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João Campos rebate Raquel sobre bets e cobra explicações sobre supostos pagamentos ligados a casa de apostas

Candidato afirmou ser pessoalmente contrário às apostas, defendeu restrições nacionais e disse que Recife teria arrecadado zero sem mudança tributária

Por Ryann Albuquerque do JC

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) voltou a negar, nesta terça-feira (22), que a Prefeitura do Recife tenha beneficiado empresas de apostas esportivas ao alterar a tributação do setor durante sua gestão e afirmou ser pessoalmente contrário às bets.Um dos temas da entrevista foi a regulamentação das apostas esportivas. João afirmou ser pessoalmente contrário às bets, aos cassinos on-line e a outras modalidades de jogos de aposta.

Ao mesmo tempo, defendeu a mudança tributária feita durante sua gestão na Prefeitura do Recife e disse que apoiaria eventuais medidas mais restritivas adotadas pelo governo federal.

“Eu tenho uma posição pessoal contrária a bets, a jogo de aposta, a cassino online, coisas desse tipo. Defenderei, ao lado do presidente Lula, medidas restritivas da regulamentação nacional relativas a atividades de aposta online”, garantiu.

João voltou a negar que a Prefeitura do Recife tenha simplesmente aberto mão de arrecadação para beneficiar empresas do setor. Segundo ele, antes da mudança tributária a cidade havia arrecadado cerca de R$ 80 mil com a atividade em seis anos. Após a alteração, afirmou, a arrecadação teria chegado a R$ 80 milhões em um ano. “Se o Recife não tivesse feito isso, ia faturar zero”, declarou.

Segundo o candidato, empresas poderiam ter escolhido cidades como Caruaru e São Paulo, que já adotavam alíquota de 2%. Para ele, a regulamentação federal permitiu que os municípios passassem a arrecadar sobre uma atividade que já existia.

O candidato também afirmou que criou, no Recife, o Serviço Integrado de Cuidados da Saúde Mental e que pretende levá-lo para outras regiões do Estado, inclusive para atender pessoas com ludopatia. “O Recife vai seguir as regras que forem decididas a nível nacional”, afirmou.

Questionado sobre as críticas feitas por Raquel Lyra às bets e à política tributária do Recife, João voltou a acusar a adversária de não explicar uma suposta relação entre uma advogada ligada à casa de apostas Aposta Ganha e pagamentos feitos por Pix a pessoas que publicavam comentários políticos nas redes sociais.“As explicações que a candidata deve são de outra ordem”, afirmou.

João também cobrou que Raquel peça ao prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), uma revisão da legislação municipal sobre as apostas.

Visita de Lula e estratégia eleitoral

João afirmou que a vinda do presidente será articulada considerando a agenda nacional de Lula, que, segundo ele, tem priorizado outras regiões do país. O candidato citou especialmente o Sudeste e o Norte de Minas e disse que o presidente deve fazer uma nova rodada de presença no Nordeste durante o fim da campanha.

“Ele passou mais tempo no Sudeste, na eleição. Isso a gente já enxergava que era o que deveria ser feito pra segurar”, afirmou. Para o socialista, a dinâmica eleitoral na região não é homogênea e houve redução da intenção de voto de Lula principalmente em regiões metropolitanas.

João também voltou a defender a parceria com Lula como parte de sua estratégia para um eventual governo em Pernambuco. Ao responder sobre o legado do PSB no Estado, disse que o ex-governador Eduardo Campos teve no presidente um aliado decisivo para suas gestões.

“Não era só porque ele era amigo de Lula. É porque ele fazia projeto, estruturava e conseguia transformar uma parceria política num governo que realizasse para o povo”, declarou.

Durante a sabatina, o candidato também repetiu críticas à gestão estadual nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Entre as propostas apresentadas estão a realização de 10 mil obras em áreas de morro na Região Metropolitana, a duplicação de rodovias e a ampliação da oferta de serviços de alta complexidade no interior.

Ambição política

Na reta final da sabatina, a entrevista entrou na trajetória política e nas ambições de João. Questionado se cumpriria os quatro anos de mandato caso eleito governador, sem deixar o cargo em 2030 para disputar outra posição, o candidato não respondeu diretamente à hipótese.

João afirmou que seu “sonho, digamos assim, profissional é poder governar Pernambuco” e disse esperar estar, em 2030, à frente do Estado.

Ao ser questionado sobre o cenário para a sucessão de Lula, afirmou que espera que o presidente conduza esse processo e sinalizou que pretende estar alinhado ao grupo político que será formado para a disputa nacional.

“Eu espero que o Lula possa conduzir a sua sucessão e a gente vai estar alinhado para poder fazer um dezembro que seja o melhor para o Brasil”.

Na sequência, reforçou a intenção de permanecer no comando de Pernambuco.

“Eu espero estar aqui como governador de Pernambuco, trabalhando, pronto para fazer ainda mais pelo nosso Estado”, aspirou.

Redação com texto de Ryann Albiuqurque Foto: reprodução YouTube/Jamildo Melo

e-mail:redacao@blogdellas.com.br

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