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PT vai confirmar apoio, mas deixará recados duros ao PSB nos bastidores- por Igor Maciel

Marília Arraes (PDT) e Carlos Costa (Republicanos) estarão na chapa de João Campos (PSB) para a disputa do Governo de Pernambuco – Léo Caldas e Pedro Batista

Decisão será oficializada no dia 28, mas divergências internas e críticas à condução dos socialistas seguem presentes em Pernambuco e em Brasília.

Por Igor Maciel do JC

O apoio do PT de Pernambuco a João Campos (PSB) será confirmado no próximo dia 28. Quanto a isso, hoje há pouca ou nenhuma dúvida tanto entre petistas quanto no ninho socialista.

Pelo rito que está sendo previsto, o PT realiza sua plenária final, legitima a decisão encaminhada de integrar a chapa do PSB, confirma o nome de Humberto Costa (PT) e, em seguida, convoca a militância para receber o pré-candidato ao governo e informá-lo da decisão.

Internamente há bastante divergência e insatisfação, mas a ordem é fazer de tudo para que isso não contamine o anúncio. Tudo para que as prioridades do partido sejam respeitadas.

Prioridades

Essas prioridades são, nesta ordem, a maior votação possível para Lula (PT) no estado e a reeleição do senador Humberto Costa. Todo o resto é secundário. É justamente o restante dessa lista, o “secundário”, que restará como incógnita crucial na eleição. As outras prioridades incluem a eleição de Marília Arraes (PDT)? E a de João Campos? E a reeleição de Raquel Lyra? Estas possibilidades podem surpreender, mas não deveriam.

Dentro do PT, hoje, tudo é possível. Sempre é bom lembrar que Teresa Leitão (PT) teve dois milhões de votos em 2022 e o candidato a governador dela, na mesma chapa, teve oitocentos mil. Em 2026, o PT outra vez chega à eleição com mais desejos do que realizações e com uma unidade bonita na capa do livro e inexistente em seu miolo.

Gestão atrapalhada

O percurso dessa formação de chapa foi curioso porque vai terminar cumprindo a perspectiva do início, mas com tantos tropeços pelo caminho que o resultado pode ser totalmente diferente do esperado. Entre os petistas, há muitos que apontam uma “gestão atrapalhada das articulações por parte do PSB”.

A coluna, que esta semana está em Brasília, conversou com duas lideranças nacionais do partido de Lula e ambos fizeram um relato das últimas semanas que inclui mais indefinições e surpresas do que entendimento. Segundo eles, as “certezas” de João Campos mudaram ao menos três vezes num curto espaço de tempo e terminaram com um anúncio sem combinar com os petistas. Por isso ficaram na bronca e vão continuar na bronca mesmo após o dia 28.

O plano

Campos sempre explicou nas conversas com os petistas que precisava montar uma chapa que tivesse a esquerda, mas que também contemplasse o centro, ou teria menos chance na eleição. O objetivo maior do socialista sempre foi a federação União Progressista. Por mais de uma vez, garantiu que, se confirmasse a federação, sairia vitorioso.

Os petistas sempre entenderam a ideia e concordaram. No radar de João estava Miguel Coelho (União) como “plano A” para a segunda vaga do Senado ao lado de Humberto Costa e, se não desse certo, o “plano B” seria Silvio Costa Filho (Republicanos) porque seria alguém do centro, mesmo não garantindo a federação.

Esse foi o plano que mais durou, desde o início das conversas até bem pouco tempo atrás. E embora pontuasse que haveria resistências a aceitar Miguel na chapa e que Eduardo da Fonte (PP) é quem iria comandar a federação, o PT achava a articulação “factível” e apoiou.

Marília

Quando Marília Arraes entrou no jogo e, no extremo, anunciou que “seria candidata ao Senado de qualquer maneira” as coisas começaram a se complicar. Foi quando os petistas perceberam pela primeira vez que Campos tinha vendido lotes demais num condomínio bem menor do que a propaganda mostrava.

Num curto espaço de tempo, o grupo se viu com uma vaga apenas para o Senado (a outra era de Humberto) e três pré-candidatos garantindo que “estavam garantidos”. Enquanto isso, continuava a preocupação com a federação que Miguel não tinha como dar certeza, mas isso ainda estava em segundo plano.

Naquele momento, a crise passou a ser a prima de João e a possibilidade de que ela fosse candidata fora da chapa, avulsa. O PT vetou e uma reunião foi feita para informar isso a Campos. Havia um problema sério com a candidatura avulsa, porque ela iria pedir votos apenas para ela, poderia amarrar a votação nos bastidores com qualquer outro candidato ao senado, até de outro campo, e prejudicaria muito o PT. “Você criou o problema, agora resolva”, foi dito ao prefeito do Recife.

Eduardo da Fonte

Enquanto tudo isso ainda se desenrolava e o pré-candidato do PSB comunicava à Marília que ela não ficaria no grupo, a operação da Polícia Federal que envolveu a família Coelho, de Miguel, aconteceu. Coincidência ou não, Campos intensificou conversas com Eduardo da Fonte (PP). Uma reunião teria chegado a acontecer, em Brasília, envolvendo o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, Eduardo da Fonte, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o senador Humberto Costa.

Nesse encontro, João Campos afirmou que estava organizando a chapa com Humberto e Dudu da Fonte para o Senado, e que isso garantiria a federação União Progressista.

Já era a segunda formação de palanque diferente apresentada pelo PSB. O PT, pelo que se sabe, fez algumas ressalvas, pediu que seus prazos fossem respeitados, e não teve objeção. Mas precisava combinar com os “russos”.

Ainda Eduardo

A informação do acerto que incluía Dudu da Fonte na vaga que passou meses sendo disputada por três outros concorrentes, agora descartados num estalar de dedos, vazou e causou uma revolução.

No Palácio do Campos das Princesas, caiu como uma bomba. Fazia meses que Eduardo da Fonte era tratado como o único nome certo (além do de Raquel) na chapa governista. O que mais irritou a todos foi que uma reunião ocorreu para cobrar dele que anunciasse apoio e confirmasse a pré-candidatura ao Senado na chapa e ele continuou pedindo mais prazo, quando todos à mesa já sabiam das conversas dele com João. O clima dessa reunião foi bastante pesado, com atritos sérios entre os presentes. E depois disso, o ambiente azedou de vez.

Debandada para Raquel

Marília Arraes, Silvio Costa Filho e Miguel Coelho também ficaram muito irritados, mas com João Campos. Miguel e Silvio foram os primeiros a abrir negociações com a governadora, Marília foi na sequência. O ex-prefeito de Petrolina juntou-se ao deputado Mendonça Filho (União) e assumiu a briga para levar a federação União Progressista para Raquel. A ideia era isolar Eduardo da Fonte.

Silvio Costa Filho teve uma longa conversa com a governadora, na sede do PSD, no sábado (14). A reunião terminou com um aperto de mãos e a garantia de que estariam juntos na eleição.

Faltava Marília, que conversou com Raquel por telefone e marcou uma reunião, em Brasília, para a quarta-feira (18), junto com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Foi quando Campos correu para agir e evitar o prejuízo que, acreditava, seria definitivo.

O anúncio sem combinar

Se você já esqueceu, releia o parágrafo no início intitulado “O Plano”, depois retorne aqui. Pois bem, acontece que a “receita de sucesso” para vencer a eleição, segundo João Campos, era ter um candidato bem à esquerda e um de centro (ou centro direita) para o Senado.

Naquele momento, o que estava sendo acertado pelo Palácio era que a chapa ficaria assim: Raquel Lyra para o governo, Marília Arraes para o Senado, Miguel Coelho também para o Senado e o irmão de Silvio Costa Filho ou o próprio Silvio como vice. A formação dos sonhos de João estava ali com Raquel.

Foi por isso que ele, João, correu e conseguiu convencer Marília e Silvio a ficarem com ele. Este indicou o irmão. A chapa teria então Marília e Humberto ao Senado, com Carlos Costa na vice. Miguel fechou com Raquel e, em Brasília, articulou para levar a federação para ela.

Campos foi muito hábil e transformou oque era uma crise definitiva em prejuízo menor, porque ficou muito mais à esquerda do que gostaria.

Mas, talvez na pressa ou por medo de receber uma negativa, não combinou com o PT de Pernambuco, nem com o próprio Humberto Costa.

Consequências

A formação da chapa, acreditam os petistas, deve atrapalhar mais o próprio João Campos do que Humberto Costa. É por isso que, no fim das contas, devem confirmar o apoio ao PSB em Pernambuco.

Os socialistas fizeram muitas concessões em outros estados também, filiando nomes que o PT precisa para compor estratégias nacionais, por isso a parceria não deixará de ocorrer.

Mas ficou uma mágoa pela maneira atabalhoada com que o processo foi conduzido e, principalmente, por ter divulgado uma chapa, apressando os petistas, sem combinar com eles. Isso terá consequências na mobilização da militância, inclusive, no dia da votação. O PT acredita, internamente, que a presença de Marília vai dar argumentos aos opositores para dizer que a chapa é “familiar” e pode reforçar a ideia de “dinastia” e poder por “herança”.

Mas pretendem fazer seu trabalho, dar votos a Lula, reeleger Humberto e aguardar o resultado das urnas. Como Lula deve ficar nos dois palanques e há petistas apoiando Raquel também, o que acontecer será lucro.

Redação com texto de Igor Maciel -Coluna Cena Política do JC compartilhado em 25/03/2026

e-mail: redacao@blogdellas.com.br /terezinhanunescosta@gmail.com

 

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