Em eleição muito disputada, Raquel e João terão dificuldade de eleger dois senadores

 

Pernambuco tem uma tradição, confirmada por vários anos, através da qual candidatos a governador com alta aprovação conseguiram eleger seus dois candidatos ao Senado nos anos em que duas vagas estiveram em disputa como acontece agora em 2026. Exemplos não faltam: Miguel Arraes, Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e até Paulo Câmara, conseguiram essas proezas. Mas nas condições atuais de temperatura e pressão com uma eleição altamente disputada pelos dois principais candidatos, – a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos – e com cinco candidatos ao Senado todos eles em condições de se eleger, além de imprevisível o resultado pode surpreender.
            
Em entrevista no Passando a Limpo da Rádio Jornal esta quarta-feira o diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, deixou isso muito claro. Para ele, a não ser que as coisas mudem daqui pra frente, o apoio de Raquel e João aos seus dois candidatos não será suficiente para elegê-los. Ele também afirmou que como os cinco principais candidatos estão embolados na disputa são poucas as possibilidades de um candidato ajudar outro a se eleger, como acontece quando um candidato está muito na frente e pode atrair seu companheiro de chapa para acompanhá-lo no segundo voto.
            
– “Não acredito em voto conjunto para o Senado em Pernambuco, como acontece em outros estados. Não acho que vai ser o caso daqui.”- concluiu. Para ele, caso João ou Raquel não assumam uma dianteira significativa, é mais provável que o Senado seja definido por posição ideológica ou o próprio eleitor seja levado a, perto do pleito, procurar saber quem são os candidatos de Lula e Raquel ( os dois incumbentes e com alta aprovação) e tomar sua própria decisão.
             
Já sobre a posição do presidente Lula em Pernambuco – ele perdeu 5 pontos de intenção de voto no estado de 25 de agosto para cá –  Russo explicou que o presidente vai vencer com vantagem expressiva no estado “mas observo uma animação menor dos seus eleitores em relação aos pleitos anteriores” – pontuou.

Crise no STF e a eleição

Na próxima terça-feira, dia 15, o pleno do STF vai se reunir para debater vários temas que provocaram uma crise nunca vista no judiciário brasileiro e são capazes de incendiar o panorama eleitoral. O presidente Lula já sentiu os reflexos do momento quando Flávio Bolsonaro conseguiu um empate numérico com ele no segundo turno. Por outro lado, a oposição também não está tranquila. O caso Master pode soltar labaredas para todos os lados. Hoje até as pessoas mais simples que não têm muita informação estão falando mais no STF do que na campanha presidencial. “Parece que as pessoas querem votar contra ou a favor do STF”- comentou esta quarta um motorista de taxi do Recife que costuma ouvir muita gente.

Sem praguinha

A cidade alta de Olinda é terreno de eleitores em sua grande maioria de esquerda. Nessa época em todas as campanhas em qualquer evento ou festa, show etc, era possível ver muita gente com praguinhas de Lula e dos seus candidatos. Até agora isso não está acontecendo. São raras as pessoas com camiseta vermelha ou com algum distintivo demonstrando a intenção de voto. A falta de animação de que tratou no Passando a Limpo o diretor da Quaest é real. As pessoas, da cidade alta,  diante do cenário para presidente, devem votar em Lula mas parece não estarem dispostas a pedir voto ou demonstrar engajamento.

Será que daqui pra frente algum candidato a senador vai se distanciar de todos os demais, assumindo posição de destaque na disputa?

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