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João Campos perde queda de braço com PSOL e Ivan Moraes é candidato a governador

Na véspera do início da campanha eleitoral, o candidato a governador de Pernambuco, João Campos, teve uma derrota política ao ver fracassada a tentativa de retirada do páreo da candidatura a governador do jornalista Ivan Moraes, do PSOL. Depois que tinha conseguido uma vitória esta semana com a gravação que fez com o presidente Lula, João não precisava dessa derrota mas, mesmo sabendo das dificuldades, manteve a pressão sobre o PSOL, como denunciou Moraes, mas o partido se manteve firme e às 19 horas desse sábado, os psolistas comemoraram em sua sede no Recife a vitória sobre o PSB.

O dia de sábado foi muito tenso na sede do partido com Ivan e os demais dirigentes do PSOL e da Rede – os dois partidos formam uma Federação – reunidos à espera de notícias depois que a executiva nacional do PSOL foi convocada para uma reunião às 11 horas, que foi adiada para 14 horas, depois para 18 horas e acabou não ocorrendo. “Se tiver reunião é sinal ruim”- afirmou Ivan explicando que no seu partido quando não há quórum qualificado não se toma decisão. Por isso, a estratégia adotada pelos descontentes com o que chamavam de “intervenção do PSB” que teriam tido o apoio do grupo liderado pelo ministro Guilherme Boulos, era evitar o quórum, o que acabou dando certo.

Discurso contra oligarquias

Após ter certeza de que vai se manter no páreo, Ivan Moraes deu uma entrevista procurando mostrar distância dos candidatos João Campos e Raquel Lyra. Deixou claro que vai se colocar como uma alternativa “contra as velhas oligarquias. Não somos obrigados a escolher entre uma figura que é oligarca na capital ou uma oligarca do interior. Não somos obrigados a escolher entre uma figura que privatizou parques e praças do Recife e uma figura que quer privatizar a Compesa e que deseja privatizar o Metrô. Também não somos obrigados a escolher duas figuras que aplaudem derrubada de parte da Mata Atlântica para construir uma Escola de Sargentos”.

A pressão que o PSB exerceu sobre o PSOL teve o objetivo de unificar a esquerda em torno de João Campos mas teve um efeito contrário. Os grupos esquerdistas que já não queriam votar nele se sentiram agredidos com a decisão e ajudaram Ivan a resistir sobretudo depois que sinais da direção nacional psolista deram margem à conclusão de que, se o candidato não desistisse espontaneamente, haveria uma intervenção da nacional na secção pernambucana.

“Projeto individual de um herdeiro”

Ainda na sua entrevista Ivan Moraes disse referindo-se a uma frase de João Campos “ aqui em Pernambuco a gente sabe que o bolsonarismo não se cria. Aqui em Pernambuco a gente sabe que o autoritarismo não terá vez e a gente continua sem baixar a cabeça para quem acha que pode mandar na gente. Para quem acha, para quem diz que é soldado de Lula, mas em vários estados do País, em que há coligações robustas, importantes, necessárias e possivelmente vitoriosas para Lula, colocaram em risco essas articulações, entendendo que um projeto individual de um herdeiro era mais importante que o projeto imprescindível que todos nós temos aqui, que é a nossa prioridade este ano, eleger o presidente Lula e fastar de vez o fantasma da extrema-direita de nosso país”.

Para ele, o PSB não é de esquerda: “é um partido de centro que se desloca conforme o cenário eleitoral. Aqui no Recife o PSB da eleição de 2020 era um PSB que estava andando com os extremistas. A extrema direita estava andando em 2020 com o PSB que abria a boca e dizia assim, “o PT tem um bocado de gente presa”. O PSB de hoje é diferente e eu não acho ruim, acho bom”.

Sobre Raquel afirmou “eu queria que Raquel tivesse declarado o voto em Lula também, porque Pernambuco inteiro sabe que ela vota em Lula. Ela não diz porque não quer perder os bolsonaristas dela como em 2020 João não queria perder os bolsonaristas. Mas se procurar direitinho vai ver extrema direita nos dois palanques”.

Redação Blog Dellas Foto: divulgação

e-mail: redacao@bogdellas.com.br

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