Transnordestina ao Deus dará

 

Sonhada há décadas pelos pernambucanos, a ferrovia Transnordestina está com o trecho cearense que termina no Porto de Pecém, no Ceará, praticamente concluído, enquanto Pernambuco continua a enfrentar todo tipo de entraves para construir o eixo estadual, entre Salgueiro e Suape. Esta quinta-feira mais uma esperança se desfez quando o Tribunal de Contas da União, que havia paralisado as obras da ferrovia, exigindo mais detalhes e levantamentos sobre as vantagens socioeconômicas do empreendimento, julgou os embargos apresentados pela AGU e pela Infra S/A, a estatal encarregada de tocar a obra e, quando se esperava que um novo documento feito pela Sudene/Fiepe e Infra conseguisse convencer o ministro Jonathan de Jesus a mudar de opinião, não foi isso que aconteceu.

Nada mudou. Elas continuam paralisadas, apesar de alguns políticos, de forma apressada, terem celebrado a decisão do Tribunal, autorizando apenas o pagamento de serviços já executados, permitindo a elaboração dos projetos básico e executivo, sondagens e estudos de engenharia e licenciamento ambiental, entre outros da mesma envergadura. Todas as vezes em que se referiu a obras, o Acórdão foi tácito ao informar que elas não podem ser executadas.

Esta quinta-feira, em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o presidente da Fiepe, Bruno Veloso, afirmou ter informações sobre a possibilidade do retorno da obra ser autorizado proximamente. Mas a própria Infra S/A informou ao TCU que a demonstração de viabilidade socioeconômica da ferrovia – o nó da questão – será concluída até o final de 2026, ou seja, pode chegar a 2027, como sempre tem acontecido com o trecho pernambucano que será bancado com recursos públicos – o trecho do Ceará tem administração privada – e depende do orçamento da União que no final do ano já está aprovado não podendo ser incluídas novas despesas, como é o caso. Até lá teremos passado por uma eleição, escolhido um novo presidente ou mantido o atual, mas em janeiro tem início uma nova administração que demora a andar pelas mudanças que são feitas na máquina pública.

Dois pesos e duas medidas

A história da Transnordestina sempre foi pautada para favorecer o Ceará e prejudicar Pernambuco. A obra cearense foi entregue a uma empresa privada, a Transnordestina S/A, o que deu mais agilidade à execução, só que os recursos saíram em sua quase totalidade da máquina pública. Foi o Finor – Fundo de Investimentos do Nordeste – administrado pelo Banco do Nordeste, que tem sede em Fortaleza, que garantiu os recursos ao lado de bancos públicos como o BNDES. Pernambuco precisou esperar o financiamento do tesouro que só começou a ser liberado na atual administração e mesmo assim enfrentando obstáculos como o atual.

Humberto com o pé o chão

Apesar da governadora Raquel Lyra ter em um primeiro momento, comemorado a decisão do TCU coube ao senador Humberto Costa, que tem trabalhado para manter acesa a chama da Transnordestina junto com a Sudene e a Fiepe, a se pronunciar com sobriedade. Disse que a decisão desta quinta foi importante mas a obra continuará parada e acrescentou: “é preciso continuarmos mobilizados, nós pernambucanos, os políticos, os empresários para que a construção da Transnordestina  continue e consigamos fazer avançar neste projeto que é fundamental para nosso estado”.

Só a manga não foi afetada

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras atingiram em cheio o estado de Pernambuco e , particularmente, o Vale do São Francisco. Dos produtos agrícolas produzidos na região só a manga não foi tarifada. Uva fresca, inhame e todos os demais produtos terão que ser taxados em 25% para poderem continuar sendo vendidos aos Estados Unidos. O presidente da Fiepe, Bruno Veloso, calcula que 60% do que o estado exporta para aquele país, incluindo açúcar e etanol, será taxado.

Quando Pernambuco vai conseguir fazer andar a Transnordestina?

E-mail: terezinhanunescosta@gmail.com/redacao@blogdellas.com

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