Disputa eleitoral adia assinatura do contrato da Transnordestina e Pedro Campos reclama da governadora

Dois dias depois que o ex-prefeito João Campos atribuiu à governadora Raquel Lyra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender a alocação de recursos federais para o trecho pernambucano da Transnordestina sob alegação de que não existem estudos técnicos, econômicos ambientais suficientes, o que levou o deputado federal Túlio Gadelha a defender a governadora informando que Raquel não tinha nada a ver com isso pois estes estudos tinham sido contratados pela Infra S/A, uma estatal federal, esta segunda-feira foi a vez do deputado federal Pedro Campos exibir um vídeo em suas redes sociais no qual afirma que Raquel age como se a Transnordestina fosse uma iniciativa dela e não do presidente Lula, que não teria sido citado no referido post.
A reclamação de Pedro ocorreu não só a respeito do vídeo mas do anúncio feito pela governadora, após audiência com a ministra da casa civil, Miriam Belchior, de que a questão da ferrovia estava resolvida e que o contrato com a empresa vencedora da licitação para construir os 73 quilômetros iniciais no estado de Pernambuco seria assinado esta terça-feira por ela e pelo ministro dos transportes George Santoro. Este blog tomou conhecimento de que o PSB agiu junto ao Palácio do Planalto contra o que chamou de “protagonismo” da governadora sobre uma grande obra federal e veio daí o pedido feito pelo Palácio da Planalto
à própria governadora e ao ministro para que a assinatura fosse adiada pois o presidente Lula deseja participar.
Imediatamente se divulgou que a bancada federal pernambucana também vai estar presente. As idas e vindas em torno de um contrato que já está pronto e só aguardava o momento da assinatura demonstra que o processo eleitoral em Pernambuco vai esquentar no que se refere às obras federais. De um lado, de forma institucional, o estado, que é parceiro da União na Transnordestina e em várias outras obras, e é representado pela chefe do executivo, vai precisar estar presente em tudo que se relacione com as mesmas – a prova de sua ingerência sobre o assunto foi a própria cobrança feita por João Campos quando o TCU se pronunciou. Do outro lado, o PSB vai querer assumir protagonismo para reiterar sua aliança com o presidente. Mas conta com um obstáculo: Raquel, mesmo candidata à reeleição, vai continuar no posto e será ouvida mas João, na condição de ex-prefeito, não vai poder interferir além de suas prerrogativas.
Parecer do TCU não é terminativo
Na verdade, sabe-se agora, que todo o alvoroço criado em torno da decisão do TCU foi em vão. O tribunal fez ressalvas que, segundo o próprio Governo Federal, já estão sendo respondidas de forma que é líquido e certo que a rodovia sairá do papel. Foi por isso que acabou bem simples a solução do problema quando a ministra Miriam Belchior afirmou que nada impedia a assinatura do contrato sugerindo que a governadora e o ministro o fizessem sem receio. Mas a briga política foi além e deu no que deu. Em adiamento. Agora vai-se aguardar a agenda do presidente para que ele, o ministro e a governadora assinem o contrato. Pernambuco fica na espera.
Fernando Dueire e Túlio
Enquanto a disputa pelo Senado dentro da Federação União Progressista não se define – há dois postulantes no colegiado, o deputado federal Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho – os pré-candidatos Túlio Gadelha e o senador Fernando Dueire ocuparam todo o espaço em torno da governadora Raquel Lyra na Marcha dos Prefeitos que se realiza esta semana em Brasília.
A luta pelo voto em Serra Talhada
Com vários candidatos da terra, a eleição proporcional está pegando fogo em Serra Talhada. Esta terça-feira os aliados de um dos candidatos a deputado federal, Miguel Duque, comemoraram pesquisa do Instituto Múltipla em que ele aparece com 30% das intenções de voto no município – ele foi candidato a prefeito em 2024 – o empresário Charles de Tiringa ficou com 10%, o deputado federal Fernando Monteiro, apoiado pela prefeita, teria 9%, Pedro Campos 7% e o deputado federal Waldemar Oliveira, do Avante, 6%. Os indecisos são 18% . A pesquisa foi realizada dias 7 e 8 deste mês.
Até que ponto a briga política pode criar dificuldades para o andamento de obras federais em Pernambuco neste ano eleitoral?
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