Após restrição ao uso de celulares nas escolas, cresce debate sobre inteligência artificial na educação

O uso de tecnologia no ambiente escolar brasileiro passa por uma transformação importante. Após um ano da implementação da norma que regula o uso de celulares nas escolas, o Ministério da Educação iniciou uma pesquisa nacional para avaliar os impactos da medida. Mais de 8 mil escolas participam do estudo, e os resultados preliminares apontam melhora na atenção em sala de aula, no convívio entre estudantes e no bem-estar.
Para o médico Sormane Britto, especialista em healthtech e inovação, esse novo cenário abre espaço para uma discussão mais ampla sobre o uso de tecnologias no processo educacional, especialmente a inteligência artificial. “Não dá para falar de IA na educação sem falar do celular, porque ele é hoje o principal meio de acesso às plataformas digitais e às ferramentas de inteligência artificial”, afirma.
O tema ganha ainda mais relevância diante do avanço das ferramentas baseadas em IA, que já fazem parte da rotina de estudantes do ensino fundamental e médio, influenciando a forma como pesquisam, estudam e produzem conhecimento.
Em 24 de janeiro de 2025, a UNESCO dedicou o Dia Internacional da Educação à inteligência artificial, destacando o potencial da tecnologia para personalizar o ensino, apoiar professores e ampliar o acesso ao conhecimento. Ao mesmo tempo, a organização alertou para riscos como o uso sem mediação pedagógica, a dependência cognitiva e a fragilização do pensamento crítico.
Já em 2026, o foco da data passou a ser “O poder da juventude na co-criação da educação”, reforçando a importância do protagonismo dos estudantes nesse novo contexto tecnológico.
No Brasil, esse movimento ocorre em paralelo à Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de celulares nas escolas públicas e privadas. Em 2026, os alunos retornam às salas de aula após um ano de adaptação às novas regras. “A restrição do celular obriga escolas e educadores a definirem quando, como e com que finalidade a tecnologia deve ser utilizada, evitando o uso automático e sem critério”, avalia Sormane Britto.
Do ponto de vista pedagógico, a inteligência artificial pode ser uma aliada — desde que bem utilizada. “Ferramentas de IA podem apoiar o aprendizado, ampliar repertórios e ajudar na organização dos estudos, desde que não substituam o esforço cognitivo do aluno nem o papel do professor”, explica. “Sem mediação, há risco de empobrecimento do aprendizado e perda da autonomia intelectual.”
Além dos impactos educacionais, o uso intensivo de tecnologias digitais também levanta preocupações em relação à saúde. “O aumento do tempo de tela contribui diretamente para o sedentarismo entre crianças e adolescentes, um problema já grave”, alerta Sormane Britto. Dados citados pela UNESCO em relatórios em diálogo com a Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 80% dos adolescentes no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física.
Para o especialista, o desafio está no equilíbrio. “A inteligência artificial é um avanço inevitável, mas precisa caminhar junto com limites claros, mediação pedagógica e incentivo ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional dos estudantes”, conclui.
Redação com assessoria Foto: divulgação
e-mail: redacao@blogdellas.com.br

