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Bem nas pesquisas, Marília Arraes ensaia protagonismo na terceira eleição seguida

Pesquisa Datafolha publicada na sexta-feira (6) chamou atenção sobre a forte presença da ex-deputada federal como pré-candidata ao Senado

Por TEREZINHA NUNES

Para além do que representou para o quadro atual da disputa pelo Governo de Pernambuco, a pesquisa Datafolha publicada esta sexta-feira, a primeira do ano eleitoral no estado, chamou atenção sobre a forte presença da ex-deputada federal Marília Arraes como pré-candidata ao Senado.

Se já vinha pontuando bem em vários e diversos levantamentos, desta vez ela surpreendeu mais: nos diversos cenários testados com os muitos pré-candidatos ela apareceu com 36% a 41% das intenções voto. O segundo colocado, o senador Humberto Costa, tem entre 25 e 26%.

Não à toa Marília exibe este vasto recall. Nas duas últimas eleições do estado, a primeira em 2020 contra o atual prefeito do Recife, João Campos e a de 2022, quando enfrentou diversos candidatos e só foi derrotada pela governadora Raquel Lyra, ela surge nesta eleição de 2026 com uma força incomparável nas intenções de voto só que na disputa pelo Senado.

“Se conseguir ser candidata em um dos palanques ou mesmo avulsa ela tem reais chances de se eleger” – disse a este blog um deputado federal de oposição ao PSB.

PT assustado

Já uma liderança do PT confessou ter receio de sua candidatura: “como tem perfil de esquerda ela pode prejudicar a candidatura de Humberto que é nossa prioridade”.

Mas o PT teme mais, inclusive a disputa avulsa sem atrelamento a palanques, sob o argumento de que, sem fundo partidário e apoios de peso, Marília acabe tirando votos fundamentais de Humberto e também não conquistando uma das vagas do Senado, o que seria trágico para a esquerda. Em função disso há nos bastidores da esquerda pessoas entrando no circuito para convencê-la a ser candidata a deputada federal.

Tem gente acreditando que ela acabará seguindo este caminho até porque sua irmã Maria Arraes vai ser candidata a estadual, deixando o espaço em aberto, providência que teria tido a ajuda do prefeito João Campos diante da insistência de Marília de estar na sua chapa e do recado já recebido do PT de que não concorda com essa dobradinha.

Como alguém com tanta intenção de votos não ganha o patrocínio de um grande partido e não é disputada pelos dois principais candidatos a governador?

Sem perfil

A cientista política Priscila Lapa acredita que além de já ter perdido duas eleições majoritárias, Marília não conseguiu em sua vida pública “construir um perfil de gestora para vencer eleições para o Executivo e no Legislativo foi tendo seu lugar ocupado por outras pessoas”.

Para ela “apesar do grande recall que sempre a leva a estar nos primeiros lugares quando a campanha se inicia, ela não tem conseguido transformá-lo em votos suficientes para vencer seus adversários e, na confrontação com outros candidatos, acaba se desidratando”.

Acha ainda que a potência do sobrenome Arraes, que foi importante no início de sua carreira, acabou virando um peso na medida em que, além de competir com outros líderes do mesmo bloco familiar, como foi o caso de João Campos em 2020, Marília continuou acreditando nesse viés e não construiu um diferencial competitivo para ser aceita nos palanques”.

Ela lembra que ser mulher e jovem também já não tem tanta vantagem em uma chapa pois outras mulheres e jovens vêm se sobressaindo também.

Sem partido e indefesa

No meio político, comenta-se muito a respeito da ex-deputada sobretudo quando começam a ser divulgadas pesquisas. Sem a profundidade da análise feita para este blog pela cientista política Priscila Lapa, a leitura da maioria dos deputados estaduais e federais é de que Marília também não se vinculou a um partido, tendo passado por várias legendas como PSB, PT, e se filiado ao Solidariedade só para disputar o Governo em 2022.

Isso tem sido crucial para ela não ser levada tão a sério politicamente pois não tem grupo e, com isso, não há quem a defenda.

Mas Marília não se dá por vencida. Continua tentando uma chance para disputar o Senado na chapa do prefeito João Campos e agora estaria pensando em entrar no PDT para realizar esse desejo. Se nada der certo acabará mesmo se candidatando a deputada federal mas ninguém se arrisca a afirmar quantos votos ela poderia ter em uma disputa proporcional.

Redação com texto de Terezinha Nunes publicado no JC em07/02/2026 Foto: divulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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