PT e PSB aproveitaram convenção para explicar a aliança entre os partidos na eleição deste ano

– “Em política quando você precisa explicar uma decisão que tomou é mal sinal” disse certa vez o ex-governador Jarbas Vasconcelos desaconselhando esse tipo de comportamento sobretudo em véspera de eleição. Embora não se possa comparar o fato que levou Jarbas a falar assim – ele se referia à aliança que fez com o PFL para governar o estado – ao que aconteceu esta segunda-feira na Convenção da Federação Brasil da Esperança quando foi homologado o apoio à chapa da Frente Popular, o que se viu no encontro, tanto da parte do PT quanto do PSB, foram explicações sobre os desentendimentos entre os dois partidos em algumas eleições como as de 2020 e 2022 quando dissidentes do PT apoiaram Marília Arraes contra João Campos e depois contra Danilo Cabral.
Também foi motivo de explicações a presença de Bivar na suplência de Humberto que estava sendo criticada por alguns petistas. Antes de chamá-lo para falar o presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, que presidia o encontro, pediu um momento para dizer que Bivar que foi presidente do PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro concorreu às eleições de 2018, tinha rompido com o bolsonarismo quando descobriu que o objetivo do grupo era dar golpe na democracia.
Mas, apesar das muitas explicações, PT e PSB chegaram a um lugar comum que foi nacionalizar a eleição estadual, dizendo que o presidente Lula precisava ter um quarto mandato e ali estava presente “o time que ele escolheu” e que iria para as ruas ajudá-lo a ter em Pernambuco um dos mais altos percentuais de votos do país. Coube ao ex-prefeito João Campos que até hoje ouve críticas de petistas por ter criticado duramente o PT em 2020 fazer um desenho mais amplo do relacionamento entre os dois partidos, remetendo historicamente aos governos de Miguel Arraes e depois do seu pai, Eduardo Campos, mesmo link usado por Lula em vídeo de apoio a João quando também rememorou antigas alianças históricas com os socialistas pernambucanos.
Sem pedir votos
Os deputados estaduais do PT que sempre votaram na Alepe a favor dos projetos da governadora Raquel Lyra e defenderam o apoio do partido a ela para ampliar a votação de Lula no estado, pouco apareceram na Convenção da Federação Brasil da Esperança. João Paulo do PT compareceu logo cedo, assinou a ata e saiu informando ter outros compromissos, Doriel Barros e Rosa Amorim chegaram depois mas quando foram chamados a se pronunciar no evento só citaram Humberto que já estava presente e não se referiram a João Campos, como fizeram outros oradores.
Entusiamo
O apoio mais entusiasmado que João Campos recebeu na Convenção do PT foi da vereadora do Recife Kari Santos e da deputada estadual Dani Portela, que saiu do PSOL e se filiou ao PT. As duas falaram antes de João chegar, mas não deixaram de pedir votos para ele e criticar indiretamente a governadora Raquel Lyra. As maiores críticas a Raquel, porém, foram feitas pela prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, e pela presidente estadual do PCdoB, Thiara Milhomem.

O PT vai conseguir convencer seus dissidentes a votar no ex-prefeito João Campos?
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