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Debate para o Governo de PE: João confronta gestão de Raquel, governadora critica legado do PSB e Ivan se apresenta como alternativa

Debate em Caruaru teve confronto sobre saúde, água, segurança e economia, além de cobranças sobre gestões do Estado e da Prefeitura do Recife

Por Pedro Beija do JC

Os candidatos ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB), Raquel Lyra (PSD) e Ivan Moraes (PSOL) confrontaram trajetórias, resultados de gestão e propostas para o Estado durante debate realizado nesta sexta-feira (11), em Caruaru, pela Rádio Cidade 99.7 FM. Enquanto o socialista buscou comparar o que fez à frente da Prefeitura do Recife com a administração estadual, a governadora e candidata à reeleição defendeu as entregas do mandato e voltou a responsabilizar governos anteriores do PSB por problemas encontrados em Pernambuco. Ivan, por sua vez, denunciou problemas dos projetos defendidos pelos adversários e se apresentou como uma alternativa na disputa estadual.

Saúde, abastecimento de água, segurança pública, educação e desenvolvimento econômico estiveram entre os principais temas do encontro.

A disputa nacional também apareceu no debate: Ivan pressionou Raquel a avaliar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem obter uma resposta direta da candidata à reeleição. João Campos reforçou a aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista também foi citado pela governadora como parceiro da gestão estadual.

João contrapõe Recife à gestão estadual

Ao longo do debate, João recorreu às entregas da Prefeitura do Recife para defender que poderia reproduzir a experiência no Governo do Estado. O candidato citou creches, unidades de saúde, investimentos em áreas de morro e políticas voltadas à tecnologia, além de acusar a gestão estadual de falta de capacidade de execução.

Um dos confrontos mais fortes ocorreu na saúde. João afirmou que 1,2 mil leitos hospitalares foram fechados no governo Raquel, além de citar 150 mil cirurgias que, segundo ele, deixaram de ser realizadas.

“Lamento que a candidata não tenha respondido por que fechou os 1.200 leitos. Isso é um fato, não é uma opinião, dito pelo Ministério da Saúde”, declarou.

Raquel respondeu que os leitos mencionados pelo adversário estavam relacionados à estrutura criada durante a pandemia de Covid-19 e acusou João de “faltar com a verdade”.

“Os leitos fechados eram leitos Covid. E todo mundo sabe que depois da Covid precisava fechar leito. Agora a gente está entregando leito. Já entregamos 600 e chegaremos a mais de mil”, afirmou.

João também atacou a atual gestão na educação, ao citar o encerramento de contratos de professores temporários, e na segurança, além de questionar a capacidade do governo de atrair grandes investimentos privados.

Na área econômica, afirmou que Estados vizinhos cresceram mais do que Pernambuco e citou investimentos recentes atraídos por Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.

“Qual foi uma grande fábrica no interior do Estado que veio nesses anos? Nós vamos fazer de verdade”, disse.

Raquel defende gestão e critica legado do PSB em Pernambuco

Raquel respondeu às críticas apresentando a atual gestão como um período de recuperação da capacidade de investimento do Estado. A expressão “casa desarrumada” apareceu ao longo do debate para caracterizar a situação que, segundo a governadora, encontrou ao assumir o Palácio do Campo das Princesas.

“A gente pegou uma casa desarrumada e vocês sabem disso. A gente não parou para reclamar, mas foi trabalhar”, afirmou nas considerações finais.

A governadora citou investimentos em estradas, hospitais, segurança e abastecimento de água e afirmou que parte dos problemas atuais resulta de decisões tomadas durante as administrações anteriores do PSB. A Transnordestina, a situação dos hospitais estaduais e obras hídricas foram alguns dos exemplos utilizados.

Na discussão sobre abastecimento, Raquel defendeu a concessão dos serviços da Compesa e rebateu João após o adversário dizer que iria “enquadrar” a empresa responsável pela operação caso as obrigações não fossem cumpridas.

“Empresa não é para ser enquadrada. Empresa é para ser regulada”, afirmou.

Raquel também prometeu se tornar a “governadora das águas” em um eventual segundo mandato e citou obras como as adutoras do Agreste e de Negreiros, além de investimentos previstos no Sertão.

Na economia, a candidata voltou a atribuir ao atual governo a retomada de projetos de infraestrutura e disse que a Transnordestina só voltou ao planejamento após articulação com o governo Lula. Também citou obras em Suape, rodovias e aeroportos.

“O que a gente precisa agora é acelerar. Tem gente que diz que é porque é ano de eleição. Não. Foi o tempo de arrumar a casa, fazer projeto, entregar, acelerar”, declarou no encerramento.

Ivan busca espaço entre os dois favoritos

Ivan estruturou sua participação em críticas tanto a Raquel quanto a João. Desde a apresentação, o candidato do PSOL tentou caracterizar os dois adversários como representantes de grupos políticos tradicionais que se alternaram no poder em Pernambuco.

O candidato voltou diversas vezes à expressão “diferente dos iguais” para apresentar sua candidatura e associou problemas do Estado tanto à atual administração quanto aos governos anteriores do PSB.

Na educação, por exemplo, Ivan criticou Raquel pelo encerramento dos contratos temporários de professores, mas lembrou que o modelo de contratação já era utilizado durante administrações do PSB.

“Não podemos ter que contar com mais de um terço da nossa força de trabalho nas nossas escolas com professores e professoras que foram contratados com contrato temporário”, afirmou, ao defender concursos públicos.

Ivan também contestou políticas tradicionais de atração de empresas por meio de incentivos fiscais e criticou propostas apresentadas por João para buscar uma nova montadora. Segundo ele, Pernambuco deveria priorizar economia verde, cultura, agricultura, cooperativas e atividades relacionadas às características locais.

“Não vamos resolver problema novo com a ação que já aconteceu antes”, disse.

Bolsonaro entra no debate

Ivan também foi responsável por levar de forma mais direta a disputa presidencial ao debate. Ele perguntou a Raquel qual avaliação fazia do governo Bolsonaro e deixou claro que não estava questionando em quem a governadora votaria na eleição deste ano.

Raquel não respondeu diretamente sobre a administração do ex-presidente. Em vez disso, voltou a defender a postura que chama de “pernambuquista” e argumentou que o Governo de Pernambuco precisa manter relações institucionais independentemente de quem ocupe a Presidência.

Após Ivan insistir na pergunta, Raquel voltou a citar a relação construída com o governo Lula e parcerias em obras como a Adutora do Agreste, a Transnordestina e projetos habitacionais.

Mais adiante, ao ser questionada pelo candidato do PSOL sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos e a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior, Raquel respondeu ser contrária às taxações.

“É claro que eu sou contra qualquer taxação, e ainda mais modificada a forma de ter tributo por solavanco da política”, afirmou.

Segurança, água e modelo de desenvolvimento

Os candidatos também expuseram divergências sobre segurança pública. João prometeu contratar novos policiais, ampliar delegacias da Mulher e usar tecnologia para combater facções e rastrear recursos do crime organizado.

Raquel respondeu citando o programa Juntos pela Segurança, concursos para as forças policiais e a expansão do videomonitoramento. Segundo ela, o Estado passou de 11 câmeras funcionando no início da gestão para 1,7 mil atualmente.

Ivan criticou tanto a política atual quanto as anteriores e defendeu maior investimento em prevenção, inclusive no enfrentamento à violência contra as mulheres.

Sobre abastecimento, os três apresentaram modelos distintos. João criticou pontos da concessão da Compesa e prometeu zerar a cobrança de consumidores da tarifa social submetidos a rodízio. Raquel defendeu a concessão e os contratos com a iniciativa privada. Ivan se colocou contra a privatização dos serviços e defendeu o fortalecimento da Compesa pública.

As diferenças também apareceram nas considerações finais. João voltou às realizações no Recife e à parceria com Lula; Raquel pediu um segundo mandato para acelerar obras iniciadas no atual governo; e Ivan resumiu sua candidatura como uma tentativa de romper com os grupos que, segundo ele, dominam a política estadual há décadas.

“Veja como são parecidas as duas candidaturas que estão aparentemente favoritas nessas eleições. Até para se criticar, se criticam da mesma forma. […] Quem quer alguma coisa diferente das iguais vai ter alternativa”, disse Ivan.

“Eu tenho um lado, tenho posição e sei fazer pelo nosso Estado. Eu estou ao lado do presidente Lula”, afirmou João.

“A gente teve capacidade de enfrentar problemas que não enfrentavam há muito tempo. Sou a governadora que bota luz e foco sobre eles, para resolvê-los”, concluiu Raquel.

Redação com texto de Pedro Beija do JC Foto:Paulo César/TV Jornal Interior

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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