Sabatina SJCC: Túlio Gadêlha diz que Lula “gosta de Raquel” e projeta aliança mais forte entre os dois
Candidato ao Senado afirmou que apoio a Lula foi condição para entrar no PSD e criticou propostas de impeachment de ministros do STF
Túlio disse ainda que manter o apoio ao presidente foi uma das condições para sua entrada no PSD e para disputar o Senado. Raquel, por sua vez, tem evitado declarar voto para presidente e adotado como estratégia não nacionalizar a eleição estadual.
“Eu sou o senador do povo pernambucano, escolhido pela governadora Raquel Lyra e aliado do presidente Lula”, afirmou Túlio, entrevistado pelos jornalistas Igor Maciel e Romoaldo de Souza no programa Passando a Limpo.
Ao ser confrontado com o fato de Lula estar no palanque adversário, o candidato argumentou que pretende ampliar a base do presidente e aproximá-lo da governadora.
“Eu quero fazer com que a base do presidente aumente ainda mais. Que ele tenha uma governadora que trabalha, que é honesta, transparente, ao seu lado. Que ele consiga fazer uma aliança ampla com o PSD”, declarou.
Segundo Túlio, sua posição em relação ao presidente foi discutida antes da filiação.
“Quando entrei no PSD, esse foi um dos requisitos para que eu pudesse me candidatar ao Senado. Foi de caminhar com o presidente Lula. E o presidente Kassab prontamente apoiou”, disse, em referência ao presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.
O candidato completou afirmando que pretende continuar ajudando o governo federal, “agora, com a aliança cada vez mais forte entre Lula e Raquel Lyra”.
“Lula gosta de Raquel”
A relação entre Lula e a governadora apareceu em outros momentos da entrevista. Questionado sobre declaração em que disse ter percebido falta de “empolgação” do presidente em um vídeo de apoio a João Campos, Túlio afirmou que Lula já teria manifestado admiração por Raquel em conversas entre os dois.
O candidato citou ações nas áreas de combate à fome, habitação, emprego e abastecimento de água para sustentar a comparação. Segundo ele, Lula já elogiou pessoalmente a governadora.
“Lula gosta de Raquel Lyra, admira o trabalho dela, porque ela faz como ele faz”, afirmou.
“Ele sempre soube que eu tive com Raquel e ele gosta da governadora Raquel porque sabe que ela trabalha, porque ela é séria”, complementou.
Túlio também ressaltou sua relação histórica com o presidente e lembrou que esteve ao lado do petista antes de sua prisão, em 2018.
“Eu estive com o Lula nos piores momentos da vida dele. Eu estive com o Lula quando ele estava condenado. Um dia antes de ele ser preso, eu estava ao lado dele”, declarou.
Apesar da proximidade, afirmou que não pretende adotar postura de submissão ao governo federal.
“Eu sou um aliado que, se necessário bater na mesa, a gente bate na mesa para a coisa acontecer. Não sou submisso a grupo A ou B.”

Candidatura ao Senado
No início da sabatina, Túlio também foi questionado sobre as articulações que antecederam a confirmação de sua candidatura. Na reta final da montagem da chapa de Raquel, surgiram informações de que o deputado poderia desistir da disputa.
Perguntado diretamente se chegou a desistir e se recebeu garantias para permanecer candidato, Túlio não confirmou nem negou a possibilidade. O deputado afirmou que conversou “bastante” com Raquel sobre a necessidade de uma candidatura que pudesse construir uma ponte com o governo federal.
Segundo Túlio, a governadora buscava “alguém que pudesse ter a confiança do presidente Lula” e, ao mesmo tempo, proximidade com o Governo de Pernambuco para ajudar na obtenção de investimentos e recursos.
Ao explicar por que deixou uma tentativa de reeleição à Câmara dos Deputados para concorrer ao Senado, Túlio afirmou acreditar que poderá ter maior influência sobre projetos estruturantes. Entre as prioridades, citou a Transnordestina, o Canal do Sertão e a criação de polos industriais na Zona da Mata.
Impeachment de ministros do STF
Outro tema da sabatina foi a relação do Senado com o Supremo Tribunal Federal (STF). Túlio rejeitou transformar pedidos de impeachment contra ministros da Corte em promessa de campanha e defendeu que eventuais processos sejam precedidos por investigação e provas.
“Eu acho um risco muito grande a gente falar de impeachment de ministro sem saber que crime ele cometeu. É como um juiz mandar prender alguém sem ter as provas”, afirmou.
Para o candidato, defender previamente o afastamento de integrantes da Corte é uma “irresponsabilidade”.
“Não se faz política prometendo, tendo proposta de impeachmar ministros. Isso é jogar a população contra uma instituição”, declarou.
Túlio, porém, disse ser favorável à apuração de suspeitas e afirmou que poderia votar por uma responsabilização caso fossem apresentados elementos suficientes.
“Que se investigue, que se abra uma CPI, que se apure. E, a partir daí, julgue, se for necessário. Porque é papel do Legislativo, é papel do Senado fazer isso. E, se for preciso fazer, farei”, disse.
Questionado se algum ministro do STF mereceria atualmente atenção especial, Túlio não citou nomes. Ele defendeu maior transparência sobre a evolução patrimonial de autoridades e de familiares e afirmou que integrantes da Corte estariam enriquecendo sem explicação suficientemente clara.
“Tem ministros, e a gente sabe disso também, que estão enriquecendo. De onde vem esse dinheiro? Da palestra? Que palestra é essa?”, questionou.
União da bancada
Túlio também defendeu maior articulação entre os parlamentares pernambucanos no Congresso, independentemente das diferenças partidárias. Segundo ele, a polarização tem prejudicado a construção de agendas comuns para o Estado.
“Essa polarização política não tem feito bem à democracia. Ela tem afastado parlamentares que podiam estar juntos, lutando pelo mesmo ideal, pelo mesmo propósito, para trazer investimento, trazer grandes obras”, afirmou.
O deputado citou como exemplos de articulação as negociações relacionadas aos incentivos à fábrica da Stellantis, em Goiana, e à retomada da Transnordestina.
Túlio também apresentou sua experiência legislativa como argumento para a candidatura ao Senado e afirmou que pretende trabalhar para destravar projetos que passaram pela Câmara e seguem pendentes na Casa Alta.
“Existem projetos importantes para o Brasil e para Pernambuco que estão travados. Eu estando lá, irei destravar esses projetos”, prometeu.
Redação com texto de Pedro Beija doJC Fotos: Junior Souza JC Imagem
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