Em semana tensa com estocadas nas redes sociais candidatos fazem o melhor debate até agora

 

 

– “Vou esperar os debates para me decidir “- disse na semana passada um motorista de táxi que faz parte dos poucos indecisos nesta eleição para o Governo do Estado quando perto de 80% dos eleitores pernambucanos afirmam que já escolheram em quem votar. Só que numa eleição que pode ser definida por um percentual de votos inferior ao que se esperava ao longo da campanha, qualquer ponto a mais é fundamental.

Ao contrário dos dois primeiros debates onde os programas de Governo ficaram de lado diante das acusações recíprocas, o desta segunda-feira, organizado pela TV Guararapes, foi o que mais permitiu ao eleitor conhecer quais são as reais propostas dos candidatos em disputa por um mandato de quatro anos à frente do Palácio do Campo das Princesas.

Desta vez a governadora Raquel Lyra, que deixou a desejar nos dois primeiros quando se esperava que ela fosse se sair melhor, dominou o ambiente fugindo de pegadinhas e direcionando todas as suas falas para prestar contas do que fez no estado e do que se propõe a realizar,  se for reeleita. Logo na primeira intervenção, respondendo ao candidato Ivan Moraes sobre problemas obstétricos enfrentados pelas mulheres, se adiantou dando uma vacina no assunto do dia que o candidato João Campos trazia na ponta da língua.

Falou do respeito às mulheres, de tudo que realizou por elas no estado até agora e rapidamente se desculpou por uma fala infeliz de 2025 amplamente explorada pela oposição em que sugeria laqueadura tubária para mulheres de muitos filhos, mesmo sem que elas soubessem. Isso impediu Campos de tratar do assunto e ela ainda aproveitou outros momentos para, de forma indireta, sugerir ao ex-prefeito que se desculpasse pelo episódio do concurso público em que nomeou um candidato que tinha ficado em 63º lugar na vaga de outro aprovado em primeiro nas vagas para pessoas com deficiência.

João acabou sendo o mais cobrado – e reclamou disso no final – pois precisou responder aos questionamentos de Raquel e do candidato do PSOL, Ivan Moraes cuja candidatura esteve prestes de naufragar através de pressão do PSB. Mas o ambiente não foi agressivo, os questionamentos foram feitos com educação e respeito com exceção de duas vezes em que João disse que Raquel estava mentindo durante uma tréplica não deixando a ela o direito de responder. No final tanto Raquel quanto João tiveram aprovados dois pedidos de resposta.

O candidato Ivan Moraes como em todos os debates, se colocou bem e fez propostas interessantes que acabaram levando Raquel e João a se comprometerem a, se eleitos, estudar a possibilidade de implementá-los como o do lixo zero e da tarifa zero. Em ambiente cordial, coube a ele fazer uma proposta inusitada: que os três candidatos se unissem em apoio à reeleição do presidente Lula e em reconhecimento à importância da eleição nacional que, segundo ele, é mais importante que a estadual. Não foi contestado mas também não recebeu resposta.  

Guerra digital

Enquanto o debate foi mais tranquilo a guerra digital entre João Campos e Raquel Lyra anda a todo vapor. Pelo visto as campanhas estão mais satisfeitas com as curtidas nas redes sociais onde não há direito de resposta e a acusação fica no ar, do que a levar  o assunto para os debates onde o tempo é muito curto para explicações. As estocadas, no entanto, não dão trégua. O PSB tem explorado largamente, inclusive a nível nacional, a fala da governadora sobre laqueadura. Já o contra-ataque dos governistas não fica por menos. Esta segunda, aproveitando a discussão sobre o STF, uma postagem no Instagram falou, pela primeira vez, da vinda do ministro Alexandre de Moraes para o casamento de João Campos com Tábata Amaral.

Começou em 2002

Este blog falou ontem da vinda de Lula e do histórico de eleições pernambucanas em que o presidente esteve presente e não conseguiu mudar o resultado. Recebemos de um observador a informação de que esta falta de condições de Lula para interferir na eleição estadual começou em 2002. Na época Lula era candidato a presidente e Humberto Costa a governador e Dilson candidato ao Senado. Foi feito um ato conjunto no Geraldão que juntou 10 mil pessoas e foi chamado de “onda vermelha de Lula, Humberto e Dilson” e quando as urnas foram abertas  Jarbas Vasconcelos foi reeleito com 2.064.184 votos e Humberto teve 1.165.531. Em 2016, Lula veio apoiar João Paulo candidato a prefeito do Recife pela terceira vez. João foi para o segundo turno mas perdeu para Geraldo Júlio que teve 61,30% contra 38,70% do candidato do PT.

 

O que disseram as pesquisas sobre os dois primeiros debates para que os candidatos mudassem de postura nesse terceiro?

 

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