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Crítico do PT, Mendonça Filho não se opõe a lulistas como Marília e Silvio no palanque de Raquel Lyra

Mendonça Filho entre os mais influentes no Congresso – Arthur Borba / JC IMAGEM

Por Rodrigo Fernandes do JC

Opositor do presidente Lula na Câmara, deputado diz que governadora deve unir diferentes espectros políticos para vencer a eleição de outubro

O deputado federal Mendonça Filho (União Brasil), opositor ferrenho do governo do PT na Câmara, defendeu nesta terça-feira (17) que a governadora Raquel Lyra (PSD) construa um palanque amplo para as eleições de 2026, mesmo que a chapa inclua nomes ligados ao governo do presidente Lula (PT).

A declaração foi dada após rumores apontarem os nomes da ex-deputada federal Marília Arraes, atualmente sem partido mas a caminho do PDT, e do ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) como possíveis candidatos ao Senado na chapa encabeçada pela governadora.

Os dois são declaradamente aliados do governo petista, com Silvio Costa Filho inclusive ocupando o Ministério de Portos e Aeroportos.

Mendonça é abertamente crítico do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores, mas disse que não vê problema em dividir palanque com nomes lulistas neste contexto. Para ele, o dever de Raquel Lyra é pensar em Pernambuco, não em disputas ideológicas.

“Eu tenho que pensar em Pernambuco. E o dever de Raquel é pensar em Pernambuco. Então ela está juntando gente que vai de um polo ao outro e simpatiza com o governo dela, que é plural, que é amplo”, afirmou o deputado em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.

Ouça aqui a entrevista na íntegra

O parlamentar listou uma série de críticas ao governo federal para reforçar sua oposição, mas deixou claro que isso não interfere no apoio à governadora.

Mendonça Filho citou o ex-prefeito do Recife e atual deputado estadual João Paulo (PT) como exemplo de que é possível construir alianças respeitosas entre campos políticos opostos.

“Tenho enorme respeito por João Paulo, apesar de a gente militar em campos distintos. Eu fui governador quando ele foi prefeito e a gente fez parcerias [nos bairros da] Mangueira, da Mustardinha, em favor do recifense”, lembrou.

O deputado alertou que Raquel Lyra pode se prejudicar se entrar na disputa ideológica causada pela polarização do país. “Se ela ficar na briga entre direita e esquerda, essa briga dicotômica, ela vai terminar se embaraçando. Então acho que ela tem que ampliar o palanque, buscar o bem de Pernambuco e dos pernambucanos”, avaliou.

Mendonça Filho garantiu que manterá suas convicções políticas mesmo dentro de uma aliança ampla.

“Não vou mudar, não vou votar no PT, mas respeito quem vota, porque em qualquer democracia você tem que abrigar posições políticas divergentes e diferentes”, concluiu.

O ministro Silvio Costa Filho e a ex-deputada federal Marília Arraes – Reprodução Blogdellas

Mendonça confirma possibilidade de migração partidária

Ainda na entrevista, Mendonça Filho, que é vice-presidente do União Brasil em Pernambuco, explicou que enviou um pedido formal ao presidente nacional do partido, Antonio Rueda, para que o processo de federação com o Partido Progressistas seja cancelado.

A federação ainda não foi homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O prazo fatal para definição de filiações partidárias está a pouco mais de 15 dias, o que, segundo o deputado, cria um cenário de incerteza política e jurídica para os envolvidos.

Mendonça Filho afirmou que, sem clareza sobre os rumos do partido, fica impossível planejar sua atuação eleitoral. Isso ocorre porque o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, pode se aliar ao prefeito do Recife João Campos (PSB) na eleição de outubro — lado oposto da governadora Raquel Lyra.

O deputado foi categórico ao afirmar que poderá deixar o União Brasil caso o partido decida apoiar João Campos em vez de se alinhar à governadora.

“Se porventura a federação ou o meu partido se coligar e se aliar com o atual prefeito João Campos no processo eleitoral, eu estou fora da federação e do partido. Isso eu já disse publicamente e reitero aqui”, declarou.

“A única hipótese de eu me manter no União e na federação, se porventura ela for homologada, é se o meu partido e ou a federação União-Progressistas estiverem com Raquel. Fora disso, eu vou ter que buscar outro rumo”, acrescentou.

O parlamentar tem até o dia 3 de abril para tomar uma decisão sobre sua filiação partidária. Ele disse que não pretende esperar o prazo final e que já trabalha para ter uma definição antes disso. Embora não tenha confirmado, um dos destinos possíveis do parlamentar seria o PSD, presidido localmente pela governadora Raquel Lyra.

Sobre a posição do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho em relação à federação, Mendonça Filho disse que o colega de partido também enfrenta incertezas com o processo. Miguel é o presidente estadual do União Brasil.

“Para ele também isso significa incerteza política. Se você tem complicações num partido e divisões de qual rumo a ser seguido, imagine se você junta dois partidos que são grandes”, ponderou.

Redação com texto de Rodrigo Fernandes do JC compartilhado em 17/03/2026 Fotos: reprodução

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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