e evitar querelas mútuas.

Quando Anderson teve que se afastar de Raquel – à qual era mais próximo – fez questão de elogiar a ex-companheira de palanque e dizer que nada os impedia de conversar quando necessário. Mas como, além de surgir depois disso uma outra candidatura oposicionista, pelo menos a nível estadual, a de Marília Arraes, o ambiente começou a ficar complicado. Assim como Marília passou a investir em municípios e lideranças de Miguel e Raquel, o caldo acabou entornando e virou um salve-se quem puder. Miguel também conquistou prefeitos e até deputados do PSDB, o partido de Raquel, assim como Raquel festejou o apoio de lideranças sertanejas ao seu palanque.

Anderson precisou se isolar no campo bolsonarista,que é forte e coeso mas radical, porém começou a plantar seu nome em municípios onde Raquel ou Miguel são hegemônicos. Aparentemente todos fizeram ouvidos de mercador mas Anderson, atingido pela tragédia das chuvas que provocaram vítimas principalmente em Jaboatão, respondeu diretamente aos colegas de oposição que criticaram a situação: “governar Caruaru e Petrolina é fácil. Quero ver Jaboatão, um município que tem 300 mil habitantes morando nos morros e que é um dos maiores de Pernambuco. Não se pode culpar um governo de 4 a 5 anos por um problema de décadas. A gente tem que acabar com essa demagogia barata e esse oportunismo político de muitos pré-candidatos “- disparou incomodado.

Os melhores prefeitos

 

Esses desentendimentos vão prosperar? É difícil saber mas a verdade é que os três ex-prefeitos candidatos este ano apresentam como principal mérito para convencer o eleitorado suas próprias administrações. Afinal, tanto Raquel quanto Miguel e o próprio Anderson foram reeleitos com votações expressivas. Mas as tragédias ou tempestades podem deixar qualquer um deles de calças curtas. Pelo visto, porém, a crítica de um aliado doeu mais do que de um opositor. Marília, por exemplo, criticou da mesma forma mas o ex-prefeito de Jaboatão a ela sequer se referiu.

Bolsonaro no cenário

 

Da mesma forma que Anderson mostrou descontentamento o presidente Jair Bolsonaro, em entrevista à CBN, cobrou lealdade do senador Fernando Bezerra Coelho, pai de Miguel. Afirmou que ele fez parte de sua equipe  por muito tempo e agora não lhe declara apoio. Indagado pela imprensa, Miguel não ficou calado e falando indiretamente sobre Anderson disse “ele (o presidente) escolheu o candidato dele. Cabe a ele e ao senador se entenderem sobre o assunto. Eu tenho um candidato a presidente do meu partido que é o pernambucano Luciano Bivar”.

Fernando mostra confiança

 

Presente no lançamento do programa de governo de Miguel esta segunda-feira, o senador Fernando Bezerra disse que está muito confiante de que ele será o futuro governador de Pernambuco : “é o que tem mais apoio político dos candidatos de oposição, com mais de 30 prefeitos, mais de 40 ex-prefeitos, deputados federais, estaduais e uma chapa proporcional bastante competitiva. Além disso é inteligente, decidido, foi um grande gestor que transformou Petrolina e tem carisma. Na Televisão e nos debates quando mostrar tudo isso não tenho dúvida que vai se sobressair.”

Se livre dos dois

 

A nova fase da campanha de Ciro Gomes a presidente foi definida por ele com uma frase “vote em um e se livre dos dois”. Ciro tem batido na telha das críticas a Lula e Bolsonaro, colocando os doisno mesmo balaio. Por enquanto só chegou aos 7 a 9% das intenções de voto. Será que vai conseguir ? É bom lembrar que Moro usou a mesma estratégia e não passou dos 10%. Está difícil furar a bolha da polarização.

Fotos: Divulgação

E-mail: terezinhanunescosta@gmsil.com

 

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