EXTERMINADORES DO FUTURO – Por Edgar Moury Fernandes Neto*

Este artigo não é sobre o filme de Arnold Schwarzenegger, em que um humanoide, quase indestrutível, vem do “futuro”, para o “passado”, com a missão de impedir que um outro “homem máquina”, representante do “mal”, assassinasse uma mulher que ainda iria gerar uma criança que, quando adulto, no futuro, combateria uma estrutura de inteligência artificial que pretenderia causar o holocausto nuclear.

A reflexão que quero provocar também não é sobre “heróis improváveis”, “luta do bem contra o mal” ou “conflitos, nucleares”, potencialmente destruidores do mundo.

Este artigo é sobre “roubo”, mas não no sentido literal do termo.

O “roubo” sobre o qual falo é o que vem sendo, vagarosa e silenciosamente, aplicado às próximas gerações de brasileiros, que, cada vez mais, têm a sua perspectiva de futuro e chance de vida estruturada e bem sucedida duramente ameaçadas pela recorrente má condução política, administrativa, legislativa e judicial de nosso país.

Falo de políticas públicas e legislativas equivocadas (ou da falta delas), de ativismo judicial, da ideologização de questões técnicas, de leis casuísticas e demagógicas, de irresponsabilidade fiscal, de disfunção institucional, de corrupção sistêmica, de politização da ciência e do ensino, do lobby contra o interesse público, da criminalização do livre pensamento, assim como do aparelhamento das carreiras de estado.

O “roubo do futuro” de nossas próximas gerações está em programas sociais sem porta de saída, como o eterno “bolsa família”, obstáculos à construção de infraestrutura, por conta de debate sobre o que são (ou não) as terras dos chamados “povos originários”, obstáculos à exploração de riquezas, a pretexto de “proteção” ao meio ambiente, educação militante e partidária nas escolas, gastos públicos além do útil e necessário ao povo, carga tributária abusiva, burocracia sufocante, máquina pública inchada, desrespeito à propriedade e à liberdade, Lawfare, concentração de poder e o seu uso como atributo pessoal, sobretudo pela nomeação de amigos e aliados aos cargos mais importantes da república, especialmente para a suprema corte, dentre outros inúmeros absurdos que ocorrem diariamente.

As distorções acima destacadas, que não são poucas (e não são as únicas), vão muito além de seus efeitos imediatos e do mal que são em si mesmas, pois fazem do estado brasileiro um indesejável “exterminador do futuro” das próximas gerações.

Isto porque, elas impedem o país de se desenvolver consistentemente, criam um ambiente de disputa por poder quase selvagem, violam a liberdade e a autonomia do povo em geral e geram insegurança jurídica e imprevisibilidade, que afastam investidores, desestimulam o empreendedorismo e estão criando um povo sem senso crítico algum, despreparado intelectualmente, exposto ao vício e dependente desse estado que não vale o quanto pesa.

Não atribuo os problemas que massacram o povo e o país a esse ou aquele político ou a qualquer partido ou determinada autoridade isoladamente.

O caso Master, os fundos eleitorais e partidários, as emendas parlamentares, o compadrio entre poderes e as alianças políticas por conveniência, apenas para ficar em alguns poucos exemplos, mostram que há mais semelhanças entre os ditos “antagonistas” do que as eventuais diferenças entre eles.

A verdade é que, em essência, o “roubo do futuro” das novas gerações transcende qualquer governo, autoridade, partido ou políticos isoladamente considerados.

Quem dirigiu (ou dirige) o país, uns mais, outros menos, têm a sua “quota-parte” no que são as causas e os efeitos do patrimonialismo, do corporativismo, do ativismo, da carência dos serviços públicos, da incompetência, dos privilégios, das injustiças, do aparelhamento e da inércia que nos atrasam, como se tudo isso fosse uma “característica” do Estado brasileiro.

A sociedade em geral, por sua vez, é vítima, mas também é algoz disso tudo, na medida em que “aceita”, passivamente, o quadro disfuncional ora vivido, e “fecha os olhos” para os mal feitos daqueles pelos quais “torce” e elege como “salvadores da pátria”.

Nada obstante esse “roubo do futuro”, que ataca as chances de quem ainda está por vir, paradoxalmente, talvez, a única solução para o Brasil sejam as próximas gerações, que, aos trancos e barrancos, precisam despertar e agir, pois são elas que irão pagar o preço do que acontece agora, que, nós, os mais velhos, não estamos conseguindo resolver.

Que Deus proteja a nossa juventude e ilumine o caminho do Brasil.

 

Os textos de artigos publicados neste blog são de responsabilidade exclusiva dos seus autores.

*Edgar Moury Fernandes Neto, é Advogado de Empresas – Contencioso e Consultivo.  Sócio do GCTMA. Ex-Procurador do Estado de Pernambuco. Conselheiro de Administração – IBGC

E-mail: redacao@blogdellas.com.br
Compartilhar