Setembro Verde: inclusão de pessoas com deficiência vai além do acesso

O Setembro Verde, mês dedicado à luta da pessoa com deficiência (PCD), chama atenção para uma questão que vai além do acesso a direitos e espaços: estar presente não significa, necessariamente, estar incluído. Uma pessoa com deficiência pode frequentar uma escola, ocupar uma vaga de trabalho, utilizar um serviço de saúde ou participar de atividades de lazer e, ainda assim, encontrar barreiras que dificultam sua autonomia e participação plena na sociedade.
Para Cinthia Cardoso, psicopedagoga e analista de comportamento da Clínica Nuno Desenvolvimento, a inclusão precisa ser compreendida para além da acessibilidade física. Barreiras de comunicação, atitudes preconceituosas e a falta de adaptações também podem impedir que a pessoa exerça sua autonomia e participe efetivamente dos ambientes dos quais faz parte.
Mas como transformar a presença das pessoas com deficiência em participação efetiva na sociedade?
Para Cinthia, a resposta passa por rever práticas e comportamentos que ainda limitam a autonomia dessas pessoas. “Não basta permitir que a pessoa com deficiência esteja em determinado espaço. É preciso garantir que ela possa participar, se comunicar, fazer escolhas e exercer sua autonomia. Muitas vezes, as maiores barreiras estão na forma como a sociedade se organiza e se relaciona com essas pessoas”, explica Cinthia.
Segundo a especialista, comportamentos cotidianos também podem revelar uma falta de compreensão sobre a inclusão. Falar pela pessoa, tomar decisões por ela, presumir que ela não é capaz de realizar determinada atividade ou não oferecer recursos adequados de comunicação são atitudes que podem limitar sua independência, mesmo quando não existe uma intenção explícita de excluir.
Dessa forma, o combate ao capacitismo — preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência — também passa pela mudança de atitudes. “A inclusão acontece quando a pessoa é reconhecida como alguém que tem desejos, escolhas, capacidades e direito de participar. Isso exige que famílias, escolas, empresas e a sociedade estejam dispostas a rever comportamentos e criar condições para que essa participação aconteça de verdade”, afirma Cinthia.
Inclusão durante todo o ano
Para a especialista, campanhas como o Setembro Verde são importantes para ampliar a conscientização, mas o objetivo deve ser fazer com que o debate ultrapasse o calendário. “É importante ter um mês para dar visibilidade à causa, mas a inclusão não pode ficar restrita a setembro. Ela precisa estar presente nas decisões e nas relações do dia a dia, durante todo o ano”, reforça.
Redação com massessoria Foto: arquivo
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