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Campanha de Raquel Lyra vai à PF e aponta ligação de homem detido em ato de Flávio com PSB

Advogado Edgar Moury apresentou informações à PFe afirmou que episódio teria sido organizado pelo PSB para associar governadora a Flávio Bolsonaro

Por Pedro Beija do JC

A equipe jurídica da campanha da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) foi à Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (17), para apresentar informações que, segundo o jurídico da coligação, indicariam uma ligação de Alexsandro Pereira da Silva, homem detido durante o ato de Flávio Bolsonaro (PL) no Recife, com pessoas ligadas ao Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O advogado Edgar Moury, que representa a Coligação Pernambuco de Coração, sustentou que a presença de um grupo com bandeiras e cores associadas à campanha de Raquel no evento desta quarta-feira (16) teria sido organizada para criar uma associação entre a governadora e o candidato do PL à Presidência.

Moury afirmou que fotografias e relações políticas de Alexsandro foram apresentadas à PF como elementos para embasar a acusação. Até o momento, porém, não foi apresentada publicamente evidência de que a direção do PSB ou a campanha do candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) tenha ordenado ou participado da organização da ação.

“Não sou eu que acho. Os fatos que estão revelados até agora apontam para a cúpula do PSB”, afirmou Moury, durante coletiva em frente ao Anexo da Polícia Federal, no Bairro do Recife.

Segundo o advogado, Alexsandro teria liderado o grupo que participou do ato de Flávio com materiais identificados com a candidatura de Raquel. A campanha afirma que as bandeiras utilizadas haviam sido furtadas anteriormente e diz ter registrado dois boletins de ocorrência sobre o desaparecimento dos materiais.

“Está provado que a militância vestida com as cores da governadora Raquel são falsos. Está provado que essas pessoas foram levadas em ônibus completamente desvinculadas à campanha da governadora Raquel”, declarou Moury.

A vinculação do grupo à campanha adversária, no entanto, é uma acusação apresentada pela defesa de Raquel e ainda depende de apuração. Moury afirmou que foram entregues à PF fotografias de Alexsandro e da esposa dele ao lado de pessoas ligadas ao PSB.

Entre os nomes citados pela campanha está o vereador licenciado e atual secretário de Esportes do Recife, Eduardo Mota (PSB). Mota assumiu a pasta em abril deste ano, após se licenciar do mandato na Câmara Municipal.

A equipe de Raquel afirma ainda que a mulher de Alexsandro, a conselheira tutelar Joselma Almeida, tem relação política com Mota. As fotografias apresentadas são usadas pela coligação como indício de proximidade política, mas não demonstram, isoladamente, que o secretário ou a campanha de João tenham participado da mobilização realizada durante o ato.

“Vocês verão fotografias dele e da sua esposa com pessoas da cúpula do PSB. Essa falsidade está na antessala da direção e da candidatura do PSB”, declarou o advogado.

A campanha de Raquel afirma que Alexsandro aparece em fotografias com Eduardo da Silva Souza, a quem atribui a responsabilidade pelo perfil “Raquel Bolada”.

No último sábado (12), a Justiça Eleitoral determinou a suspensão temporária da página e a retirada de uma publicação que sugeria que seguidores recebessem Raquel com ovos durante uma agenda no bairro da Torre, no Recife.

A presença de Alexsandro na fotografia com Eduardo da Silva Souza também é usada pela campanha da governadora para sustentar a existência de relações entre pessoas envolvidas em episódios recentes contra a candidata. A eventual participação coordenada dessas pessoas, contudo, ainda precisa ser esclarecida pelas investigações.

O Jornal do Commercio procurou a Polícia Federal para confirmar as circunstâncias da condução de Alexsandro, as providências adotadas e o recebimento da petição apresentada nesta quinta-feira, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Jurídico vê tentativa de associar Raquel a Flávio

Para a equipe jurídica da governadora, o objetivo do grupo seria produzir imagens de apoiadores identificados com Raquel durante a passagem de Flávio Bolsonaro pelo Recife e, com isso, reforçar uma associação política entre as duas candidaturas.

“Pessoas fantasiadas de falsos militantes foram abordadas, presas e conduzidas pela Polícia Federal. […] Viram pessoas vestidas com as cores dela, que não têm conexão com a campanha, que não têm nenhuma conexão com a governadora”, disse Moury.

Raquel tem evitado declarar apoio a um candidato à Presidência durante a campanha estadual. A tentativa de associá-la politicamente ao campo bolsonarista faz parte da disputa entre as candidaturas ao Governo de Pernambuco.

Durante a coletiva, Moury também relacionou o episódio a outras acusações feitas anteriormente pela campanha sobre suposta perseguição política e violência de gênero contra Raquel e a vice-governadora Priscila Krause. O advogado pediu que a Polícia Federal investigue quem teria organizado e financiado a mobilização e se houve eventual utilização de recursos públicos.

Questionado sobre acusações feitas pela campanha adversária relacionadas à atuação de um policial durante a confusão de quarta-feira, Moury não respondeu especificamente ao conteúdo das alegações e afirmou que outros aspectos do episódio deveriam ser esclarecidos pela investigação.

“Tudo ao redor desse fato, tudo mesmo, precisa ser esclarecido. […] Eventuais coisas laterais não podem desviar o foco”, afirmou.

Procurada pelo Jornal do Commercio, a Frente Popular de Pernambuco, coligação de João Campos, negou participação em práticas irregulares no processo eleitoral e afirmou que sua atuação é pautada pelo respeito à legislação e às regras democráticas.

A coligação não respondeu individualmente aos questionamentos enviados pelo JC sobre eventual vínculo de Alexsandro Pereira com a campanha, conhecimento prévio da presença do grupo no ato ou participação na organização e no transporte dos envolvidos.

Em nota, a Frente Popular afirmou que “refuta qualquer tentativa de vincular sua campanha a práticas ou condutas irregulares no processo eleitoral” e classificou a acusação apresentada pela equipe de Raquel como uma tentativa de “construir narrativa”.

A coligação também citou investigações envolvendo supostos ataques digitais contra adversários e informou ter apresentado uma notícia de fato relacionada a Uberdan de Menezes Matos Junior, policial civil envolvido na confusão durante o ato de Flávio Bolsonaro.

No documento enviado ao Ministério Público Eleitoral, a Frente Popular pede investigação sobre um contrato de R$ 2,5 milhões da campanha de Raquel com a empresa Rede de Negócios e Produção de Eventos Ltda., que tinha Uberdan como sócio-administrador na época da contratação.

Confira a nota na íntegra:

“NOTA

A Frente Popular de Pernambuco refuta qualquer tentativa de vincular sua campanha a práticas ou condutas irregulares no processo eleitoral. A atuação da coligação é pautada pelo respeito à legislação, às instituições e às regras democráticas.

Causa estranheza que se tente construir essa narrativa justamente quando são objeto de investigação da Polícia Federal denúncias envolvendo suposto financiamento de ataques digitais e possível utilização de estruturas para atingir adversários políticos. São fatos graves que devem ser devidamente esclarecidos pelas autoridades competentes.

A Frente Popular já ingressou com uma notícia de fato contra o autor de disparos de arma de fogo, durante o episódio em questão, que recebeu R$ 2,5 milhões da campanha de Raquel Lyra. A coligação seguirá fazendo uma campanha propositiva, transparente e dentro da lei, sem se deixar desviar por tentativas de criar versões destinadas a confundir a opinião pública.”

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