
Dia Mundial da Fertilização in Vitro e os avanços que transformaram a medicina reprodutiva- por Altina Castelo Branco*

Em 25 de julho de 1978, o nascimento da inglesa Louise Brown, primeira criança concebida por fertilização in vitro (FIV), marcou uma das maiores conquistas da medicina moderna. Desde então, mais de 13 milhões de crianças nasceram graças às técnicas de reprodução assistida, consolidando a FIV como um dos mais importantes avanços científicos das últimas décadas.
O Dia Mundial da Fertilização in Vitro celebra esse marco histórico e convida à reflexão sobre a evolução da medicina reprodutiva e os desafios de ampliar o acesso a tratamentos seguros, éticos e cada vez mais humanizados.
No Brasil, a procura pela FIV continua crescendo. Dados do SisEmbrio, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostram aumento superior a 50% no número de ciclos realizados entre 2020 e 2025. Esse avanço acompanha mudanças sociais, como o adiamento da maternidade, a preservação da fertilidade, as novas configurações familiares e o maior conhecimento da população sobre a reprodução assistida.
Ao mesmo tempo, os tratamentos tornaram-se mais precisos e personalizados. Tecnologias como a vitrificação de óvulos e embriões, a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), os testes genéticos embrionários e a inteligência artificial nos laboratórios de embriologia ampliaram as chances de sucesso e aumentaram a segurança dos procedimentos.
Ainda assim, a tecnologia jamais substituirá o cuidado humano. A reprodução assistida envolve expectativas, emoções e projetos de vida, exigindo uma abordagem multidisciplinar que integre assistência médica, apoio psicológico, orientação genética e respeito às escolhas de cada paciente.
Essa visão de cuidado integral acompanha também a ampliação dos direitos reprodutivos. Hoje, a medicina reprodutiva atende casais com infertilidade, mulheres que desejam preservar a fertilidade, pacientes oncológicos, casais homoafetivos, pessoas solteiras e diferentes modelos familiares, sempre fundamentada na ética e na segurança.
Esse cenário será debatido no 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA30), promovido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), entre os dias 9 e 12 de setembro, no Recife Expo Center. Pela primeira vez, Pernambuco sediará o maior congresso da América Latina na área, reunindo especialistas nacionais e internacionais em torno do tema “O Cuidado Integral no Hoje”.
Como presidente desta edição histórica, terei a honra de abrir uma programação científica dedicada à integração entre inovação, evidências científicas, ética e humanização. Afinal, cada avanço da reprodução assistida só tem verdadeiro valor quando contribui para transformar a vida das pessoas.
Celebrar o Dia Mundial da Fertilização in Vitro é reconhecer uma conquista da ciência e, sobretudo, celebrar milhões de histórias de esperança. O compromisso da medicina reprodutiva permanece o mesmo: oferecer um cuidado cada vez mais seguro, individualizado e humano para quem sonha em construir uma família.
*Os textos de artigos publicados neste blog são de responsabilidade exclusiva dos seus autores.
*Altina Castelo Branco é ginecologista, especialista em reprodução assistida e presidente do 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (30º CBRA), de 9 a 12 de setembro, no Recife Expo Center.
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