João Campos diz que eleição está “encortinada” por outros assuntos e defende Lula
Candidato ao Governo de Pernambuco afirmou que crise institucional tira foco do debate presidencial e disse acreditar na vitória de Lula
Por Ryann Albuquerque do JC
O candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), afirmou nesta quinta-feira (17) que a eleição presidencial está “encortinada” por outros assuntos que, segundo ele, tiram o foco do debate sobre propostas. A declaração ocorreu antes da sabatina promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Recife.
A fala ocorre em meio a um cenário mais apertado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas. Levantamento Genial/Quaest divulgado em 14 de setembro mostrou Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno, com 42% contra 40%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
João defendeu a candidatura de Lula e afirmou acreditar que o presidente terá condições de recuperar espaço na reta final da disputa.
“Eu acho que o presidente Lula vai ganhar a eleição. Ele tem uma experiência muito forte, tem liga com o povo, entende do Brasil como ninguém e com certeza vai construir uma caminhada crescente. A eleição está encortinada por outros assuntos que tiram o foco do debate presidencial. Claro que isso leva a uma desvantagem inicial no debate. Não tenho nenhuma dúvida de que nessa reta final e também no segundo turno presidencial, o presidente vai ter a oportunidade de mostrar o que fez e o que está pronto para fazer”, declarou.
Ao comentar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), João defendeu que as investigações sigam o devido processo legal e garantam o direito de defesa. Para o candidato, a repercussão do episódio tem ocupado espaço que deveria ser destinado à discussão das propostas eleitorais.
“Eu lamento muito, enquanto cidadão, enquanto líder político também, que a gente veja essa grande confusão institucional instalada há pouco mais de 15 dias das eleições. E, na verdade, isso tira o foco do debate presidencial”, afirmou.
João citou saúde, educação, segurança e saneamento como temas que deveriam estar no centro da disputa. “Espero que tudo isso seja apurado, que o devido processo legal seja concluído, mas que nessa retinha final as pessoas possam voltar a um debate sobre o Brasil”, disse.
Moradia no Centro
O candidato do PSB também apresentou uma proposta para a ocupação residencial do Centro do Recife. Caso seja eleito governador, afirmou que pretende criar um programa para estimular servidores públicos estaduais a morar na região, com o Estado custeando parte da moradia dos funcionários que aderirem à iniciativa.
A proposta foi apresentada como continuidade de medidas adotadas durante sua gestão na Prefeitura do Recife. João citou incentivos fiscais e mudanças na legislação urbanística para estimular o retrofit de imóveis no Centro.
Segundo o candidato, a expectativa é de que mais de 5 mil moradias sejam acrescentadas à região nos próximos anos. Ele afirmou ainda que a política municipal criou incentivos para que imóveis recuperados para habitação gerem potencial construtivo adicional em outras áreas da cidade.
A proposta apresentada amplia a discussão para o âmbito estadual e vincula a política habitacional aos servidores públicos. “Enquanto Governo do Estado, a partir do ano que vem, faremos um programa para estimular a moradia no Centro aos servidores públicos do Estado”, afirmou.
Campos tabém falou sobre suas expectativas para o encontro e afirmou que a pauta deveria estar voltada ao futuro de Pernambuco. Entre os temas que esperava discutir, citou a geração de empregos, a formação profissional e o fortalecimento da atividade produtiva no Estado.
Críticas a gestão estadual
Mais cedo, em entrevista à Rádio Nova Brasil, João Campos voltou a direcionar críticas à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD). Ao falar sobre educação, o candidato afirmou que Pernambuco foi ultrapassado pelo Piauí na rede de ensino técnico e acusou a atual administração de não ter entregue as 250 creches prometidas. Como contraponto, citou a abertura de mais de 107 creches durante sua gestão no Recife.
Na saúde, João afirmou que o Estado fechou 1,2 mil leitos entre 2022 e o fim de 2025 e associou a redução à diminuição de recursos destinados à área. Também criticou a ausência, segundo ele, de novos equipamentos estaduais de saúde inaugurados pela atual gestão. “O fato é que a saúde de Pernambuco piorou muito”, declarou.
O candidato também criticou a política de segurança pública do Estado e afirmou que facções como o PCC e o Comando Vermelho passaram a atuar em territórios do Recife nos últimos anos. Como resposta, defendeu a criação de um pacto antifacções, com reforço do efetivo policial, combate à lavagem de dinheiro e monitoramento das divisas estaduais.
Na área de infraestrutura, João afirmou que pretende ampliar investimentos em rodovias para conectar polos produtivos e voltou a defender a conclusão da Transnordestina. Segundo ele, o projeto, da forma como está sendo conduzido, não será concluído. A proposta apresentada pelo candidato é transferir a gestão do trecho pernambucano para o Estado, com divisão de recursos entre os governos estadual e federal.
Ao tratar da economia, João voltou a criticar o que classificou como falta de entregas da atual gestão. “O atual governo passou quatro anos, é o quarto ano do atual governo. Eu pergunto, diz uma grande obra aí que o governo fez. Uma”, afirmou. Em seguida, disse que o próximo governo deveria começar a executar investimentos desde o primeiro ano.
Mais tarde, às 20h55, João Campos participa de debate na Rádio Cultura, em Caruaru. O encontro será retransmitido pelo canal JC Play, no YouTube, dando sequência à agenda de campanha desta quinta-feira (17).
Redação com texto e foto de Ryann Albuquerque do JC
email: redacao@blogdellas.com.br


