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“O Agente Secreto” sai do Oscar sem prêmios, mas deixa marca na história do cinema pernambucano e brasileiro

Multidão acompanha cerimônia do Oscar 2026 em frente ao Cinema São Luiz (Wagner Moura) – JAILTON JR/JC IMAGEM JAILTON JR/JC IMAGEM 

O longa pernambucano alcançou grande repercussão nas salas de exibição e ultrapassou a marca de 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil

Por Laís Nascimento do JC

Apesar da repercussão fora do circuito tradicional do cinema brasileiro e da coleção de mais de 60 prêmios ao redor do mundo, “O Agente Secreto”, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, saiu da cerimônia do Oscar sem estatuetas.O resultado foi anunciado neste domingo (15), durante a cerimônia no tradicional Dolby Theatre, em Los Angeles, nos Estados Unidos, que revelou os vencedores de cada categoria.

O ‘Agente Secreto’ concorria a Melhor Direção de Elenco, que ficou com Uma Batalha Após a Outra; Filme Internacional, conquistado por “Valor Sentimental”, da Noruega; Melhor Ator, com Wagner Moura, que foi vencido por Michael B. Jordan, de “Pecadores”, e Melhor Filme, que consagrou Uma Batalha Após a Outra como maior vencedor da edição deste ano.

Desde a estreia no circuito internacional no Festival de Cannes, em maio de 2025, “O Agente Secreto” colocou o cinema brasileiro em destaque. Com mais de 10 minutos de aplausos, a produção pernambucana foi aclamada pela crítica e pela imprensa internacional.

O filme fez história acumulando quatro indicações para o Oscar, maior premiação de cinema do mundo, para Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, para Wagner Moura, e Melhor Elenco, categoria que estreou nesta edição.

Celebração no circuito internacional

“O Agente Secreto” teve uma trajetória que seguiu o bom momento do cinema brasileiro. Após a vitória inédita de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, por Melhor Filme Internacional, o longa teve uma trajetória que consolidou essa relevância e manteve o país no centro dos debates.

Na estreia mundial, conquistou os prêmios de Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho, e Melhor Ator, para Wagner Moura, no Festival de Cannes.

A vitória em um dos festivais mais influentes de cinema chamou atenção da imprensa internacional e fez com que a produção pernambucana estivesse entre uma das mais celebradas pelo mundo.

A campanha de “O Agente Secreto” foi celebrada também com a vitória como Melhor Filme Internacional no Critics Choice Awards, marcando a primeira vez que um filme brasileiro conquistou a estatueta nesta categoria, e de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura no Globo de Ouro.

Durante a campanha internacional, tanto Wagner Moura quanto Kleber Mendonça Filho tiveram suas trajetórias celebradas e aplaudidas. O ator e o diretor já tinham projeção consolidada no circuito internacional de cinema.

Cinema brasileiro e protagonismo do Recife

A grandeza de “O Agente Secreto” é uma sequência do bom momento do cinema brasileiro. No Oscar 2025, o destaque de “Ainda Estou Aqui” chamou atenção de todo o mundo para as produções do país.

O momento segue a tendência mundial, que coloca a cultura da América Latina no centro. Assim como na música, com o porto riquenho Bad Bunny, em “O Agente Secreto” são colocados em cena elementos como a memória, o esquecimento e a arte.

Na produção pernambucana, o Carnaval e o Cinema São Luiz são ferramentas políticas de resistência e de exaltação do popular.

É a normalidade em meio ao caos da Ditadura Militar instaurado na trama. Na sala de cinema e no frevo nas ruas do centro da cidade, o personagem Armando/Marcelo (Wagner Moura) encontra o momento de respiro e se afasta da repressão.

Além da cultura popular, o protagonismo do Recife na produção é pela ambientação da paisagem urbana da cidade.

Especialmente na área central, a trama se desenvolve costurada ao Recife dos anos 1970: boêmio, poético e com uma cultura viva.

As locações foram do emblemático Cinema São Luiz ao Parque 13 de Maio, passando pelo Ginásio Pernambucano e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), espaços onde a vigilância ditatorial e a resistência através da pesquisa e da arte se fizeram presentes.

É também pela paisagem urbana do Recife que a produção faz menção ao esquecimento do apelo cultural da cidade. Enquanto o Carnaval e o Cinema São Luiz aparecem como ferramentas de resistência cultural e de exaltação do popular, o Banco de Sangue Hemato surge como referência às transformações urbanas e ao desaparecimento dos cinemas de rua.

A presença da capital pernambucana no mundo através da produção de Kleber Mendonça Filho se estendeu às premiações, com desfile do grupo Guerreiros do Passo em Cannes, em 2025, e o destaque dos bonecos gigantes do diretor pernambucano e de Wagner Moura no carnaval de Olinda.

Cinema pernambucano

“O Agente Secreto” alcançou grande repercussão nas salas de exibição e ultrapassou a marca de 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil.

A trajetória do longa de Kleber Mendonça Filho também transformou Pernambuco em vitrine cultural para todo o mundo.

As salas de cinema, o frevo e as paisagens urbanas carregam a intensidade artística do estado e reafirmam o território como fértil para histórias sobre memória e identidade, agora reconhecidas pela maior premiação do cinema.

Outras produções ambientadas no estado ou dirigidas por cineastas pernambucanos já tiveram grande projeção internacional.

“Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), dirigido pelo recifense Marcelo Gomes, foi o representante brasileiro na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2007. Apesar de não ter conquistado a indicação oficial, o filme teve bom desempenho em premiações pelo país.

Em 2014, “O Som ao Redor” (2012), de Kleber Mendonça Filho, também correu atrás da indicação à categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de não ter ficado entre os finalistas, o longa teve aclamação pela crítica internacional e consolidou o pernambucano como um dos principais diretores do país.

Kleber teve destaque, ainda, na corrida por uma vaga que representava o Brasil no Oscar de 2017, com “Aquarius” (2016) – concorrendo com o recifense Gabriel Mascaro, com “Boi Neon (2015)” -, “Bacurau” (2019) na premiação de 2021.

Redação com texto de Lais Nascimento compartilhado do JC em 16/03/2026 Foto: reprodução/JC

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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