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Alzheimer: Fevereiro Roxo alerta para o dianóstico precoce

Especialista explica sinais iniciais da doença e destaca a importância do diagnóstico precoce para intervenções afim de promover qualidade de vida

Neurodegenerativa, o Alzheimer é uma enfermidade que causa morte de neurônios e encolhimento do cérebro, resultando em declínio cognitivo (demência) ou motor. Ela tem como um dos sintomas mais comuns a perda de memória, porém, seria esse o primeiro sinal da doença? Quais outras funções podem ser comprometidas por ela? É possível recuperar a memória e outras funções após o diagnóstico?

No segundo mês do ano, acontece a campanha Fevereiro Roxo, mês de conscientização sobre doenças crônicas, entre elas o Alzheimer. Segundo Wagner Reis, médico clínico e paliativista da Clínica Florence Recife, a memória é a forma mais comum de manifestação da doença, porém nem sempre é a primeira. “A alteração no comportamento do paciente é um dos sinais importantes que aparecem logo no início, muitas vezes surgindo antes dos problemas de memória, especialmente em idosos com início mais precoce da doença”, alerta o especialista.

“Idosos que eram habituados à tecnologia começam a apresentar dificuldades. Uma pessoa superprodutiva no trabalho passa a errar mais em tarefas ordinárias e, até então, simples, com dificuldade de planejamento da rotina. Todos esses são sinais comuns no início do Alzheimer, pois a doença compromete a rede cerebral do paciente, o que acaba reverberando diretamente no seu comportamento”, exemplifica Wagner.

Apesar de crônica e progressiva (apresenta piora ao longo do tempo), os sintomas do Alzheimer podem ser mitigados por meio da reabilitação multidisciplinar, principalmente quando há um diagnóstico precoce.

Segundo o especialista, a reabilitação é útil em todas as fases da doença. “No início, a reabilitação vai trabalhar para manter a autonomia do paciente, criar estratégias de compensação, fortalecimento físico e estímulo cognitivo. Já na fase moderada, a reabilitação entra para reduzir perdas funcionais e tratar as síndromes de imobilidade e fragilidade”, explica Wagner. “Por isso, o diagnóstico precoce e a observação dos sinais logo no início da doença são fundamentais para começar as intervenções o quanto antes”, alerta.

Quando é o momento dos cuidados paliativos?

Ao escutar o termo “cuidados paliativos”, muitos pacientes e famílias pensam em fim de vida ou em “não há mais o que fazer”. Porém, segundo o paliativista, o cuidado paliativo pode ser o braço direito no cuidado da pessoa com Alzheimer desde o início do diagnóstico.

“O cuidado paliativo deve ser o mais precoce possível e agir enquanto a pessoa ainda consegue expressar o que é importante para ela. É poder dar voz a uma pessoa para que, caso venha um dia em que ela não consiga se manifestar, tanto a equipe médica quanto familiares e cuidadores saibam o que o paciente deseja para si, como tratamentos possíveis ou não e o controle de sintomas”, explica o médico Wagner Reis.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), dez milhões de pessoas são diagnosticadas com demência no mundo todo a cada ano. No Brasil, segundo o Relatório Nacional sobre Demência de 2025, do Ministério da Saúde, 8,5% da população com 60 anos ou mais convivem com algum tipo de demência, o que equivale a mais de 2 milhões de pessoas. As projeções indicam que 5,7 milhões tenham o diagnóstico no país até 2050.

Redação com assessoria Foto: divulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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