Tecnologia amplia caminhos para a reabilitação e a qualidade de vida de pessoas amputadas
Recursos vão de próteses inteligentes e impressão 3D a sensores capazes de tornar os movimentos mais naturais e personalizados
A busca por recuperar mobilidade, autonomia e qualidade de vida depois de uma amputação passa por muito mais do que a adaptação a uma prótese. O processo envolve acompanhamento médico, reabilitação, fisioterapia, adaptação do equipamento e, cada vez mais, o uso de tecnologias capazes de atender às características e necessidades individuais de cada paciente. Para o ortopedista e cirurgião Sormane Britto, especialista em healthtech e inovação, essa combinação está transformando a maneira como a medicina encara a recuperação.
“A tecnologia está ampliando as possibilidades da ortopedia e da reabilitação. Hoje temos recursos que permitem pensar em soluções muito mais personalizadas para cada paciente. A prótese é apenas uma parte de todo esse processo, que precisa considerar a condição física, a rotina e os objetivos daquela pessoa”, afirma Sormane.
Em Pernambuco, a dimensão dos traumas que podem levar a processos prolongados de recuperação também aparece em números. Exemplo disso são os casos dos acidentes envolvendo motocicletas, em 2025, quando o estado registrou 34.002 vítimas de sinistros uma média de 93 pessoas por dia. Das vítimas registradas até 14 de abril deste ano, 3.563 sofreram fraturas e 329 apresentaram politraumatismos.Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).Os números não significam que todas essas vítimas tenham sofrido amputações, mas revelam a dimensão dos traumas que chegam aos serviços de saúde e que podem exigir cirurgias, tratamentos prolongados e reabilitação.
Avanços rumo ao futuro
Nesse cenário, as próteses também vêm passando por uma transformação. Modelos mais avançados utilizam microprocessadores e sensores capazes de captar informações relacionadas ao movimento e adaptar a resposta do equipamento durante a caminhada. Em próteses de joelho e tornozelo, por exemplo, esses sistemas podem responder de maneira diferente conforme a velocidade do usuário e as características do terreno.
“A tendência é termos equipamentos cada vez mais inteligentes e personalizados. A tecnologia pode fazer com que a prótese responda melhor ao movimento e às necessidades de quem a utiliza”, afirma Britto.
A inteligência artificial é outra frente que vem sendo estudada para melhorar a interação entre o paciente e a prótese. Muitas dessas soluções ainda estão em fase de pesquisa e desenvolvimento e não fazem parte da rotina clínica. Mesmo assim, apontam para um futuro em que a interação entre corpo e prótese poderá ser cada vez mais natural.
“A inteligência artificial pode ajudar a interpretar aquilo que o corpo está tentando fazer e transformar essa informação em um comando. É uma área que ainda tem muito espaço para evoluir”, destaca Sormane.
Além do movimento
Outra fronteira é a busca por devolver ao usuário parte da sensação perdida com a amputação. Pesquisadores trabalham com sistemas de feedback sensorial que procuram transmitir informações relacionadas ao contato do membro protético com o ambiente. Estudos recentes apontam resultados promissores em aspectos como equilíbrio e marcha, embora essas tecnologias ainda não estejam amplamente incorporadas à prática clínica.
“A grande evolução será conseguir não apenas movimentar a prótese, mas fazer com que o paciente tenha uma interação cada vez mais intuitiva com ela”, avalia.
Pioneirismo
Pernambuco também possui um capítulo pioneiro nessa evolução. Em abril de 2022, o Hospital de Câncer de Pernambuco, no Recife, realizou a primeira cirurgia de osseointegração em uma pessoa amputada no Brasil. A técnica utiliza um implante de titânio fixado ao osso residual, conectado externamente à prótese, criando uma ligação mais direta entre o membro residual e o equipamento. O procedimento realizado no estado representou um marco para a ortopedia brasileira e mostrou a capacidade de Pernambuco de participar do desenvolvimento de novas soluções voltadas à reabilitação de pessoas amputadas. Para Sormane, a evolução tecnológica precisa estar sempre associada a um objetivo concreto: melhorar a vida do paciente.
“Estamos vivendo uma transformação muito grande na ortopedia, com a chegada da inteligência artificial, robótica, impressão 3D, sensores e novas técnicas cirúrgicas. Mas toda essa inovação só faz sentido quando consegue chegar ao paciente e se transformar em mais mobilidade, autonomia e qualidade de vida”, conclui Sormane.
Redação com assessoria Foto: Bruno Cecim/reprodução
e-mail: redacao@blogdellas.com.br


