Flávio aceita desafio de Lula para abrir sigilos, mas impõe condições e exige dados de assessores e familiares

Por Pedro Beija do JC
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas condicionou a divulgação dos dados a uma série de exigências envolvendo familiares, ex-assessores e empresas ligadas ao petista. A resposta foi formalizada em uma petição apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No documento, encaminhado ao ministro André Mendonça, a defesa de Flávio afirma que o senador está disposto a disponibilizar informações dos últimos 20 anos, período superior aos oito anos propostos por Lula. Em contrapartida, exige que o presidente amplie o alcance da medida para incluir dados de pessoas próximas, registros de visitantes de palácios presidenciais e despesas do cartão corporativo da Presidência.
Durante um encontro com apoiadores em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, Flávio também comentou a resposta ao adversário.
“Não só vou aceitar o desafio como vou levar até as últimas consequências”, declarou o senador, em evento organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A manifestação ocorre um dia depois de Lula protocolar no TSE uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares e de sua empresa. A divulgação, no entanto, foi condicionada à apresentação de autorização equivalente por Flávio Bolsonaro.
Flávio amplia exigências a Lula
Entre as condições apresentadas pelo candidato do PL está a abertura do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Flávio argumenta que o presidente não utiliza telefone celular e que parte de seus contatos telefônicos é intermediada por assessores próximos.
“Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola”, afirmou o candidato durante o encontro em Guarulhos.
A petição também cobra informações sobre empresas ligadas aos filhos do presidente, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de dados do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.
O documento faz ainda referências às investigações envolvendo o Banco Master e descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A defesa do senador pede a divulgação de informações sobre encontros entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, bem como registros de acesso ao Palácio do Planalto e dados relacionados à lobista Roberta Luchsinger.
Outra exigência envolve a divulgação das despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, além de agendas da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e registros de viagens realizadas em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Defesa critica proposta do petista
Na petição, os advogados de Flávio classificam a iniciativa de Lula como uma “promessa vazia” e argumentam que a simples divulgação das contas pessoais do presidente não seria suficiente para esclarecer eventuais irregularidades.
A defesa sustenta que seria necessário examinar também o patrimônio e as movimentações de pessoas e empresas próximas ao petista. Essas suspeitas, entretanto, são alegações da campanha do senador, e a apresentação da petição não comprova irregularidades.
O documento também pede que o TSE intime Lula a informar se aceita as novas condições. Caso o presidente não concorde, a defesa de Flávio solicita que a recusa seja registrada no processo.
O candidato do PL contestou, ainda, sua inclusão no pedido de Lula como suposto integrante da empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado Willer Tomaz. Segundo o senador, ele não é sócio, administrador ou beneficiário da companhia e, por isso, não possui acesso aos dados bancários e fiscais solicitados.
A empresa passou a ser mencionada na disputa após reportagens apontarem que Flávio havia sido cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à companhia. O senador nega manter participação societária no negócio.
Desafio começou durante debate
A disputa em torno da abertura dos sigilos começou no debate presidencial realizado no último domingo (18), pela Band, quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas dele e de seus familiares.
Na terça-feira (20), o presidente formalizou a proposta ao TSE, oferecendo autorização para a divulgação dos próprios dados, dos da primeira-dama Janja e de seus cinco filhos, referentes aos últimos oito anos.
Em contrapartida, Lula exigiu que Flávio também autorizasse a divulgação dos dados dele, de integrantes da família Bolsonaro e de empresas apontadas pela campanha petista como vinculadas ao senador.
A proposta prevê que as informações sejam disponibilizadas em uma plataforma de acesso público, permitindo a consulta pelos eleitores antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Redação com texto de Pedro Beija do JC Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
e-mail: redacao@blogdellas.com.br


