Após o 1º lugar nas pesquisas, Raquel enfrenta as agruras da política
O campo de batalha, desta vez, deixou a Alepe e se espalhou pelos meandros da política onde ela vinha, até agora, contrariando o lugar comum
“Só se joga pedras em árvore que dá frutos” ensina a sabedoria popular expressando que uma árvore seca não recebe pedradas mas uma frutífera acaba sendo atingida de várias maneiras. Na política, alguém que está mal nas pesquisas é esquecido pelos adversários mas se começa a reagir sofre os ataques característicos do jogo do poder no qual no qual todos querem sair vencedores. Apesar de ter enfrentado uma oposição cerrada na Assembleia Legislativa desde o início do seu mandato quando se desentendeu com o presidente da casa, deputado Álvaro Porto, e ele se juntou ao PSB para enfrentá-la, a governadora Raquel Lyra conseguiu respirar aliviada no final do primeiro trimestre deste ano após os governistas retomaram o comando das principais comissões legislativas.
A calmaria, no entanto, não durou muito tempo. Só o suficiente para que ela aparecesse, pela primeira vez, liderando as pesquisas de intenções de votos do conceituado instituto Datafolha. O campo de batalha, desta vez, deixou a Alepe e se espalhou pelos meandros da política onde ela vinha, até agora, contrariando o lugar comum, abrindo pouco espaço para os partidos políticos.
A exceção foi o PP, liderado pelo deputado federal Eduardo da Fonte, que tem 10 deputados estaduais e que nunca lhe faltou no poder legislativo. Mais recentemente fez o mesmo com o União Brasil, de Miguel Coelho, com o objetivo de ter a seu lado a Federação União Progressista que juntou PP e UB, podendo garantir-lhe um tempo de propaganda eleitoral semelhante ao de João Campos.
Pesquisas acirram a cobiça
Porém com a boa notícia das pesquisas dada antes mesmo do que esperava o mundo político no qual, até recentemente, se dizia que João Campos ganharia a eleição com os pés nas costas, Raquel que, até o momento, se resumia a fazer entregas de obras e serviços, as mesmas que a ajudaram a avançar na preferência da população, viu em uma só semana João Campos utilizar as mesmas pesquisas para convencer o presidente Lula a fazer uma gravação a seu favor, sepultando, pelo menos por enquanto, a idéia dos dois palanques lulistas no estado, tese preferida nos corredores do Palácio do Campo das Princesas.
Por outro lado, no seu próprio entorno, cresceu a cobiça pelas duas vagas em sua chapa para o Senado. O deputado federal Eduardo da Fonte, que se recusou a chancelar uma proposta feita lá atrás pela governadora quando ofereceu as duas vagas à Federação, o que garantiria lugar para ele e Miguel Coelho, resolveu entrar com força na disputa disposto não só a ser candidato como a atropelar Miguel. Neste caso, a governadora, normalmente comedida em suas falas, se referiu, em entrevista à CNN, a Miguel e Túlio Gadelha ( este pré-candidato com aquiescência do presidente Lula) agradecendo o apoio que lhe estavam dando, e deixando no ar a suspeita de que são os seus preferidos no jogo do Senado.
Conversa junta PP, PL e PSB
A não citação do seu nome mexeu com os brios de Eduardo da Fonte que incontinenti foi visto em Brasília esta terça-feira almoçando com o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, e com o deputado federal Pedro Campos, irmão de João Campos, após terem tomado o mesmo vôo. Por coincidência o PL resolveu esta sexta convocar reunião de sua bancada federal, estadual e municipal, para discutir a possibilidade de lançar candidato ao Governo do estado, o que poderia levar a eleição para o segundo turno. Neste caso, Raquel, mesmo que termine o primeiro turno na frente de João Campos, precisaria passar pelo segundo teste nas urnas.
A estratégia foi vista como possível de ter sido arquitetada durante o almoço citado, o que todos negam. Na verdade, um simples almoço de três políticos que tomaram o mesmo vôo seria normal em tempos de calmaria mas durante uma pré-campanha eleitoral dá margem a muitas interpretações. A verdade é que um candidato da direita só atrapalharia a governadora e seria favorável a João Campos. As pesquisas mostram que, embora 40% dos eleitores de Raquel votem em Lula para presidente, o restante seria de direita mais propenso a seguir com Flávio Bolsonaro. Se o PL tem candidato a governador este pode tirar da governadora preciosos votos.
Fogo amigo é o mais perigoso
Como a governadora vai poder enfrentar esses obstáculos? O cientista político Felipe Ferreira Lima afirma que Raquel “vem estruturando sua pré-campanha por fases. A primeira que se deu até o momento em que ela conseguiu a virada nas pesquisas onde ela montou os alicerces, juntou os apoios, estruturou os palanques, identificou quem poderia estar com ela para colocar o time em campo. Esta fase passou e foi bem sucedida. No segundo momento que é esse agora ela necessita fazer um levantamento da ação dessa estrutura que possa leva-la à vitória”.
Segundo ele, “ isso inclui os interesses dos partidos. Será muito negativo para ela se o PL decidir lançar candidato a governador. O fogo amigo é o mais perigoso nessa fase e é necessário equalizar os interesses dos diversos atores para resolver essas questões. Da mesma form, a disputa interna dos pré-candidatos ao Senado, sobretudo entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, vai dar muita dor-de-cabeça. Também é preciso identificar os interesses de outros atores que podem estar agindo para angariar espaços diante de um futuro mandato. Política não é só fazer o dever de casa. Às vezes dentro da própria casa surgem sinais que podem levar ao insucesso”.
Há ainda, na sua opinião, a questão nacional: “O apoio exclusivo de Lula a João Campos vai ser algo que o ex-prefeito vai lutar para que aconteça até o fim. Ela precisa neutralizar isso. Lula não vai ter condições de perder votos em lugar nenhum. Para ele quanto mais somar melhor e ressaltar isso nas conversas é fundamental para chegar a essa neutralidade”.
Redação com texto de Terezinha Nunes compartilhado do JC em 14/06/2026
e-mail: redacao@blogdellas.com.br/terezinhanunescosta@gmail.com


