A disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho vai além da vaga do Senado na chapa da governadora

 

Está exposta no mundo político, há um certo tempo, a luta entre o presidente estadual da Federação União Progressista, deputado federal Eduardo da Fonte, e o vice-presidente Miguel Coelho para ocupar uma vaga para o Senado na chapa da governadora Raquel Lyra. A peleja por si só tem dado pano para as mangas e ficou mais acirrada nos últimos dias quando a executiva estadual escolheu por cinco votos e duas abstenções o deputado Eduardo da Fonte como o indicado, em se confirmando a disposição da governadora de manter o colegiado, que uniu o PP e o União Brasil, sob seu guarda chuva aumentando de forma significativa o seu tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
                 
Mas, apesar de toda celeuma que tem sido criada em torno do assunto que está levando a eleição para o Senado a ganhar, nesse momento, uma relevância maior do que a disputa para o Governo do Estado cujo quadro já está definido, há um elemento ainda mais importante vagando pelos ares: o controle estadual da própria Federação. Hoje Eduardo da Fonte é o presidente e o manda-chuva do grupo. Ganhou esta relevância por representar o PP que tem 10 deputados estaduais, três federais, mais de 30 prefeitos e centenas de vereadores. O ex-prefeito Miguel Coelho, do União Brasil, precisou se contentar com o segundo plano, pois o seu partido tem apenas um deputado federal que é Fernando Filho – o outro, Mendonça Filho, saiu e se filiou ao PL – e um estadual, o deputado Antonio Coelho.
                    
Se Miguel, porém, for candidato ao Senado e se eleger vai lutar, com razão, pelo controle da Federação pois estará no Senado e os demais no andar de baixo que é a Câmara Federal. Nesse sentido ele pode até não conseguir de imediato assumir o protagonismo da Federação mas pode provocar seguidas dores de cabeça nos integrantes do PP, incluindo o seu líder maior, que é Eduardo. Analisando o assunto, um deputado estadual comentou esta semana que “ Dudu da Fonte poderia até não querer se candidatar ao Senado, como se comentava muito no meio político até recentemente, mas vai ser para evitar que Miguel chegue lá”.  E adiantou: “para ele é melhor optar pela independência da Federação porque aí nenhum dos dois vai para o Senado. E tem toda razão, não conheço político que abra mão do poder que tem para beneficiar outro”.

A noiva no altar

Esta quinta-feira, o deputado estadual Claudiano Martins, do PP, muito ligado a Eduardo da Fonte, refutou os boatos que tomaram conta das rodas políticas sobre a possibilidade de Eduardo da Fonte se afastar da disputa e apoiar Miguel. Chegou-se até a espalhar a informação de que ele estaria redigindo uma carta nesse sentido. “ Era só o que faltava Dudu arrumar a noiva e deixar que Miguel case com ela” – afirmou Claudiano a este blog. Ele explicou que “Eduardo fez tudo para que a Federação desse certo. Viajou por todo o país, fez o PP de Pernambuco ser um dos mais expressivos a nível nacional com três deputados federais e a perspectiva de ter quatro a cinco na eleição deste ano. Também levou o partido a ter 10 estaduais podendo chegar a 14 ou mais este ano. Ele vai entregar isso de bandeja? Claro que não”.

Republicanos na berlinda

O partido Republicanos está  para fechar uma aliança com o PL indicando a vice de Flávio Bolsonaro. Isso acontecendo, o partido passa a enfrentar dificuldades para manter o pré-candidato a vice do ex-prefeito João Campos, que é Carlos Costa, irmão do ex-ministro Silvio Costa Filho. Embora já esteja claro que o Republicanos vai liberar Sílvio Filho e seu grupo para continuar apoiando João no estado e Lula a nível nacional, uma coisa é o apoio implícito e outra o explícito com a aliança formal como está para acontecer em Pernambuco. Esta quinta, em função dos comentários sobre o assunto, Silvio Filho publicou uma nota oficial na qual reafirma o voto em João Campos, mas se cala sobre a questão da vice. A ver.

Se Carlos Costa não puder ser vice de João Campos quem vai ocupar o lugar?

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